Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto A Via Láctea, como um pálio aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e entender estrelas
O Mundo Está Prestes a RebentarNão olhes. O mundo está prestes a rebentar.
Não olhes. O mundo está prestes a despejar a sua luz E a lançar-nos no abismo das suas trevas, Aquele lugar negro, gordo e sem ar Onde nós iremos matar ou morrer ou dançar ou chorar Ou gritar ou gemer ou chiar que nem ratos A ver se conseguimos de novo um posto de partida.
Nunca tinha caído de tamanha altura em mim antes de ter subido às alturas do teu sorriso.
Regressava do teu sorriso como de uma súbita ausência ou como se tivesse lá ficado e outro é que tivesse regressado.
Fora do teu sorriso a minha vida parecia a vida de outra pessoa que fora de mim a vivia. E a que eu regressava lentamente como se antes do teu sorriso alguém (eu provavelmente) nunca tivesse existido Nunca tinha caído de tamanha altura em mim antes de ter subido às alturas do teu sorriso.
Regressava do teu sorriso como de uma súbita ausência ou como se tivesse lá ficado e outro é que tivesse regressado.
Fora do teu sorriso a minha vida parecia a vida de outra pessoa que fora de mim a vivia. E a que eu regressava lentamente como se antes do teu sorriso alguém (eu provavelmente) nunca tivesse existido
Põe sempre os nomes aos bois Nas histórias que
contares. Ou logo os burros depois Se queixam de os retratares: Mas são
as minhas orelhas! Este azurrar é o meu! Se estas são minhas
guedelhas! Ai este burro sou eu! Não me nomeie ele embora, Toda a
Pátria vai agora Saber-me por burro, hin-hã! Ai que eu, hin-hã,
hin-hã! - Quiseste a um burro poupar... Logo doze hão-de zurrar.
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A Coisa Mais Linda Que Existe - Torquato Neto :
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Coisa mais linda nesse mundo É sair por um segundo E te encontrar por aí E ficar sem compromisso Pra fazer festa ou comício Com você perto de mim
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Na cidade em que me perco Na praça em que me resolvo Na noite da noite escura É lindo ter junto ao corpo Ternura de um corpo manso Na noite da noite escura
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A coisa mais linda que existe É ter você perto de mim
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O apartamento, o jornal O pensamento, a navalha A sorte que o vento espalha Essa alegria, o perigo Eu quero tudo contigo Com você perto de mim
Guarde seus medos para você mesmo, mas partilhe sua inspiração com todos.
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O homem de sucesso é o que viveu bem, riu muitas vezes e amou bastante; que conquistou o respeito dos homens inteligentes e o amor das crianças; que galgou uma posição respeitada e cumpriu suas tarefas; que deixou este mundo melhor do que encontrou, ao contribuir com uma flor mais bonita, um poema perfeito ou uma alma resgatada; que jamais deixou de apreciar a beleza do mundo ou falhou em expressá-la; que buscou o melhor nos outros e deu o melhor de si.
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A felicidade não é ausência de problemas, mas a capacidade de lidar com eles. Não há dever que tanto descuidemos como o de sermos felizes.
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As mais cruéis mentiras são, às vezes, ditas em silêncio.
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A política talvez seja a única profissão para a qual não se julga necessária uma preparação.
Morri pela BelezaMorri pela Beleza - mas mal me tinha Acomodado à Campa Quando Alguém que morreu pela Verdade, Da Casa do lado -
Perguntou baixinho "Por que morreste?" "Pela Beleza", respondi - "E eu - pela Verdade - Ambas são iguais - E nós também, somos Irmãos", disse Ele -
E assim, como parentes próximos, uma Noite - Falámos de uma Casa para outra - Até que o Musgo nos chegou aos lábios - E cobriu - os nossos nomes - . Tradução de Nuno Júdice
Somente no moral se vê minha elegância. Enfeitar-me não sei; nem dou para casquilho, Julgo estar muito bem, não sendo peralvilho. _O que eu não faço nunca é, franco e por incúria, Sair sem lavar bem a recebida injúria Trazer o pundonor ébrio de sono e vinho, Ter os brios de luto e a honra em desalinho! Ando, sem nada ter que pela cor agrade, Emplumado de orgulho e garbo e liberdade; Se não prendo a cintura esbelta num corpete A vergonha ajustou minh’alma num colete. São-me os feitos e ações as fitas que apresento; Qual bigode gentil, retorço o meu talento; Faço, por onde vou, tornando-as bem sonoras, As verdades vibrar como tlintlins de esporas!
Este sacrifício de avançar pelos feixes do irrealizado lembra um cisne, altivo a caminhar.
E a morte – esse nada mais buscar do chão diariamente repisado – lembra a sua angustia de pousar
sobre as águas que o recebem mansas e cedem sob ele, em suaves tranças de marolas que cercá-lo vem; enquanto ele, calmo e independente, segue sempre majestosamente como ao seu capricho lhe convém.
Pues bien, yo necesito decirte que te adoro, decirte que te
quiero con todo el corazón; que es mucho lo que sufro, que es mucho lo
que lloro, que ya no puedo tanto, y al grito que te imploro te imploro
y te hablo en nombre de mi última ilusión. De noche cuando pongo mis
sienes en la almohada, y hacia otro mundo quiero mi espíritu
volver, camino mucho, mucho y al fin de la jornada las formas de mi
madre se pierden en la nada, y tú de nuevo vuelves en mi alma a
aparecer. Comprendo que tus besos jamás han de ser míos; comprendo que
en tus ojos no me he de ver jamás; y te amo, y en mis locos y ardientes
desvaríos bendigo tus desdenes, adoro tus desvíos, y en vez de amarte
menos te quiero mucho más. A veces pienso en darte mi eterna
despedida, borrarte en mis recuerdos y huir de esta pasión; mas si es
en vano todo y mi alma no te olvida, ¡qué quieres tú que yo haga pedazo
de mi vida; qué quieres tú que yo haga con este corazón! Y luego que ya
estaba? concluido el santuario, la lámpara encendida tu velo en el
altar, el sol de la mañana detrás del campanario, chispeando las
antorchas, humeando el incensario, y abierta allá a lo lejos la puerta
del hogar... Yo quiero que tú sepas que ya hace muchos días estoy
enfermo y pálido de tanto no dormir; que ya se han muerto todas las
esperanzas mías; que están mis noches negras, tan negras y sombrías que
ya no sé ni dónde se alzaba el porvenir. ¡Que hermoso hubiera
sido vivir bajo aquel techo. los dos unidos siempre y amándonos los
dos; tú siempre enamorada, yo siempre satisfecho, los dos, un alma
sola, los dos, un solo pecho, y en medio de nosotros mi madre como un
Díos! ¡Figúrate qué hermosas las horas de la vida! ¡Qué dulce y bello
el viaje por una tierra así! Y yo soñaba en eso, mi santa
prometida, y al delirar en eso con alma estremecida, pensaba yo en ser
bueno por ti, no más por ti. Bien sabe Díos que ése era mi más hermoso
sueño, mi afán y mi esperanza, mi dicha y mi placer; ¡bien sabe Díos
que en nada cifraba yo mi empeño, sino en amarte mucho en el hogar
risueño que me envolvió en sus besos cuando me vio nacer! Esa era mi
esperanza... mas ya que a sus fulgores se opone el hondo abismo que
existe entre los dos, ¡adiós por la última vez, amor de mis amores; la
luz de mis tinieblas, la esencia de mis flores, mi mira de poeta, mi
juventud, adiós!
Tigre, tigre que flamejas Nas florestas da noite. Que mão que olho imortal Se atreveu a plasmar tua terrível simetria ?
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Em que longínquo abismo, em que remotos céus Ardeu o fogo de teus olhos ? Sobre que asas se atreveu a ascender ? Que mão teve a ousadia de capturá-lo ? Que espada, que astúcia foi capaz de urdir As fibras do teu coração ?
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E quando teu coração começou a bater, Que mão, que espantosos pés Puderam arrancar-te da profunda caverna, Para trazer-te aqui ? Que martelo te forjou ? Que cadeia ? Que bigorna te bateu ? Que poderosa mordaça Pôde conter teus pavorosos terrores ?
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Quando os astros lançaram os seus dardos, E regaram de lágrimas os céus, Sorriu Ele ao ver sua criação ? Quem deu vida ao cordeiro também te criou ?~
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Tigre, tigre, que flamejas Nas florestas da noite. Que mão, que olho imortal Se atreveu a plasmar tua terrível simetria ?
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Tradução de Ângelo Monteiro
cuja túnica recamada de cordeiros
desce até ao mar
Cujo véu pregueado
de queda em queda ilumina toda a montanha.
Ela brilha ao sol como um lustro de água iridiscente
E os pequenos oleiros da noite serviram-se das suas
unhas onde a lua não se reflecte
para moldar o serviço de café da beladona.
O tempo enrodilha-se miraculosamente detrás dos seus
sapatos de estrelas de neve
ao longo dum rasto perdido nas carícias
de dois arminhos.
Os perigos anteriores foram ricamente repartidos
e mal extintos os carvões no abrunheiro bravo das sebes
pela serpente coral que sem custo passa
por um delgado
filete de sangue seco
na lareira profunda
sempre sempre esplendidamente negra
Esta lareira onde aprendi a ver
e sobre a qual dança sem cessar
o crepe das costas das primaveras
Aquele que é necessário lançar muito alto para dourar
a mulher em cujos cabelos encontro
o sabor que perdera
O crepe mágico o sinete voador
do amor que é nosso.
Excita-me a tua presença, ó Árvore - ó Árvores todas! Desejo-te (desejo-vos) como se fosses Carne, e eu Desejo. Como se eu fosse o vento que preside às tuas bodas, e te cicia em redor, e te fecunda num aliciante beijo.
Ponho os olhos em ti e entretenho-me a pensar que sou mãos, todo mãos que te envolvem o tronco e te sacodem convulsivamente. Requebras-te com volúpia, e os teus emaranhados cabelos louçãos fustigam o ar como látegos, com toda a força que este amor me consente.
Ó árvore minha débil! Ó prazer dos meus olhos extáticos! Ó filtro da luz do Sol! Ó refresco dos sedentos! Destila nos meus lábios as gotas dos teus ésteres aromáticos, unge a minha epiderme com teus macios unguentos.
Desnuda-me a tua intimidade, ó Árvore! Diz-me a que segredos recorres para te desenrolares em flores e em frutos num cíclico desvario. Porque é que tudo morre à tua volta e tu não morres, e aceitas sempre o Amor com renovado cio.
Inicia-me nos teus mistérios, ó feiticeira dos cabelos verdes! Ensina-me a transformar um raio de Sol em suculenta carnadura, e nesses perfumes subtis que a toda a hora perdes, prolongando o teu ser no ar que te emoldura.
É através de ti, ó Árvore, que celebro os esponsais entre mim e a Natureza. É através de ti que bebo a nuvem fresca e mordo a terra ardente. É de ti que recebo as leis do Amor e da Beleza. Amo-te, ó Árvore, apaixonadamente!
Ah blame me not, Catcott, if from the right way
My notions and actions run far.
How can my ideas do other but stray,
Deprived of their ruling North-Star?
A blame me not, Broderip, if mounted aloft,
I chatter and spoil the dull air;
How can I imagine thy foppery soft,
When discord's the voice of my fair?
If Turner remitted my bluster and rhymes,
If Hardind was girlish and cold,
If never an ogle was got from Miss Grimes,
If Flavia was blasted and old;
I chose without liking, and left without pain,
Nor welcomed the frown with a sigh;
I scorned, like a monkey, to dangle my chain,
And paint them new charms with a lie.
Once Cotton was handsome; I flam'd and I burn'd,
I died to obtain the bright queen;
But when I beheld my epistle return'd,
By Jesu it alter'd the scene.
She's damnable ugly, my Vanity cried,
You lie, says my Conscience, you lie;
Resolving to follow the dictates of Pride,
I'd view her a hag to my eye.
But should she regain her bright lustre again,
And shine in her natural charms,
'Tis but to accept of the works of my pen,
And permit me to use my own arms.
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A Instabilidade das Cousas no Mundo - Gregório de Matos :
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Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, Depois da luz se segue a noite escura, Em tristes sombras morre a formosura, Em contínuas tristezas a alegria.
Porém se acaba o Sol, por que nascia? Se formosa a luz é, por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol e na luz, falta a firmeza, Na formosura não se crê constância, E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância, E tem qualquer dos bens por natureza A firmeza somente na inconstância.
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
Mãe ! Obrigada por você existir no meu coração e naquela estrelinha a me sorrir. .
(...) mãe, tão forte como o mar bravio; delicada e frágil como uma
borboleta; é amor incondicional; falar dos encantos teus, Mãe, feminino
de Deus ! é tão bom poder falar, não há nada pra comparar, mas, em
cada dia meu, lembro um conselho, um exemplo teu; tuas mãos
me abençoavam quando com elas inocentemente brincava, e, o teu olhar
quando brava, encondidinha eu lia que me amavas; mãe ! tomada de
emoção, de coração pra coração; mãe é mais que mãe, é exemplo, amor e
lição; Mãe ! me pega no colo ! eu te amo e como te amo. Mãe ! Mãe ! Mãe
!
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O valioso tempo dos maduros - Mario de Andrade :
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Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro. Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço. Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral. ‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa… Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, O essencial faz a vida valer a pena. E para mim, basta o essencial!
Nos toscos degraus da porta Da igreja rústica e antiga, Velha, trémula era
a mendiga, Que implorava compaixão. Quase um século contado De
atribulada existência, Ei-la, enferma e na indigência, Que à piedade
estende a mão.
Duas crianças brincavam Á distãncia, na alameda; Uma
trajava de seda, Da outra humilde era o trajar. Uma era rica, outra
pobre; Ambas louras e formosas; Nas faces a cor das rosas, Nos olhos o
azul do ar.
A rica ao deixar os jogos, Vencida pelo cansaço, Viu a
mendiga, e ao regaço Uma esmola lhe lançou; Ela recebeu-a, e a
criança Que a socorre compassiva Em prece fervente e viva Aos anjos a
encomendou.
Dum ligeiro sentimento De vaidade possuída, À criança
mal vestida Disse a do rico trajar: -O prazer de dar esmolas -A ti e
aos teus não é dado -Pobre como és,c oitado! -Aos pobres o que hás-de
dar?
Então a criança pobre, Sem mais sombra de desgosto, Tendo o
sorriso no rosto, Da igreja se aproximou; E depois, serena, em
silêncio, Ao chegar junto da velha, Descobrindo-se , ajoelha E a magra
mão lhe beijou.
A mendiga alvoroçada, Ao colo os braços lhe
lança, E beija a pobre criança, Chorando de comoção. É assim que a
caridade Do pobre ao pobre consola, Nem só da mão sai a esmola, Sai
também do coração.
A má reputação . Nesta aldeia sem pretensão Eu tenho má reputação. Maltrapilho ou engravatado acham que sou mal comportado. Porém eu não faço nem mal nem bem nesta minha vida de zé-ninguém Mas que vida mais triste tenho querendo viver fora do rebanho. Sou insultado por toda a gente, menos p'los mudos - é evidente.
Quando há festa nacional fico na cama, isso é fatal. Porque a música militar nunca me fará levantar Porém não me sinto nada culpado por não gostar de me ver fardado. Mas os outros não gostam que eu siga um caminho sem ser o seu. De dedo em riste todos me acusam salvo os manetas - porque o não usam.
Quando vejo um ladrão sem sorte fugir dum chui que é bem mais forte, meto o pé e com uma rasteira lá vai o chui pela ribanceira. Nenhum mal eu faço a quem bem come deixando escapar um ladrão com fome. Mas na Guarda Nacional, não acham isto natural. Todos correm atrás de mim menos os-coxos - seria o fim.
Nunca na vida fui profeta mas sei o fim que se projecta. Vão-me atar a corda ao pescoço P'ra me lançarem a um poço. Porque me fecham nesta redoma? por o meu caminho não ir dar a Roma. Mas que vida mais triste tenho só por viver fora do rebanho. Todos verão o meu funeral menos os cegos - é natural. pretensão Eu tenho
má reputação. Maltrapilho ou engravatado acham que sou mal
comportado. Porém eu não faço nem mal nem bem nesta minha vida de
zé-ninguém Mas que vida mais triste tenho querendo viver fora do
rebanho. Sou insultado por toda a gente, menos p'los mudos - é
evidente.
Quando há festa nacional fico na cama, isso é
fatal. Porque a música militar nunca me fará levantar Porém não me
sinto nada culpado por não gostar de me ver fardado. Mas os outros não
gostam que eu siga um caminho sem ser o seu. De dedo em riste todos me
acusam salvo os manetas - porque o não usam.
Quando vejo um ladrão sem
sorte fugir dum chui que é bem mais forte, meto o pé e com uma
rasteira lá vai o chui pela ribanceira. Nenhum mal eu faço a quem bem
come deixando escapar um ladrão com fome. Mas na Guarda Nacional, não
acham isto natural. Todos correm atrás de mim menos os-coxos - seria o
fim.
Nunca na vida fui profeta mas sei o fim que se
projecta. Vão-me atar a corda ao pescoço P'ra me lançarem a um
poço. Porque me fecham nesta redoma? por o meu caminho não ir dar a
Roma. Mas que vida mais triste tenho só por viver fora do
rebanho. Todos verão o meu funeral menos os cegos - é natural. Eu tenho má reputação. Maltrapilho ou engravatado acham que
sou mal comportado. Porém eu não faço nem mal nem bem nesta minha vida de
zé-ninguém Mas que vida mais triste tenho querendo viver fora do Sou insultado por toda a gente, menos p'los mudos - é
evidente.
Quando há festa nacional fico na cama, isso é
fatal. Porque a música militar nunca me fará levantar Porém não me
sinto nada culpado por não gostar de me ver fardado. Mas os outros não
gostam que eu siga um caminho sem ser o seu. De dedo em riste todos me
acusam salvo os manetas - porque o não usam.
Quando vejo um ladrão sem
sorte fugir dum chui que é bem mais forte, meto o pé e com uma
rasteira lá vai o chui pela ribanceira. Nenhum mal eu faço a quem bem
come deixando escapar um ladrão com fome. Mas na Guarda Nacional, não
acham isto natural. Todos correm atrás de mim menos os-coxos - seria o
fim.
Nunca na vida fui profeta mas sei o fim que se
projecta. Vão-me atar a corda ao pescoço P'ra me lançarem a um
poço. Porque me fecham nesta redoma? por o meu caminho não ir dar a
Roma. Mas que vida mais triste tenho só por viver fora do
rebanho. Todos verão o meu funeral menos os cegos - é natural.
Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até à morte;
Deu força para a vida aos mais humildes
E ao querubim que se ergue diante de Deus!
. Vês! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera. Somente
a Ingratidão - esta pantera - Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te
espera! O Homem, que, nesta terra miserável, Mora, entre feras, sente
inevitável Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu
cigarro! O beijo, amigo, é a véspera do escarro, A mão que afaga é a mesma
que apedreja. Se a alguém causa inda pena a tua
chaga, Apedreja essa mão vil que te afaga, Escarra nessa boca que te
beija!
Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão, puxaste-me para os teus olhos transparentes como o fundo do mar para os afogados. Depois, na rua, ainda apanhámos o crepúsculo. As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar diferente inundava a cidade. Sentei-me nos degraus do cais, em silêncio. Lembro-me do som dos teus passos, uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas, e a tua figura luminosa atravessando a praça até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é, o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali, continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha essa doente sensação que me deixaste como amada recordação.