domingo, 15 de dezembro de 2013

Um Pensamento por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Oliver Wendell Holmes

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Oliver Wendell Holmes :
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Se uma nova ideia expande a mente de uma pessoa, ela jamais volta às suas dimensões originais.
A sabedoria é uma abstração do passado, mas o passado é a promessa do futuro.
Muitas vezes um pensamento continua a ser original, mesmo depois de ter sido proferido uma centena de vezes. 
Precisamos de mais educação no que é óbvio do que se investigarmos o que é obscuro.
Muitas ideias crescem melhor se plantadas noutro cérebro do que no cérebro que lhes deu origem.
Nós não paramos de brincar porque envelhecemos, 
mas envelhecemos porque paramos de brincar.
(retirado, com a devida citação, de "Bilibio")

sábado, 14 de dezembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Emílio de Menezes

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Emílio de Menezes :

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NOITE DE INSÓNIA :

Este leito que é o meu, que é o teu, que é o nosso leito,
Onde este grande amor floriu, sincero e justo,
E unimos, ambos nós, o peito contra o peito.
Ambos cheios de anelo e ambos cheios de susto;

Este leito que aí está revolto assim, desfeito,
Onde humilde beijei teus pés, as mãos, o busto.
Na ausência do teu corpo a que ele estava afeito.
Mudou-se, para mim, num leito de Procusto!...

Louco e só! Desvairado! A noite vai sem termo
E, estendendo, lá fora, as sombras augurais.
Envolve a Natureza e penetra o meu ermo.

E mal julgas talvez, quando, acaso, te vais,
Quanto me punge e corta o coração enfermo,
Este horrível temor de que não voltes mais!...
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(retirado, com a devida citação, de "Antonio Miranda")

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Carl Sandburg

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Carl Sandburg :

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 Dunas :


Que vemos aqui, entre as dunas de areia batidas
de luar, sozinhos com os nossos pensamentos, Bill,
sozinhos com os nossos sonhos, Bill, tão leves como
os véus que adejam sobre a cabeça das mulheres
que dançam,
sozinhos com urna imagem, uma imagem a seguir
a outra, de todos os mortos,
os mortos mais numerosos que os grãos de areia
amontoados um a um aqui, sob o luar,
amontoados no horizonte e com a forma que as mãos
do vento lhes querem dar,
que vemos aqui, Bill, além daquilo que desespera
os sábios,
além daquilo que faz chorar os poetas, que faz com
que os soldados se lancem para a frente e percam
a vida à luz do sol: que será, Bill?

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(retirado, com a devida citação, de "Janela de Poemas")

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Jorge de Sena

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Jorge de Sena :

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UMA PEQUENINA LUZ :

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Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumiére
just a little light
una piccola…em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
entre o bafo quente da multidão
a ventania dos cerros e a brisa dos mares
e o sopro azedo dos que a não vêem
só a advinham e raivosamente assopram.
Uma pequena luz
que vacila exacta
que bruxuleia firme
que não ilumina apenas brilha.
Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
Muda como a exactidão como a firmeza
como a justiça
Brilhando indefectível.
Silenciosa não crepita
não consome não custa dinheiro.
Não aquece também os que de frio se juntam.
Não ilumina também os rostos que se curvam.
Apenas brilha bruxuleia ondeia
Indefectível próxima dourada.
Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.
Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não:
brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
Como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui
No meio de nós.
Brilha.
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(retirado, com a devida citação, de "Luso Poemas")

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - John Betjeman

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Sir John Betjeman :
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              Diary of a Church Mouse :


Here among long-discarded cassocks,
Damp stools, and half-split open hassocks,
Here where the Vicar never looks
I nibble through old service books.
Lean and alone I spend my days
Behind this Church of England baize.
I share my dark forgotten room
With two oil-lamps and half a broom.
The cleaner never bothers me,
So here I eat my frugal tea.
My bread is sawdust mixed with straw;
My jam is polish for the floor.
Christmas and Easter may be feasts
For congregations and for priests,
And so may Whitsun. All the same,
They do not fill my meagre frame.
For me the only feast at all
Is Autumn's Harvest Festival,
When I can satisfy my want
With ears of corn around the font.
I climb the eagle's brazen head
To burrow through a loaf of bread.
I scramble up the pulpit stair
And gnaw the marrows hanging there.
It is enjoyable to taste
These items ere they go to waste,
But how annoying when one finds
That other mice with pagan minds
Come into church my food to share
Who have no proper business there.
Two field mice who have no desire
To be baptized, invade the choir.
A large and most unfriendly rat
Comes in to see what we are at.
He says he thinks there is no God
And yet he comes...it's rather odd.
This year he stole a sheaf of wheat
(It screened our special preacher's seat),
And prosperous mice from fields away
Come in to hear the organ play,
And under cover of its notes
Ate through the altar's sheaf of oats.
A Low Church mouse, who thinks that I
Am too papistical, and High,
Yet somehow doesn't think it wrong
To munch through Harvest Evensong,
While I, who starve the whole year through,
Must share my food with rodents who
Except at this time of the year
Not once inside the church appear.
Within the human world I know
Such goings-on could not be so,
For human beings only do
What their religion tells them to.
They read the Bible every day
And always, night and morning, pray,
And just like me, the good church mouse,
Worship each week in God's own house,
But all the same it's strange to me
How very full the church can be
With people I don't see at all
Except at Harvest Festival. 

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(retirado, com a devida vénia, de "BBC")

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - E. E. Cummings

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E. E. Cummings :

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Carrego seu coração comigo
Eu o carrego no meu coração
Nunca estou sem ele
Onde eu for, você vai, minha querida
Não temo o destino
Você é meu destino, meu doce
Não quero o mundo pois, beleza
Você é meu mundo, minha verdade
Eis o segredo que ninguém sabe
Aqui está a raiz da raiz
O broto do broto
E o céu do céu
De uma árvore chamada vida
Que cresce mais do que a alma pode esperar
Ou a mente pode esconder
E esse é o prodígio
Que mantem as estrelas a distancia
Carrego seu coração comigo
Eu o carrego no meu coração.
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(retirado, com a devida vénia, de "Pensador")

domingo, 8 de dezembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Guimarães Rosa

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JOÃO GUIMARÃES ROSA :
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GARGALHADA :

Quando me disseste que não mais me amavas,
e que ias partir,
dura, precisa, bela e inabalável,
com a impassibilidade de um executor,
dilatou-se em mim o pavor das cavernas vazias...
Mas olhei-te bem nos olhos,
belos como o veludo das lagartas verdes,
e porque já houvesse lágrimas nos meus olhos,
tive pena de ti, de mim, de todos,
e me ri
da inutilidade das torturas predestinadas,
guardadas para nós, desde a treva das épocas,
quando a inexperiência dos Deuses
ainda não criara o mundo...
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(retirado, com a devida vénia, de "Antonio Miranda")