sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Thomas Chatterton

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Thomas Chatterton :
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A New Song

Ah blame me not, Catcott, if from the right way
My notions and actions run far.
How can my ideas do other but stray,
Deprived of their ruling North-Star?

A blame me not, Broderip, if mounted aloft,
I chatter and spoil the dull air;
How can I imagine thy foppery soft,
When discord's the voice of my fair?

If Turner remitted my bluster and rhymes,
If Hardind was girlish and cold,
If never an ogle was got from Miss Grimes,
If Flavia was blasted and old;

I chose without liking, and left without pain,
Nor welcomed the frown with a sigh;
I scorned, like a monkey, to dangle my chain,
And paint them new charms with a lie.

Once Cotton was handsome; I flam'd and I burn'd,
I died to obtain the bright queen;
But when I beheld my epistle return'd,
By Jesu it alter'd the scene.

She's damnable ugly, my Vanity cried,
You lie, says my Conscience, you lie;
Resolving to follow the dictates of Pride,
I'd view her a hag to my eye.

But should she regain her bright lustre again,
And shine in her natural charms,
'Tis but to accept of the works of my pen,
And permit me to use my own arms.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Gregório de Matos

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A Instabilidade das Cousas no Mundo - Gregório de Matos :
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Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol e na luz, falta a firmeza,
Na formosura não se crê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Oscar Wilde

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"Loucos e Santos" - Oscar Wilde :
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Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Marisa de Medeiros

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MÃE COMO TE AMO - MARISA DE MEDEIROS :
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Mãe ! Obrigada por você existir
no meu coração e naquela
estrelinha a me sorrir.
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(...) mãe, tão forte
como o mar bravio;
delicada e frágil
como uma borboleta;
é amor incondicional;
falar dos encantos teus,
Mãe, feminino de Deus !
é tão bom poder falar,
não há nada pra comparar,
mas, em cada dia meu,
lembro um conselho, um
exemplo teu; tuas mãos me
abençoavam quando com
elas inocentemente brincava,
e, o teu olhar quando brava,
encondidinha eu lia
que me amavas;
mãe ! tomada de emoção,
de coração pra coração;
mãe é mais que mãe,
é exemplo, amor e lição;
Mãe ! me pega no colo !
eu te amo e como te amo.
Mãe ! Mãe ! Mãe !

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Walter Raleigh

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The Nymph's Reply To The Shepherd - Sir Walter Raleigh :
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Resposta da Ninfa ao pastor :
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Se o mundo e o amor fossem sempre jovens
E as palavras do pastor sempre verdadeiras
Esses lindos prazeres poderiam levar-me
A viver contigo e ser teu amor.
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O tempo leva os rebanhos dos pastos para o aprisco
Quando os rios se enraivecem e as rochas gelam
E Filomena emudece
O tranquilo lamento de preocupações por vir.
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As flores fenecem, e os campos viçosos
Conduzem às instáveis consequências do inverno;
Língua de mel, coração de fel
Primavera de fantasia, Outono de pesar.
 

domingo, 2 de dezembro de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Mario de Andrade

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O valioso tempo dos maduros - Mario de Andrade :
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Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui
para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas..
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam
poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir
assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar
da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo
de secretário geral do coral.
‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,
minha alma tem pressa…
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com
triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua
mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!

sábado, 1 de dezembro de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Boris Pasternak

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Boris Pasternak  :
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A fama é reles...
 
Ter fama é reles; a escalada

ao apogeu segue outras leis.

Arquivos não servem de nada,

Não tremas sobre os teus papéis.
 

Criar é entregar-se de todo,

e não sucesso ou alarido.

É vergonhoso, sendo engodo,

virar provérbio difundido.
 

Cumpre viver, mas sem disfarce,

para atrair-se enfim o puro

amor do espaço ou escutar-se

o apelo, ao longe, do futuro.
 

Deixa as lacunas no destino,

nas obras, não. Qualquer passagem,

qualquer capítulo ou domínio

de tua vida – anota à margem.
 

Some no anonimato e esconde

teus passos como sítio oculto

por brumas muito espessas onde

não há como entrever seu vulto.
 

Outros, que irão por tua rota,

seguem teu rasto, passo a passo.

Mas não te cabe ser quem opta

entre um sucesso ou um fracasso.
 

Não rendas nunca, por motivo

algum, teu rosto, tua estrada;

prossegue vivo, apenas vivo

até o fim, vivo e mais nada.