sábado, 7 de setembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Mark Doty

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Mark Doty  :

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A Display Of Mackeral :

They lie in parallel rows,
on ice, head to tail,
each a foot of luminosity
barred with black bands,
which divide the scales'
radiant sections

like seams of lead
in a Tiffany window.
Iridescent, watery

prismatics: think abalone,
the wildly rainbowed
mirror of a soap-bubble sphere,

think sun on gasoline.
Splendor, and splendor,
and not a one in any way

distinguished from the other
--nothing about them
of individuality. Instead

they're all exact expressions
of the one soul,
each a perfect fulfillment

of heaven's template,
mackerel essence. As if,
after a lifetime arriving

at this enameling, the jeweler's
made uncountable examples
each as intricate

in its oily fabulation
as the one before;
a cosmos of champleve.

Suppose we could iridesce,
like these, and lose ourselves
entirely in the universe

of shimmer--would you want
to be yourself only,
unduplicatable, doomed

to be lost? They'd prefer,
plainly, to be flashing participants,
multitudinous. Even on ice

they seem to be bolting
forward, heedless of stasis.
They don't care they're dead

and nearly frozen,
just as, presumably,
they didn't care that they were living:

all, all for all,
the rainbowed school
and its acres of brilliant classrooms,

in which no verb is singular,
or every one is. How happy they seem,
even on ice, to be together, selfless,

which is the price of gleaming.

Submitted by southerndeb
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(retirado, com a devida vénia, de "poemHunter.com")

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Gonçalves de Magalhães


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Gonçalves de Magalhães :

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 Beleza :
Oh Beleza! Oh potência invencível,
Que na terra despótica imperas;
Se vibras teus olhos
Quais duas esferas,
Quem resiste a teu fogo terrível?

Oh Beleza! Oh celeste harmonia,
Doce aroma, que as almas fascina;
Se exalas suave
Tua voz divina,
Tudo, tudo a teus pés se extasia.

A velhice, do mundo cansada,
A teu mando resiste somente;
Porém que te importa
A voz impotente,
Que se perde, sem ser escutada?

Diga embora que o teu juramento
Não merece a menor confiança;
Que a tua firmeza
Está só na mudança;
Que os teus votos são folhas ao vento.

Tudo sei; mas se tu te mostrares
Ante mim como um astro radiante,
De tudo esquecido,
Nesse mesmo instante,
Farei tudo o que tu me ordenares.

Se até hoje remisso não arde
Em teu fogo amoroso meu peito,
De estóica dureza
Não é isto efeito;
Teu vassalo serei cedo ou tarde.

Infeliz tenho sido até agora,
Que a meus olhos te mostras severa;
Nem gozo a ventura,
Que goza uma fera;
Entretanto ninguém mais te adora.

Eu te adoro como o anjo celeste,
Que da vida os tormentos acalma;
Oh vida da vida,
Oh alma desta alma,
Um teu riso sequer me não deste!

Minha lira que triste ressoa,
Minha lira por ti desprezada,
Assim mesmo triste,
Assim malfadada,
Teu poder, teus encantos pregoa.

Oh Beleza, meus dias bafeja,
Em teu fogo minha alma devora;
Verás de que modo
Meu peito te adora,
E que incenso ofertar-te deseja. 
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(retirado, com a devida vénia, de "As Tormentas")

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - William Blake


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The Garden of Love - William Blake :

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O Jardim do Amor :
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O Jardim do Amor fui visitar, 
E vi então o que jamais notara: 
Lá bem no meio estava uma Capela, 
Onde eu no prado correra e brincara. 

E os portões desta Capela não abriam, 
E "Não farás" sobre a porta escrito estava; 
E voltei-me então para o Jardim do Amor 
Lá onde toda a doce flor se dava; 

E os túmulos enchiam todo o campo, 
E eram esteias funerárias as flores; 
E Padres de preto, em seu passeio secreto, 
Atando com pavores minhas alegrias & amores. 

William Blake, in "Canções da Experiência" 
Tradução de Hélio Osvaldo Alves
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(retirado, com a devida vénia, de "Citador")


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - António Sousa Freitas

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 " ACHO INÚTEIS AS PALAVRAS " - António Sousa Freitas :

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Acho inúteis as palavras
Quando o silêncio é maior
Inúteis são os meus gestos
P'ra te falarem de amor

Acho inúteis os sorrisos

Quando a noite nos procura
Inúteis são minhas penas

P'ra te falar de ternura

Acho inúteis nossas bocas

Quando voltar o pecado
Inúteis são os meus olhos

P'ra te falar do passado

Acho inúteis nossos corpos
Quando o desejo é certeza
Inúteis são minhas mãos

Nessa hora de pureza. 
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(retirado, com a devida vénia, de "Claudia Madur")

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Um Pensamento por dia, nem sabe o bem que lhe faria - George Orwell

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George Orwell :

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"A liberdade é a liberdade de dizer que dois e dois são quatro. Quando se concorda nisto o resto vem por si."
"Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir."."Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros."
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"O crime de pensar não implica a morte. O crime de pensar é a própria morte."
"Quatro patas bom, duas patas ruim."
"Os sentimentos elevados vencem sempre no final; os líderes que oferecem sangue, trabalho, lágrimas e suor conseguem sempre mais dos seus seguidores do que aqueles que oferecem segurança e diversão. Quando se chega a vias de facto, os seres humanos são heróicos."
"Quando se diz que um escritor está na moda, isso quer dizer que ele é admirado por menores de trinta anos."
"A maneira mais rápida de acabar com uma guerra é perdê-la."
"Pensamento duplo indica a capacidade de ter na mente, ao mesmo tempo, duas opiniões contraditórias e aceitar ambas."
"Os melhores livros são os que nos contam aquilo que já sabíamos..(retirados, com a devida vénia, de "Citador")

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Onildo Almeida

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A Feira de Caruaru - Onildo Almeida :

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A Feira de Caruaru,
Faz gosto a gente vê.
De tudo que há no mundo,
Nela tem pra vendê,
Na feira de Caruaru.

Tem massa de mandioca,
Batata assada, tem ovo cru,
Banana, laranja, manga,
Batata, doce, queijo e caju,
Cenoura, jabuticaba,
Guiné, galinha, pato e peru,
Tem bode, carneiro, porco,
Se duvidá... inté cururu.

Tem cesto, balaio, corda,
Tamanco, gréia, tem cuêi-tatu,
Tem fumo, tem tabaqueiro,
Feito de chifre de boi zebu,
Caneco acuvitêro,
Penêra boa e mé de uruçú,
Tem carça de arvorada,
Que é pra matuto não andá nú.


Tem rêde, tem balieira,
Mode menino caçá nambu,
Maxixe, cebola verde,
Tomate, cuento, couve e chuchu,
Armoço feito nas torda,
Pirão mixido que nem angu,
Mubia de tamburête,
Feita do tronco do mulungú.

Tem loiça, tem ferro véio,
Sorvete de raspa que faz jáú,
Gelada, cardo de cana,
Fruta de paima e mandacaru.
Bunecos de Vitalino,
Que são cunhecidos inté no Sul,
De tudo que há no mundo,
Tem na Feira de Caruaru.
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(retirado, com a devida vénia, de "Vaga lume")

domingo, 1 de setembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Robert Southey

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Robert Southey :

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A CATARATA DE LODORE :
1.. - De que modo desce
A água de Lodore?
Perguntou-me, certa vez, meu filhinho
Querendo que lhe mostrasse tudo
E o fizesse em forma de versos rimados
Logo logo, ouvindo isso
Primeiro surgiu a irmã
Depois, outra, para repetir e reforçar
O pedido do irmãozinho:
Saber de que modo a água
De Lodore despencava
Com seu ímpeto e seu rugido,
Tal como tantas vezes a viram antes.
Dessa maneira, lhes narrei em rimas
Pois de rimas entendo do riscado.
Isso com talento dominava
Para seu regozijo a mim
Cabia cantar-lhes
Já que para elas Laureado era
Tanto quanto era rei.
2. Desde suas origens
Que bem vinham dar no lagozinho montanhoso;
De suas nascentes
Nas montanhas,
De seus canais e córregos,
Através de musgos e matagais
Correm suas águas , que se arrastam
Por um momento até adormecerem
No próprio lagozinho.
Daí pra frente, dando partida
Passam elas pelos juncos
E, na distância, se perdem
Pelos prados e clareiras
Sob sol, sob sombras,
Sob o abrigo das florestas,
No meio dos despenhadeiros em sua agitação,
Confusamente,
Precipitadamente.
Neste ponto vêm cintilando,
Mais adiante, jazem se escondendo;
Agora esfumaçando, espumando
Tumultudas, raivosas
Até que, nesta célere corrida,
Formando uma curva,
Alcançam o lugar
Na sua íngreme queda.
3. A portentosa queda’água
Lança-se das alturas,
Batendo, se enfurecendo,
Como se combatendo em guerra estivesse
Entre cavernas e rochas,
Erguendo-se, saltando,
Afundando-se, se arrastando,
Inchando, varrendo,
Inundando, pulando,
Voando, se arremetendo,
Contorcendo-se, retinindo,
Redemoinhando, espanando,
Esguichando, cabriolando,
Volteando, torcendo
Incessantemente,
Com um reboar sem fim;
Golpeando, lutando,
Numa visão bela nunca antes vista;
Desconcertante, ensurdecedora.
4.. Reunindo, projetando,
Retardando, se apressando,
Chocando-se, sacudindo,
Dardejando, dividin do,
Enfileirando, espalhando,
Zunindo, sibilando,
Gotejando, saltando,
Batendo, rachando,
Brilhando, juntando,
Ribombando, pelejando,
Sacudindo, estremecendo,
Ondulando, enfurecendo,
Agitando-se, cruzando,
Fluindo, se removendo,
Correndo, assustando,
Espumando, vagando,
Atroando, enovelando,
Caindo, saltando,
Esforçando-se, arrancando,
Borbulhando, grunhindo.
5,. Reluzindo, se fragmentando,
Reunindo, flutuando,
Alvejando, brilhando,
Agitando-se, se despedaçando,
Apressando-se, levemente correndo
Trovejando, se esponjando,

6. Reluzindo, se fragmentando, flutuando,
Caindo, brigando, se expandindo,
Empuxando, rasgando, se esforçando,
Salpicando, cintilando, se encrespando,
Reboando, ricocheteando, se multiplicando,
Trovejando, troando, desabando,
Estalejando, bombardeando, se esfacelando.
7. Retorcendo, batendo, encontrando-se, se cobrindo,
Retardando, se perdendo, brincando,
Avançando, empinando, reluzindo, dançando,
Rechaçando, tumultuando, mourejando, fervendo
Vislumbrando, fluindo, evaporando, irradiando,
Precipitando-se, borbotando, esbarrando, esguichando,
Agitando, golpeando, estrondando, esbofeteando,
Espiralando, rodopiando, remoinhando, girando,
Golpeando surdamente, baqueando, colidindo,pulando,
Salpicando, flamejando, esparramando, estrepitando,
Incessantemente, sempre, porém, em queda,
Para todo sempre misturando-se sons e movimentos,
Num só jato, num todo indiviso,
Assim saltam as águas de Ladore.
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(retirado, com a devida vénia, de "Letra Viva")