. Esta de áureos relevos, trabalhada De divas mãos, brilhante copa, um
dia, Já de aos deuses servir como cansada Vinda do Olimpo, a um novo deus
servia.
. Era o poeta de Teos que a suspendia Então, e, ora repleta ora
esvasada, A taça amiga aos dedos seus tinia, Toda de roxas pétalas
colmada.
. Depois... Mas o lavor da taça admira, Toca-a, e do ouvido
aproximando-a, às bordas Finas hás-de lhe ouvir, canora e doce,
. Ignota
voz, qual se da antiga lira Fosse a encantada música das cordas, Qual se
essa voz de Anacreonte fosse.
.
She was a Phantom of delight - William Wordsworth :
.
.
Ela era um Espírito da alegria Quando a vi no primeiro dia; Bela Aparição brilhante Enviada ao encanto do instante; Seus olhos, como o Crepúsculo sereno; Como o Crepúsculo, seu cabelo moreno; E tudo mais que a envolvia À Aurora e à Primavera pertencia; Forma dançante, imagem a alegrar? A surpreender, assolar e assombrar.
Olhei-a de perto, lá estava ela, Um Espírito, mas também uma Donzela! Seu movimento leve, solto e frugal, E passos da liberdade virginal; No semblante se encontraram as nuanças Das doces promessas e doces lembranças; Criatura nem brilhante ou boa demais Para os afazeres cotidianos e normais, Ou a sofrer passageiro e simples desejos, Louvor, culpa, amor, lágrimas, sorrisos e beijos.
Com os olhos tranquilos posso contemplar Desta máquina o verdadeiro pulsar; Um ser que, pensativo, respira forte; Um Viajante, em meio à vida e à morte; A razão firme, a vontade temperada, Uma perfeita Mulher soberbamente forjada; Paciência, visão, habilidade e poder, Para alertar, confortar e reger; E ainda um Espírito com fulgor magistral, Com algo da luz angelical.
. Estatua falsa ( Garra dos Sentidos ) - Mário de Sá-Carneiro : .
.
Só de ouro falso os meus olhos se douram;
Sou esfinge sem misterio no
poente.
A tristeza das coisas que não foram
Na minha'alma desceu
veladamente.
Na minha dôr quebram-se espadas de ansia,
Gomos de luz em
treva se misturam.
As sombras que eu dimano não perduram,
Como Ontem, para
mim, Hoje é distancia.
Já não estremeço em face do segredo;
Nada me aloira
já, nada me aterra:
A vida corre sobre mim em guerra,
E nem sequer um
arrepio de medo!
Sou estrela ébria que perdeu os ceus,
Sereia louca que
deixou o mar;
Sou templo prestes a ruir sem deus,
Estátua falsa ainda
erguida ao ar...
. ODE DESCONTÍNUA E REMOTA PARA FLAUTA E OBOÉ. DE ARIANA PARA DIONÍSIO - Hilda Hilst : .
.
I
É bom que seja assim, Dionisio, que não venhas.
Voz e vento apenas
Das
coisas do lá fora
E sozinha supor
Que se estivesses dentro
Essa voz importante e esse vento
Das ramagens de fora
Eu jamais ouviria. Atento
Meu ouvido escutaria
O sumo do teu canto. Que
não venhas, Dionísio.
Porque é melhor sonhar tua rudeza
E sorver
reconquista a cada noite
Pensando: amanhã sim, virá.
E o tempo de amanhã
será riqueza:
A cada noite, eu Ariana, preparando
Aroma e corpo. E o verso
a cada noite
Se fazendo de tua sábia ausência.
II
Porque tu sabes que é de poesia
Minha vida secreta. Tu sabes,
Dionísio,
Que a teu lado te amando,
Antes de ser mulher sou inteira
poeta.
E que o teu corpo existe porque o meu
Sempre existiu cantando. Meu
corpo, Dionísio,
É que move o grande corpo teu
Ainda que tu me vejas extrema e suplicante
Quando amanhece e me dizes
adeus.
III
A minha Casa é gurdiã do meu corpo
E protetora de todas minhas
ardências.
E transmuta em palavra
Paixão e veemência
E minha boca se faz fonte de prata
Ainda que eu grite à Casa que só
existo
Para sorver a água da tua boca.
A minha Casa, Dionísio, te lamenta
E manda que eu te pergunte assim de
frente:
À uma mulher que canta ensolarada
E que é sonora, múltipla,
argonauta
Por que recusas amor e permanência?
VI
Três luas, Dionísio, não te vejo.
Três luas percorro a Casa, a minha,
E
entre o pátio e a figueira
Converso e passeio com meus cães
E fingindo altivez digo à minha estrela
Essa que é inteira prata, dez mil
sóis
Sirius pressaga
Que Ariana pode estar sozinha
Sem Dionísio, sem riqueza ou fama
Porque
há dentro dela um sol maior:
Amor que se alimenta de uma chama
Movediça e lunada, mais luzente e
alta
Quando tu, Dionísio, não estás.
VIII
Se Clódia desprezou Catulo
E teve Rufus, Quintius, Gelius
Inacius e
Ravidus
Tu podes muito bem, Dionísio,
Ter mais cinco mulheres
E desprezar
Ariana
Que é centelha e âncora
E refrescar tuas noites
Com teus amores breves.
Ariana e Catulo,
luxuriantes
Pretendem eternidade, e a coisa breve
A alma dos poetas não
inflama.
Nem é justo, Dionísio, pedires ao poeta
Que seja sempre terra o que é celeste
E que terrestre não seja o que é só
terra.
IX
“Conta-se que havia na China uma mulher
belíssima que
enlouquecia de amor todos
os homens. Mas certa vez caiu nas
profundezas de um lago e assustou os peixes.”
Tenho meditado e sofrido
Irmanada com esse corpo
E seu aquático
jazigo
Pensando
Que se a mim não deram
Esplêndida beleza
Deram-me a
garganta
Esplandecida: a palavra de ouro
A canção imantada
O sumarento
gozo de cantar
Iluminada, ungida.
E te assustas do meu canto.
Tendo-me a mim
Preexistida e exata
Apenas tu, Dionísio, é que recusas
Ariana suspensa nas tuas águas.
X
Se todas as tuas noites fossem minhas
Eu te daria, Dionísio, a cada
dia
Uma pequena caixa de palavras
Coisa que me foi dada, sigilosa
E com a dádiva nas mãos tu poderias
Compor incendiado a tua canção
E
fazer de mim mesma, melodia.
Se todos os teus dias fossem meus
Eu te daria, Dionísio, a cada noite
O
meu tempo lunar, transfigurado e rubro
E agudo se faria o gozo teu.
. Ela anda na beleza, igual à noite De tempos sem nuvens e céus estrelados E
tudo isto é o melhor da escuridão e da claridade Encontre-a seus aspecto e
olhos Assim admirado por aquela luz quente No qual o céu???? Recusa Uma
sombra a mais, um raio a menos Tido meio deficiente o sem nome
graciosidade Que ondas em todos corvo madeixa Ou suavemente clareia o seu
rosto Onde idéias serenamente doce expressa Quão puro , quão caro o seu
habitando
E nessa bochecha , e acima de essa sobrancelha Tão macio ,
tão calmo , ainda eloqüente Os sorrisos que ganhamos , as matizes desse
brilho Mas falar de dias de bondade usufruídos Uma mente em paz com todos
abaixo Um coração cujo amar é inocente!
Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquantoo vento
Passava como o voô dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,
Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado enevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das cousas, vagamente...
Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que idéia gravitais?—
Mas na imensa extensão, onde se esconde
O inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais...
Abril é o mais cruel dos meses, germina
Lilases da terra morta, mistura
Memória e desejo, aviva
Agônicas raízes com a chuva da primavera.
O inverno nos agasalhava, envolvendo
A terra em neve deslembrada, nutrindo
Com secos tubérculos o que ainda restava de vida.
O verão; nos surpreendeu, caindo do Starnbergersee
Com um aguaceiro. Paramos junto aos pórticos
E ao sol caminhamos pelas aléias de Hofgarten,
Tomamos café, e por uma hora conversamos.
Big gar keine Russin, stamm' aus Litauen, echt deutsch.
Quando éramos crianças, na casa do arquiduque,
Meu primo, ele convidou-me a passear de trenó.
E eu tive medo. Disse-me ele, Maria,
Maria, agarra-te firme. E encosta abaixo deslizamos.
Nas montanhas, lá, onde livre te sentes.
Leio muito à noite, e viajo para o sul durante o inverno.
Que raízes são essas que se arraigam, que ramos se esgalham
Nessa imundície pedregosa? Filho do homem,
Não podes dizer, ou sequer estimas, porque apenas conheces
Um feixe de imagens fraturadas, batidas pelo sol,
E as árvores mortas já não mais te abrigam,
nem te consola o canto dos grilos,
E nenhum rumor de água a latejar na pedra seca. Apenas
Uma sombra medra sob esta rocha escarlate.
(Chega-te à sombra desta rocha escarlate),
E vou mostrar-te algo distinto
De tua sombra a caminhar atrás de ti quando amanhece
Ou de tua sombra vespertina ao teu encontro se elevando;
Vou revelar-te o que é o medo num punhado de pó.
Trecho de “Terra Desolada”, de T.S. Eliot.
Tradução de Ivan Junqueira.
Numa meia-noite cava, quando, exausto, eu meditava
Nuns estranhos, velhos livros de doutrinas ancestrais
E já quase adormecia, percebi que alguém batia
Num soar que mal se ouvia, leve e lento, em meus portais.
Disse a mim: "É um visitante que ora bate em meus portais´-
É só isto, e nada mais."
Ah! tão claro que eu me lembro! Era um frio e atroz dezembro
E as chamas no chão, morrendo, davam sombras fantasmais,
E eu sonhava logo o alvor e pra acabar com a minha dor
Lia em vão, lembrando o amor desta de dons angelicais
A qual chamam Leonora as legiões angelicais,
Mas que aqui não chamam mais.
E um sussurro triste e langue nas cortinas cor de sangue
Assustou-me com tremores nunca vistos tão reais,
E ao meu peito que batia eu mesmo em pé me repetia:
"É somente, em noite fria, um visitante aos meus portais
Que, tardio, pede entrada assim batendo aos meus portais.
É só isto, e nada mais.
Neste instante a minha alma fez-se forte e ganhou calma
E "Senhor" disse, ou "Senhora, perdoai se me aguardais,
Que eu já ia adormecendo quando viestes cá batendo,
Tão de leve assim fazendo, assim fazendo em meus portais
Que eu pensei que não ouvira" - e abri bem largo os meus portais: -
Treva intensa, e nada mais.
Longamente a noite olhei e estarrecido me encontrei,
E assustado, tive sonhos que ninguém sonhou iguais,
Mas total era o deserto e ser nenhum havia perto
Quando um nome, único e certo, sussurrei entre meus ais -
- "Leonora" - esta palavra - e o eco a repôs entre meus ais.
E isto é tudo, e nada mais.
Trecho de “O Corvo”, de Edgar Allan Poe.
Tradução de Alexei Bueno.
sábado, 14 de abril de 2012
. Digging - Seamus Heaney : .
.
Cavando
Entre o meu indicador e o meu polegar
Jaz a acocorada caneta: ajustada como uma arma.
Sob a minha janela, um nítido arranhado som
Quando a pá mergulha em solo pedregoso:
Meu pai, cavando. Eu olho de revés
Até que, no canteiro, suas nádegas distendidas
Se dobram baixo, avançam vinte anos distantes
Com ritmo curvando-se através de sulcos de batata
Onde ele ia cavando.
A tosca bota aninhada na alça, o cabo
De encontro ao joelho era apoiado com firmeza.
Ele enraizava caules altos, enterrava fundo a lâmina reluzente
Para, de novo, semear batatas que nós colhíamos
Adorando a sua fresca aspereza em nossas mãos.
Por Deus, o homem sabia como manejar a pá,
Tal como seu pai.
Meu avô cortava mais turfa num dia
Que qualquer outro no paúl de Toner.
Uma vez levei-lhe leite numa garrafa
Desleixadamente arrolhada em papel. Ele aprumou-se
Para o beber, e de imediato se quedou
Penetrando, elegantemente cortando, lançando torrões
Sobre o seu ombro, descendo mais e mais
Até à boa turfa. Cavando.
O cheiro frio do húmus, o chapinhar e o esborrachar
Da turfa encharcada, os súbitos cortes de uma lâmina
Através de raízes acordam na minha cabeça.
Mas eu não tenho pá com que seguir homens como eles.
Entre o meu indicador e o meu polegar
Jaz a acocorada caneta.
Eu cavarei com ela.
.Sonhei que tinha entrado no corpo de um suíno - Conde de Lautréamont : .
.
Eu sonhava que tinha entrado no corpo de um suíno, do qual não era fácil sair, e que chafurdava os pelos nos lodaçais mais imundos. Seria como recompensa, tal como desejara, já não pertencia à humanidade.
Por mim, entendi assim a interpretação do sonho e senti com isso uma alegria mais que profunda. A metamorfose nunca surgiu a meus olhos senão numa alta e magnânime ressonância de uma felicidade perfeita que há muito esperava. Tinha chegado finalmente o dia em que eu era um suíno! Experimentava os dentes nas cascas das árvores. O focinho, contemplava-o com delicia. Já não me restava a mínima parcela de divindade. Consegui elevar a alma até à excessiva altura desta inefável volúpia.
Escutai-me pois e não coreis! Inesgotáveis caricaturas do belo, que levais a sério o ridículo zurrar da vossa alma soberanamente desprezível, e que não compreendeis por que motivo o criador, num raro momento de excelente paródia (que de certo não ultrapassa as leis gerais do grotesco) cedeu um dia ao mirífico prazer de fazer habitar um planeta por seres singulares e microscópicos chamados humanos, cuja matéria se assemelha à do coral vermelho. Claro que tendes razão para corar, ossos e gordura, mas escutai-me! Eu... não vou com a vossa inteligência. Vós faríeis como se fosse expulsa do sangue ante o horror que ela vos testemunha. Esquecei-a e sede consequentes vós próprios.
Agora não havia mais constrangimentos. Eu queria matar, matava e isso até me acontecia muitas vezes e ninguém mo impedia. As leis humanas perseguiam-me, ainda, com a sua vingança mas a minha consciência não me acusava de nada.
Senhor, nada valho.
Sou a planta humilde dos quintais pequenos e das lavouras pobres.
Meu grão, perdido por acaso,
Nasce e cresce na terra descuidada.
Ponho folhas e haste, e se me ajudardes, Senhor, mesmo planta
De acaso, solitária,
dou espigas e devolvo em muitos grãos
o grão perdido inicial, salvo por milagre, que a terra fecundou.
Sou a planta primária da lavoura.
Não me pertence a hierarquia tradicional do trigo
E de mim não se faz o pão alvo universal.
O justo não me consagrou Pão de Vida, nem lugar me foi dado nos altares.
Sou apenas o alimento forte e substancial dos que
Trabalham a terra, onde não vinga o trigo nobre.
Sou de origem obscura e de ascendência pobre,
Alimento de rústicos e animais do jugo.
Quando os deuses da Hélade corriam pelos bosques,
Coroados de rosas e de espigas,
Quando os hebreus iam em longas caravanas
Buscar na terra do Egito o trigo dos faraós,
Quando Rute respigava cantando nas searas do Booz
E Jesus abençoava os trigais maduros,
Eu era apenas o bró nativo das tabas ameríndias.
Fui o angu pesado e constante do escravo na exaustão do eito.
Sou a broa grosseira e modesta do pequeno sitiante.
Sou a farinha econômica do proletário.
Sou a polenta do imigrante e a miga dos que começam a vida em terra estranha.
Alimento de porcos e do triste mu de carga.
O que me planta não levanta comércio, nem avantaja dinheiro.
Sou apenas a fartura generosa e despreocupada dos paióis.
Sou o cocho abastecido donde rumina o gado.
Sou o canto festivo dos galos na glória do dia que amanhece.
Sou o cacarejo alegre das poedeiras à volta dos seus ninhos.
Sou a pobreza vegetal agradecida a Vós, Senhor,
Que me fizestes necessário e humilde.
De um sonho escultural tenho a beleza rara,
E o meu seio, — jardim onde cultivo a dor,
Faz despertar no Poeta um vivo e intenso amor,
Com a eterna mudez do marmor' de Carrara
Sou esfinge subtil no Azul a dominar,
Da brancura do cisne e com a neve fria;
Detesto o movimento, e estremeço a harmonia;
Nunca soube o que é rir, nem sei o que é chorar.
O Poeta, se me vê nas atitudes fátuas
Que pareço copiar das mais nobres estátuas,
Consome noite e dia em estudos ingentes..
Tenho, p'ra fascinar o meu dócil amante,
Espelhos de cristal, que tornaram deslumbrante
A própria imperfeição: — os meus olhos ardentes!
Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal"
Tradução de Delfim Guimarães
Eu vinha de comprar fósforos
e uns olhos de mulher feita
olhos de menos idade que a sua
não deixavam acender-me o cigarro.
Eu era eureka para aqueles olhos.
Entre mim e ela passava gente como se não passasse
e ela não podia ficar parada
nem eu vê-la sumir-se.
Retive a sua silhueta
para não perder-me daqueles olhos que me levavam espetado
E eu tenho visto olhos !
Mas nenhuns que me vissem
nenhuns para quem eu fosse um achado existir
para quem eu lhes acertasse lá na sua ideia
olhos como agulhas de despertar
como íman de atrair-me vivo
olhos para mim!
Quando havia mais luz
a luz tornava-me quase real o seu corpo
e apagavam-se-me os seus olhos
o mistério suspenso por um cabelo
pelo hábito deste real injusto
tinha de pôr mais distância entre ela e mim
para acender outra vez aqueles olhos
que talvez não fossem como eu os vi
e ainda que o não fossem, que importa?
Vi o mistério!
Obrigado a ti mulher que não conheço.
No dejes que termine el día sin haber crecido un poco,
sin haber sido feliz,
sin haber aumentado tus sueños.
No te dejes vencer por el desaliento.
No permitas que nadie te quite el derecho a expresarte,
que es casi un deber.
No abandones las ansias de hacer de tu vida algo extraordinario.
No dejes de creer que las palabras y las poesías
sí pueden cambiar el mundo.
Pase lo que pase nuestra esencia está intacta.
Somos seres llenos de pasión.
La vida es desierto y oasis.
Nos derriba, nos lastima,
nos enseña, nos convierte en protagonistas
de nuestra propia historia.
Aunque el viento sople en contra,
la poderosa obra continúa:
Tú puedes aportar una estrofa.
No dejes nunca de soñar,
porque en sueños es libre el hombre.
No caigas en el peor de los errores:
el silencio.
La mayoría vive en un silencio espantoso.
No te resignes.
Huye.
"Emito mis alaridos por los techos de este mundo",
dice el poeta.
Valora la belleza de las cosas simples.
Se puede hacer bella poesía sobre pequeñas cosas,
pero no podemos remar en contra de nosotros mismos.
Eso transforma la vida en un infierno.
Disfruta del pánico que te provoca
tener la vida por delante.
Vívela intensamente, sin mediocridad.
Piensa que en ti está el futuro
y encara la tarea con orgullo y sin miedo.
Aprende de quienes puedan enseñarte.
Las experiencias de quienes nos precedieron
de nuestros "poetas muertos",
te ayudan a caminar por la vida.
La sociedad de hoy somos nosotros
Los "poetas vivos".
No permitas que la vida te pase a ti sin que la vivas...
.Fogueira do Meu Coração - Luis Antônio Pimentel : .
.
Na festa do meu destino
Entre fogos, fogueira e balão
Teu amor é um travesso menino
Que pula a fogueira do meu coração
Subindo pro céu da ilusão
Do bairro da felicidade
Meu amor foi um lindo balão
Que subiu e fugiu deixando saudade
Vou pedir numa oração ao meu São João
Que me dê bem direitinho meu balão
E apague a tal fogueira que há no meu coração
E apague a tal fogueira que há no meu coração
Num bosque, em pleno outono, a estrada bifurcou-se,
mas, sendo um só, só um caminho eu tomaria.
Assim, por longo tempo eu ali me detive,
e um deles observei até um longe declive
no qual, dobrando, desaparecia…
Porém tomei o outro, igualmente viável,
e tendo mesmo um atrativo especial,
pois mais ramos possuía e talvez mais capim,
embora, quanto a isso, o caminhar, no fim,
os tivesse marcado por igual.
E ambos, nessa manhã, jaziam recobertos
de folhas que nenhum pisar enegrecera.
O primeiro deixei, oh, para um outro dia!
E, intuindo que um caminho outro caminho gera,
duvidei se algum dia eu voltaria.
Isto eu hei de contar mais tarde, num suspiro,
nalgum tempo ou lugar desta jornada extensa:
a estrada divergiu naquele bosque – e eu
segui pela que mais ínvia me pareceu,
e foi o que fez toda a diferença.
A chuva, no pátio em que a olho cair, desce em andamentos muito diversos. No centro, é uma fina cortina (ou rede) descontínua, uma queda implacável mas relativamente lenta de gotas provavelmente bastante leves, uma precipitação sempiterna sem vigor, uma fração intensa do meteoro puro. A pouca distância das paredes da direita e da esquerda caem com mais ruído gotas mais pesadas, individuadas. Aqui parecem do tamanho de um grão de trigo, lá de uma ervilha, adiante quase de uma bola de gude. Sobre o rebordo, sobre o parapeito da janela a chuva corre horizontalmente ao passo que na face inferior dos mesmos obstáculos ela se suspende em balas convexas. Seguindo toda a superfície de um pequeno teto de zinco abarcado pelo olhar, ela corre em camada muito fina, ondeada por causa de correntes muito variadas devido a imperceptíveis ondulações e bossas da cobertura. Da calha contígua onde escoa com a contenção de um riacho fundo sem grande declive, cai de repente em um filete perfeitamente vertical, grosseiramente entrançado, até o solo, onde se rompe e espirra em agulhetas brilhantes.
Cada uma de suas formas tem um andamento particular; a cada uma corresponde um ruído particular. O todo vive com intensidade, como um mecanismo complicado, tão preciso quanto casual, como uma relojoaria cuja mola é o peso de uma dada massa de vapor em precipitação.
O repique no solo dos filetes verticais, o gluglu das calhas, as minúsculas batidas de gongo se multiplicam e ressoam ao mesmo tempo em um concerto sem monotonia, não sem delicadeza.
Quando a mola se distende, certas engrenagens por algum tempo continuam a funcionar, cada vez mais lentamente, depois toda a maquinaria pára. Então, se o sol reaparece, tudo logo se desfaz, o brilhante aparelho evapora: choveu.
O lamento de Zizi Estou apaixonado pela doença do riso
far-me-ia muito bem se a tivesse -
usei as esplêndidas cabaias do Sudão,
pus os magnificentes halivas de Boudodin Bros.,
beijei as Fátimas cantantes do chulo de Adém,
escrevi gloriosos salmos no café Hakhaliba,
mas nunca tive a doença do riso,
então para que sirvo eu?
O comerciante gordo oferece-me ópio,kief, haxixe, até suco de camelo,
tudo é insatisfatório -
Oh noite amarga e terrível! tu de novo! terei ainda
que tirar os meus dentes irreais
despir o meu irrisível eu
pôr a dormir esta cabeça melancólica?
Não sou nada sem a doença do riso.
O meu pai apanhou-a, o meu avô também;
certamente o Tio Fez há-de apanhá-la, mas eu, eu
a quem faria tão bem,
apanhá-la-ei alguma vez?