quarta-feira, 15 de maio de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Olegário Victor Andrade

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Consejo Maternal - Olegário Victor Andrade :

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 Ven para acà, me dijo dulcemente
mi madre cierto dìa;
(aùn parece que escucho en el ambiente
de su voz la celeste melodìa).
Ven y dime,. què causas tan extrañas
te arrancan esa làgrima, hijo mìo,
que cuelga de tus trèmulas pestañas
como gota cuajada de rocìo.
Tù tienes una pena y me la ocultas:
¿no sabes que la madre màs sencilla
sabe leer en el alma de sus hijos
como tù en la cartilla?
¿Quieres que te adivine lo que tienes?
ven para acà, pilluelo,
que con un par de besos en la frente
disiparè las nubes de tu cielo.
Yo prorrumpì a llorar. Nada, le dije-.
la causa de mis làgrimas ignoro;
pero de bez en cuando se me oprime
el corazòn, y lloro!...
Ella inclinò la frente pensativa,
se turbò su pupila
y enjuadando sus ojos y los mìos
me dijo màs tranquila;
-Llama siempre a tu madre cuando sufras
que vendrà muerta o viva;
si està en el mundo, a compartir tus penas
y si no, a consolarte desde arriba!...
Y lo hago asì, cuando la suerte ruda
como hoy perturba de mi hogar la calma;
invoco al nombre de la madre amada
y entonces siento que se ensancha el alma!


segunda-feira, 13 de maio de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Pedro Homem de Mello

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" PRECE "  -  Pedro Homem de Mello  :

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Talvez que eu morra na praia
cercada e perfido no banho
por toda a espuma da praia
como um pastor que desmaia
no meio do seu rebanho.

Talvez que eu morra na rua
e dê por mim derrepente
em noite fria e sem luar
e mando as pedras da rua
pisadas por toda a gente.

Talvez que eu morra entre grades
no meio de uma prisão
porque o mundo além das grades
venha esquecer as saudades
que roiem meu coração.

Talvez que eu morra de noite
onde a morte é natural
as mãos em cruz sobre o peito
das mãos de Deus tudo aceito
mas que eu morra em Portugal.

domingo, 12 de maio de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Gregory Corso

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Como não morrer - Gregory Corso :
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Como não morrer :
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Quando estou entre pessoas
e sinto que vou morrer
me desculpo
dizendo “Preciso ir!”
“Ir aonde?” querem saber
Eu não respondo
apenas caio fora
para longe deles
porque de alguma maneira
sentem que há algo errado
e nunca sabem o que fazer
e lhes assusta essa coisa repentina
Como é maçante
sentar
com as pessoas perguntando:
“Você está bem?”
“Precisa de algo?”
“Quer deitar?”
Vós deuses! gente!
quem quer morrer no meio de gente?!
Especialmente quando não podem fazer porra nenhuma
Para o cinema – para o cinema
é para onde corro
quando sinto que vou morrer
Até agora funcionou

sábado, 11 de maio de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Aluísio de Azevedo

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 Aluísio de Azevedo :
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Pobre Amor :


Calcula, minha amiga, que tortura!

Amo-te muito e muito, e, todavia,
Preferira morrer a ver-te um dia
Merecer o labéu de esposa impura!

Que te não enterneça esta loucura,

Que te não mova nunca esta agonia,
Que eu muito sofra porque és casta e pura,
Que, se o não foras, quanto eu sofreria!

Ah! Quanto eu sofreria se alegrasses

Com teus beijos de amor, meus lábios tristes,
Com teus beijos de amor, as minhas faces!

Persiste na moral em que persistes.

Ah! Quanto eu sofreria se pecasses,
Mas quanto sofro mais porque resistes!


sexta-feira, 10 de maio de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Lawrence Durrell

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Lawrence Durrell :
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A Cidade :
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Dizes: vou partir
Para outras terras, para outros mares
Para uma cidade tão bela
Como esta nunca foi nem pode ser
Esta cidade onde a cada passo se aperta
O nó corredio: coração sepultado na tumba de um corpo,
Coração inútil, gasto, quanto tempo ainda
Será preciso ficar confinado entre as paredes
Das ruelas de um espírito banal?
Para onde quer que olhe
Só vejo as sombras ruínas da minha vida.
Tantos anos vividos, desperdiçados
Tantos anos perdidos.
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Não existe outra terra, meu amigo, nem outro mar,
Porque a cidade irá atrás de ti; as mesmas ruas
Cruzam sem fim as mesmas ruas; os mesmos
Subúrbios do espírito passam da juventude à velhice,
E tu perderás os teus dentes e os teus cabelos
Dentro da mesma casa. A cidade é uma armadilha.
Só este porto te espera,
E nenhum navio te levará onde não podes.
Ah! então não vês que te desgraçaste neste lugar miserável
E que a tua vida já não vale nada,
Nem que vás procurá-la nos confins da terra?


quinta-feira, 9 de maio de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Castro Alves


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As duas Flores - Castro Alves :

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São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo,no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.