sábado, 21 de maio de 2011

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe fazia

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Elegia do Amor :
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O meu amor por ti,
meu bem, minha saudade,
ampliou-se até Deus,
Os astros alcançou.
Beijo o rochedo e a flor,
a noite e a claridade.
São estes, sobre o mundo,
os beijos que te dou.

Todo eu fico a cismar
na louca voz do vento,
na atitude serena
e estranha duma serra;
no delírio do mar,
na paz do Firmamento
e na nuvem que estende
as asas sobre a terra.

Vivo a vida infinita,
eterna, esplendorosa.
Sou neblina, sou ave,
estrela, azul sem fim,
só porque, um dia, tu,
mulher misteriosa,
por acaso, talvez,
olhaste para mim.
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Teixeira de Pascoaes
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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe fazia

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António Gedeão - Poema do Fecho Éclair


Filipe II tinha um colar de oiro
tinha um colar de oiro com pedras rubis.
Cingia a cintura com cinto de coiro,
com fivela de oiro,
olho de perdiz.

Comia num prato
de prata lavrada
girafa trufada,
rissóis de serpente.
O copo era um gomo
que em flor desabrocha,
de cristal de rocha
do mais transparente.

Andava nas salas
forradas de Arrás,
com panos por cima,
pela frente e por trás.
Tapetes flamengos,
combates de galos,
alões e podengos,
falcões e cavalos.

Dormia na cama
de prata maciça
com dossel de lhama
de franja roliça.
Na mesa do canto
vermelho damasco
a tíbia de um santo
guardada num frasco.

Foi dono da terra,
foi senhor do mundo,
nada lhe faltava,
Filipe Segundo.

Tinha oiro e prata,
pedras nunca vistas,
safira, topázios,
rubis, ametistas.
Tinha tudo, tudo
sem peso nem conta,
bragas de veludo,
peliças de lontra.
Um homem tão grande
tem tudo o que quer.

O que ele não tinha
era um fecho éclair.
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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe fazia


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Antero de Quental - "Oceano Nox"

Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voo dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,

Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o Céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas, vagamente

Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais?

Mas na imensa extensão, onde se esconde
O inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais
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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe fazia

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Poema de Alexandre O´Neill:
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Suignhi.ficados - Flausinados

Faz tempos, a ´nha vezinha Carmo vinha tã distraída conversando qu´a ´nha vezinha Trindade que caíram, ambas as duas, numa vala : caíu a Carmo e a Trindade !
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A espeçalidade do Restauranti da ´nha Aldêa, é frango à flausina :
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PataNegra