domingo, 31 de março de 2013

Um Pensamento por dia, nem sabe o bem que lhe faria - George Sand

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George Sand ( pseudônimo de Amandine Aurore Lucile Dupinbaronesa de Dudevant ) :

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Desprezo e Receio :
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Já notei que a maior parte dos homens se sente açulada e indignada quando, em pleno combate moral, recorremos à ternura e ao afecto. É vê-los feras amansadas e apanhadas de surpresa assim que recorremos à violência ou à dureza. Raça detestável! Tal preceito mantém-se praticamente inalterável no que respeita ao amor. 
Realidade estranha e deplorável, pois, em muitos casos, é igualmente aplicável à amizade; realidade pavorosa, desesperante, mas inevitável, necessária à subsistência das nossas sociedades, dos governos mais democráticos aos mais despóticos. Quando não é refreado nem reprimido, o homem aproveita imediatamente para cometer abusos. Despreza quem o receia e maltrata quem o ama; receia quem o despreza e ama quem o maltrata. 

sábado, 30 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Lau Siqueira

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Lau Siqueira :
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Figos maduros : (copiado, com a devida vénia, da Revista "O Caixote")



ai de mim
com essa figueira crescendo dentro
sem saber direito o momento da poda
ou da colheita

ai de mim
que não entendo de árvores que não com
preendo direito o que elas dizem o que fa
zem como agem na hora do corte e
depois
na transcendência das figueiras

nem sei se a casca
grossa no caule leitoso
com o tempo terá uma
fibra impermeável

ai de mim
que percorro a mansidão invisível
como um galo cumprindo o ofício
das manhãs

sexta-feira, 29 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - D.H. Lawrence

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Snake - D.H. Lawrence :

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Cobra: 
(Tradução de Leonardo Fróes)
Veio uma cobra beber na minha mina
Num dia quente tão quente que eu estava,
Por causa do calor, só de pijama.
No odor estranho à sombra larga da escura e grande alfarrobeira
Desci pelos degraus com a moringa
E tive de esperar esperar porque ela havia chegado
       antes de mim na mina.
Por uma greta ela desceu pelo flanco do barranco sombrio
E arrastando a languidez cor de terra da barriga molenga até a beira
        da minha mina de pedra
Pousou o papo no seu fundo de pedra
E ali na água que caíra em gotas da bica, numa clareza mínima.
Com a boca aprumada ela se pôs a beber,
Lentos goles sugou além da goela esticada para dentro do corpo
       comprido e lânguido,
Em silêncio total.
Antes de mim alguém estava na mina
E eu, sendo o segundo, estava à espera.
Ela aí fez como o gado e levantou a cabeça
E me olhou de um modo vago, como faz o gado bebendo,
E brandido a língua bifurcada para fora da boca meditou um momento
E se curvou e bebeu de novo outro gole,
Sendo como era cor de terra, terrosa e áurea por sair do intestino
        flamejante da terra
Nesse dia siciliano de julho, com o Etna fumegando.
A voz da minha educação me ditou
Que eu devia matá-la,
Pois na Sicília as cobras pretas só pretas são inofensivas, mas as douradas
      são venenosas.
E outras vozes em mim disseram que eu, se fosse homem,
Devia era pegar um pau e esmaga-la e logo acabar com ela.
Mas devo confessar que gostei demais dessa cobra,
Fiquei alegre de a ver como um convidado que veio beber na minha mina
       em sossego
E que partiu apaziguado e pacífico, sem nem agradecer,
Para o intestino flamejante da terra.
Foi covardia, não ter ousado matá-la?
Foi perversidade, ter querido conversar com ela?
Foi humildade, sentir-me assim tão honrado?
Eu me senti honrado mesmo.
E no entanto aquelas vozes dizendo:
Se não fosse pelo medo você a teria morto.
E de fato eu tive medo, tive um medo danado,
Mas mesmo assim ainda fiquei mais honrado
De ela buscar minha hospitalidade provindo
Da porta escura da terra enigmática.
Ela bebeu o quanto quis
E sonhadora levantou a cabeça, como alguém que bebeu,
E como noite bifurcada no ar brandiu a língua tão preta,
Parecendo lamber os lábios,
E olhou em volta como um deus, sem ver, no ar,
E devagar virou um pouco a cabeça
E devagar, bem devagar, como num sonho tríplice,
Começou a arrastar seu tamanho lento fazendo
Curvas e escalou de regresso o carcomido barranco.
Quando ela enfiou a cabeça naquele horrendo buraco,
Quando lenta se deteve, para acomodar seus ombros de cobra, e entrou
        mais para o fundo,
Uma espécie de pavor, uma espécie de protesto por seu retraimento
        naquele buraco negro,
Sua descida deliberada às trevas, levando atrás de si o próprio corpo,
Agora que ela estava de costas dominou-me.
Olhei em volta, larguei minha moringa,
Peguei um pau muito sem jeito
E o joguei com estardalho na mina.
Acho que o pau não bateu nela,
Mas de repente a parte sua que ficara detrás convulsionou-se
        em pressa indigna,
Torceu-se como um raio e sumiu
No buraco negro, a greta que era um lábio de terra
        no rosto do barranco que olhei,
No meio-dia ainda intenso, possuído de certo fascínio.
E logo lamentei o que fiz.
Que ato vil, pensei, vulgar e reles.
Desprezei a mim mesmo como as vozes da minha maldita
        educação humana.
E pensei no albatroz
E desejei que ela viesse de volta, a minha cobra.
Porque de novo ela me pareceu que era um rei,
Um rei no exílio, sem coroa e sem reinado,
A ponto de ser coroado outra vez.
E foi assim que desperdicei minha chance com um dos pares reais
Da vida.
E é assim que tenho alguma coisa a pagar,
Essa baixeza.


quinta-feira, 28 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Vitorino Nemésio



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 VITORINO NEMÉSIO - ARREPENDO-ME DE A METER NUM ROMANCE :

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O poema tem mais pressa que o romance,
Asa de fogo para te levar:
Assim, pois, se houver lama que te lance
Ao corpo quente algum, hei-de chorar.

Deus fez o poeta por que não descanse
No golfo do destino e amores no mar:
Vem um, de onda, cobri-la — e ela que dance!
Vem outro — e faz menção de me enfeitar.

Os outros a conspurcam, mas é minha!
Chicoteá-la vou com a própria espinha,
Estreitam-me de amor seus braços mornos,

Transformo seus gemidos em meus uivos
E torno anéis dos seus cabelos ruivos
Na raspa canelada dos meus cornos.



quarta-feira, 27 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - James Merrill

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James Merrill
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C o r p o :


Veja as letras com atenção. Consegue enxergar,
penetrante (à direita do palco), depois flutuante,
depois evitando o confronto – no meio da rua --
como uma oriental meia-lua
o desenha o caminho do ao r

-- como o p, sem resposta, bate à porta do palco?
Observou-o por muito tempo, as palavras falham,
desvanecem-se. Pergunte, agora que o corpo de brilhar
parou, por qual luz essas linhas você vai decorar,
e que representavam o e o p.



terça-feira, 26 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Alfredo Zitarrosa

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La Canción Y El Poema - Alfredo Zitarrosa :
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Hoy que el tiempo ya pasó,
hoy que ya pasó la vida,
hoy que me río si pienso,
hoy que olvidé aquellos días,
no sé por qué me despierto
algunas noches vacías
oyendo una voz que canta
y que, tal vez, es la mía.

Quisiera morir –ahora– de amor,
para que supieras
cómo y cuánto te quería,
quisiera morir, quisiera… de amor,
para que supieras…

Algunas noches de paz,
–si es que las hay todavía–
pasando como sin mí
por esas calles vacías,
entre la sombra acechante
y un triste olor de glicinas,
escucho una voz que canta
y que, tal vez, es la mía.

Quisiera morir –ahora– de amor,
para que supieras
cómo y cuánto te quería;
quisiera morir, quisiera… de amor,
para que supieras…

segunda-feira, 25 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - André Breton

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L'Union libre - André Breton :
Ícone de alerta
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A UNIÃO LIVREMinha mulher com o cabelo de fogo de lenha
Com pensamentos de relâmpagos de calor
De talhe de ampulheta
Minha mulher com a talhe de lontra entre os dentes de tigre
Minha mulher com a boca de roseta e de buquê de estrelas de última grandeza
Com dentes de rastro de camundongo sobre a terra branca
Com língua de âmbar e de vidro em atritos
Minha mulher com língua de hóstia apunhalada
Com a língua de boneca que abre e fecha os olhos
Com a língua de inacreditável pedra
Minha mulher com cílios de lápis de cor das crianças
Com sobrancelhas de borda de ninho de andorinha
Minha mulher com têmporas de ardósia de teto de estufa
E de vapor nos vidros
Minha mulher com espáduas de champanhe
E de fonte com cabeças de delfins sob o gelo
Minha mulher com pulsos de fósforos
Minha mulher com dedos de acaso e de ás de copas
De dedos de feno ceifado
Minha mulher com axilas de marta e de faia
De noite de São João
De ligustro e de ninho de carás
Com braços de espuma de mar e de eclusa
E de mistura do trigo e do moinho
Minha mulher com pernas de foguete
Com movimentos de relojoaria e de desespero
Minha mulher com panturrilhas de polpa de sabugueiro
Minha mulher com pés de iniciais
Com pés de chaveiros com pés de calafates que bebem
Minha mulher com pescoço de cevada perolada
Minha mulher com a garganta de Vale d’Ouro
De encontro no leito mesmo da torrente
Com seios de noite
Minha mulher com seios de toupeira marinha
Minha mulher com seios de crisol de rubis
Com seios de espectro da rosa sob o orvalho
Minha mulher com ventre de desdobra de leque dos dias
Com ventre de garra gigante
Minha mulher com dorso de pássaro que foge vertical
Com dorso de mercúrio
Com dorso de luz
Com a nuca de pedra rolada e de giz molhado
E de queda de um copo do qual se acaba de beber
Minha mulher com ancas de chalupa
Com ancas de lustre e de penas de flecha
E de caule de plumas de pavão branco
De balança insensível
Minha mulher com nádegas de arenito e de amianto
Minha mulher com nádegas de dorso de cisne
Minha mulher com nádegas de primavera
Com sexo de gladíolo
Minha mulher com sexo de mina de ouro e de ornitorrinco
Minha mulher com sexo de algas e de bombons antigos
Minha mulher com sexo de espelho
Minha mulher com olhos cheios de lágrimas
Com olhos de panóplia violeta e de agulha magnetizada
Minha mulher com olhos de savana
Minha mulher com olhos d’água para beber na prisão
Minha mulher com olhos de madeira sempre sob o machado
Com olhos de nível d’água de nível do ar de terra e de fogo.

Tradução: Priscila Manhães e Carlos Eduardo Ortolan

domingo, 24 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - José Tolentino Mendonça

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A presença mais pura - JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA :
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Nada do mundo mais próximo
mas aqueles a quem negamos a palavra
o amor, certas enfermidades, a presença mais pura
ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
«a que distância da língua comum deixaste
o teu coração?»

A altura desesperada do azul
no teu retrato de adolescente há centenas de anos
a extinção dos lírios no jardim municipal
o mar desta baía em ruínas ou se quiseres
os sacos do supermercado que se expandem nas gavetas
as conversas ainda surpreendentemente escolares
soletradas em família
a fadiga da corrida domingueira pela mata
as senhas da lavandaria com um "não esquecer" fixado
o terror que temos
de certos encontros de acaso
porque deixamos de saber dos outros
coisas tão elementares
o próprio nome
Ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
«a que distância deixaste
o coração?»

sábado, 23 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Robert Burns

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Robert Burns :
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MARY MORISON (tradução de Luiz Cardim) :
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Maria, assoma à janela:
chegou por fim o momento!
O teu sorriso empobrece
os oiros do avarento…
Até me fazia escravo
a moirejar noite e dia,
se como prémio tivesse
a minha doce Maria!
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Ontem, ao som das violas,
a aldeia inteira bailava;
só eu, sem ouvir nem ver,
para ti, meu bem, voava…
Fossem loiras ou morenas,
nenhuma ali te vencia…
Eu, então, só me queixava
Não sois a minha Maria!
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A quem por ti dera a vida,
vais, Maria, enlouquecer?
Ou rasgar-lhe o coração
sem culpa de bem-querer?
Se amor por amor não dás,
pena tem desta agonia…
Mal ficava ser cruel
à minha doce Maria!

sexta-feira, 22 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - António Feliciano de Castilho

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Hino do trabalho - António Feliciano de Castilho :
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Trabalhar meus irmãos que o trabalho
É riqueza é virtude é vigor
Dentre orquestra da serra e do malho
Brotam vida cidades amor.

No regaço de luxo a opulência
Os cansaços do ócio maldiz
Entre as lidas sorri a indigência
Com pão negro se julga feliz.

Deus incombe ao pecado fadiga
Até na pena sorri o paternal
O que vence a preguiça inimiga
Reconquista o Éden terreal.

Trabalhar meus irmãos que o trabalho
É riqueza é virtude é vigor
Dentre orquestra da serra e do malho
Brotam vida cidades amor.

Cai opróbrio no vil ocioso
Que deserda o presente e o provir
Só à noite compete o repouso
Só aos mortos o eterno dormir.

Mar e terra ar e céu tudo lida
Deus a todos pôs nus e deu mãos
Lei suprema o trabalho é na vida
Trabalhar trabalhar meus irmãos.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Um Pensamento por dia, nem sabe o bem que lhe faria - A. A. Milne

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Alan Alexander Milne :
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Para um iletrado, um A são apenas três pauzinhos
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Uma das vantagens de ser desarrumado é que estamos constantemente fazendo excitantes descobertas.
 

quarta-feira, 20 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - José Martí

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"CULTIVO UNA ROSA BLANCA" - JOSÉ MARTÍ :
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Cultivo uma rosa branca :

Cultivo uma rosa branca,
em julho como em janeiro,
para o amigo verdadeiro
que me dá sua mão franca.

E para o cruel que me arranca
o coração com que vivo,
cardo, urtiga não cultivo:
cultivo uma rosa branca.

terça-feira, 19 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - William Butler Yeats

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When You Are Old - William Butler Yeats :

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Quando já fores velha, e grisalha, e com sono,
Pega neste livro: junto ao fogo, a cabecear,
Lê com calma; e com os olhos de profundas sombras
Sonha, sonha com o teu antigo e suave olhar.

Muitos amaram-te horas de alegria e graça,
Com amor sincero ou falso amaram-te a beleza;
Só um, amando-te a alma peregrina em ti,
De teu rosto a mudar amou cada tristeza.

E curvando-te junto à grade incandescente,
Murmura com amargura como o amor fugiu
E caminhou montanha acima, a subir sempre,
E o rosto em multidão de estrelas encobriu.

(Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos)

segunda-feira, 18 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Alberto de Oliveira

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Lisboa - Alberto de Oliveira :
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Ó Cidade da Luz! Perpétua fonte
De tão nítida e virgem claridade,
Que parece ilusão, sendo verdade,
Que o sol aqui feneça e não desponte...

Embandeira-se em chamas o horizonte:
Um fulgor áureo e róseo tudo invade:
São mil os panoramas da Cidade,
Surge um novo mirante em cada monte.

Ó Luz ocidental, mais que a do Oriente
Leve, esmaltada, pura e transparente,
Claro azulejo, madrugada infinda!

E és, ao sol que te exalta e te coroa,
— Loira, morena, multicor Lisboa! —
Tão pagã, tão cristã, tão moira ainda...

domingo, 17 de março de 2013

Um Pensamento por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Leon Battista Alberti

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Leon Battista Alberti :
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-Aprender nunca es vergonzoso para un maestro cuando las cosas a saber son útiles.
 
- Belleza: el ajuste de todas las partes proporcionalmente a fin de que no se pueda sumar, restar o modificar nada sin que ello afecte a la armonía del conjunto.
- Debemos tomar de la naturaleza lo que pintamos y siempre elegir las más bellas cosas.
- Cuando investigo y descubro que la fuerza de los cielos y los planetas está dentro de nosotros mismos, entonces sinceramente siento estar viviendo entre los dioses.
- Llegar a conocer a la naturaleza es empresa sumamente difícil e intrincada.
- (...) El artista en este contexto social no debe ser un simple artesano, sino un intelectual preparado en todas las disciplinas y en todos los terrenos.

- Un hombre puede hacer cualquier cosa, siempre que su voluntad lo acompañe.

- La muerte es el final inevitable, nunca inútil para los que vivieron mal y nunca nociva para los que vivieron bien.

- Yo voy a considerar arquitecto a aquel que con método y procedimiento seguro y perfecto sepa proyectar racionalmente y realizar en la práctica, mediante el desplazamiento de las cargas y la acumulación y conjunción de los cuerpos, obras que se acomoden perfectamente a las más importantes necesidades humanas. A tal fin, requiere el conocimiento y dominio de las mejores y mas altas disciplinas. Así deberá ser el arquitecto.

- Ayer es pasado, mañana no hay certezas. Vive hoy.

sábado, 16 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Wislawa Szymborska

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Nothing Twice - Wislawa Szymborska :
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Nada duas vezes

Duas vezes nada acontece
nem acontecerá. E assim sendo,
nascemos sem prática
e sem rotina vamos morrendo.

Nesta escola que é o mundo,
mesmo os piores
nunca repetirão
nenhum inverno, nenhum verão.

Os dias não podem ser repetidos,
não há duas noites iguais,
não há beijos parecidos,
não se troca o mesmo olhar.

Ontem, o teu nome
em voz alta pronunciado
foi como se uma rosa
me tivessem atirado.

Hoje, ao teu lado,
voltei a cara para a parede.
Rosa? O que é uma rosa?
Será flor? Talvez rocha?

Porque tu, ó má hora,
me trazes a vã tristeza?
Se és, tens de passar.
Passarás - e daí a tua beleza.

Abraçados, enlevados,
tentaremos vencer a mágoa,
mesmo sendo diferentes
como duas gotas de água.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Joaquín Sabina

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Y Nos Dieron Las Diez - Joaquín Sabina :
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Fue en un pueblo con mar un verano después de un concierto
tú reinabas detrás de la barra del único bar que vimos abierto,
cántame una canción al oído y te pongo un cubata
con una condición, que me dejes abierto el balcón de tus ojos de gata.
Loco por conocer los secretos de tu dormitorio
esa noche canté al piano del amanecer todo mi repertorio.
Los clientes del bar, uno a uno, se fueron marchando
tú saliste a cerrar, yo me dije, cuidado chavalte estás enamorando.
Luego todo pasó de repente, tu dedo en mi espalda
dibujó un corazón y mi mano le correspondió debajo de la falda.
Caminito al hostal nos besamos en cada farola
era un pueblo con mar, yo quería dormir contigo y tú no querías dormir sola.

Y nos dieron las diez y las once,
las doce y la una, y las dos y las tres
y desnudos al anochecer nos encontró la luna,

Nos dijimos adiós, ojalá que volvamos a vernos,
el verano acabó, el otoño duró lo que tarda envolver el invierno.
Y a tu pueblo el azar, otra vez, el verano siguiente
me llevó y al final del concierto me puse a buscar tu cara entre la gente
y no hallé quien de ti me dijera ni media palabra
parecía como si me quisiera el destino gastar una broma macabra.
No había nadie detrás de la barra del otro verano
y en lugar de tu bar, me encontré una sucursal del banco hispanoamericano,
tu memoria vengué, a pedradas contra los cristales,
sé que no lo soñé, protestaba mientras me esposaban los municipales
en mi declaración alegué que llevaba tres copas
y empecé esta canción en le cuarto donde aquella vez te quitaba la ropa.
 

quinta-feira, 14 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Langston Hughes

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Langston Hughes :
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ASPIRAÇÃO
Estirar os braços
Ao sol nalgum lugar,
E até que morra o dia
Dançar, pular, cantar!
Depois sob uma árvore,
Quando já entardeceu,
Enquanto a noite vem
- Negra como eu -
Descansar... É o que quero!

Estirar os braços
Ao sol nalgum lugar,
Cantar, pular, dançar
Até que a tarde caia!
E dormir sob uma árvore
- Este o desejo meu -
Quando a noite baixar
Negra como eu.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Severino Andrade da Silva

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AS FLÔ DE PUXINANà - Severino Andrade da Silva  (ZÉ DA LUZ) :  
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As flô de Puxinanã
(Paródia de As “Flô de Gerematáia” de Napoleão menezes)


Três muié ou três irmã,
três cachôrra da mulesta,
eu vi num dia de festa,
no lugar Puxinanã.


A mais véia, a mais ribusta
era mermo uma tentação!
mimosa flô do sertão
que o povo chamava Ogusta.


A segunda, a Guléimina,
tinha uns ói qui ô! mardição!
Matava quarqué critão
os oiá déssa minina.


Os ói dela paricia
duas istrêla tremendo,
se apagando e se acendendo
em noite de ventania.


A tercêra, era Maroca.
Cum um cóipo muito má feito.
Mas porém, tinha nos peito
dois cuscús de mandioca.


Dois cuscús, qui, prú capricho,
quando ela passou pru eu,
minhas venta se acendeu
cum o chêro vindo dos bicho.


Eu inté, me atrapaiava,
sem sabê das três irmã
qui ei vi im Puxinanã,
qual era a qui mi agradava.


Inscuiendo a minha cruz
prá sair desse imbaraço,
desejei, morrê nos braços,
da dona dos dois cuscús!

segunda-feira, 11 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Gustavo Adolfo Bécquer

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Gustavo Adolfo Bécquer :
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Espreitava em seus olhos uma lágrima :
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Espreitava em seus olhos uma lágrima,
e em meus lábios uma frase a perdoar;
falou o orgulho, o seu pranto secou,
senti nos lábios essa frase expirar.
Eu vou por um caminho, ela por outro;
mas, ao pensar no amor que nos prendeu,
digo ainda: porque me calei aquele dia?
E ela dirá: porque não chorei eu?

domingo, 10 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Gertrude Stein

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Gertrude Stein :
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Se eu lhe contasse: um retrato acabado de Picasso

Se eu lhe contasse ele gostaria. Ele gostaria se eu lhe contasse.
Ele gostaria se Napoleão se Napoleão gostasse gostaria ele gostaria.
Se Napoleão se eu lhe contasse se eu lhe contasse se Napoleão. Gostaria se eu lhe contasse se eu lhe contasse se Napoleão. Gostaria se Napoleão se Napoleão se eu lhe contasse. Se eu lhe contasse se Napoleão se Napoleão se eu lhe contasse. Se eu lhe contasse ele gostaria ele gostaria se eu lhe contasse.
Já.
Não já.
E já.
Já.
Exatamente como como reis.
Tão totalmente tanto.
Exatidão como reis.
Para te suplicar tanto quanto.
Exatamente ou como reis.
Fechaduras fecham e abrem e assim rainhas. Fechaduras fecham e fechaduras e assim fechaduras fecham e fechaduras e assim e assim fechaduras e assim fechaduras fecham e assim fechaduras fecham e fechaduras e assim. E assim fechaduras fecham e assim e assado.
Exata semelhança e exata semelhança e exata semelhança como exata como uma semelhança, exatamente como assemelhar-se, exatamente assemelhar-se, exatamente em semelhança exatamente uma semelhança, exatamente a semelhança. Pois é assim a ação. Porque.
Repita prontamente afinal, repita prontamente afinal, repita prontamente afinal.
Pulse forte e ouça, repita prontamente afinal.
Juízo o juiz.
Como uma semelhança a ele.
Quem vem primeiro. Napoleão primeiro.
Quem vem também vindo vindo também, quem vem lá, quem vier virá, quem toma lá dá cá, cá e como lá tal qual tal ou tal qual.
Agora para dar data para dar data. Agora e agora e data e a data.
Quem veio primeiro Napoleão de primeiro. Quem veio primeiro. Napoleão primeiro. Quem veio primeiro, Napoleão primeiro.
Presentemente.
Exatamente eles vão bem.
Primeiro exatamente.
Exatamente eles vão bem também.
Primeiro exatamente.
E primeiro exatamente.
Exatamente eles vão bem.
E primeiro exatamente e exatamente.
E eles vão bem.
E primeiro exatamente e primeiro exatamente e eles vão bem.
O primeiro exatamente.
E eles vão bem.
O primeiro exatamente.
De primeiro exatamente.
Primeiro como exatamente.
De primeiro como exatamente.
Presentemente.
Como presentemente.
Como como presentemente.
Se se se se e se e se e e se e se e se e e como e como se e como se e se. Se é e como se é, e como se é e se é, se é e como se e se e como se é e se e se e e se e se.
Cachos roubam anéis cachos fiam, fiéis.
Como presentemente.
Como exatidão.
Como trens.
Tomo trens.
Tomo trens.
Como trens.
Como trens.
Presentemente.
Proporções.
Presentemente.
Como proporções como presentemente.
Pais e pois.
Era rei ou rês.
Pois e vez.
Uma vez uma vez uma vez era uma vez o que era uma vez uma vez uma vez era uma vez vez uma vez.
Vez e em vez.
E assim se fez.
Um.
Eu aterro.
Dois.
Aterro.
Três.
A terra.
Três.
A terra.
Três.
A terra.
Dois.
Aterro.
Um.
Eu aterro.
Dois.
Eu te erro.
Como um tão.
Eles não vão.
Uma nota.
Eles não notam.
Uma bota.
Eles não anotam.
Eles dotam.
Eles não dão.
Eles como denotam.
Milagres dão-se.
Dão-se bem.
Dão-se muito bem.
Um bem.
Tão bem.
Como ou como presentemente.
Vou recitar o que a história ensina. A história ensina.
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tradução de Augusto de Campos

sábado, 9 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Raul de Carvalho

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Coração sem imagens - Raul de Carvalho :
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Deito fora as imagens.
Sem ti, para que me servem
as imagens?

Preciso habituar-me
a substituir-te
pelo vento,
que está em qualquer parte
e cuja direcção
é igualmente passageira
e verídica.

Preciso habituar-me ao eco dos teus passos
numa casa deserta,
ao trémulo vigor de todos os teus gestos
invisíveis,
à canção que tu cantas e que mais ninguém ouve
a não ser eu.

Serei feliz sem as imagens.
As imagens não dão
felicidade a ninguém.

Era mais difícil perder-te,
e, no entanto, perdi-te.

Era mais difícil inventar-te,
e eu te inventei.

Posso passar sem as imagens
assim como posso
passar sem ti.

E hei-de ser feliz ainda que
isso não seja ser feliz.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Fagundes Varela

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VIDA DE FLOR - FAGUNDES VARELLA :
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Por que vergas-me a fronte sobre a terra?
Diz a flor da colina ao manso vento,
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Se apenas às manhãs o doce orvalho
Hei gozado um momento?
Tímida ainda, nas folhagens verdes
Abro a corola à quietação das noites,
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 Ergo-me bela, me rebaixas triste
Com teus feros açoites!
Oh! deixa-me crescer, lançar perfumes,
Vicejar das estrelas à magia,
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Que minha vida pálida se encerra
No espaço de um só dia!
Mas o vento agitava sem piedade
A fronte virgem da cheirosa flor,
Que pouco a pouco se tingia, triste,
De mórbido palor.
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Não vês, oh brisa? lacerada, murcha,
Tão cedo ainda vou pendendo ao chão,
E em breve tempo esfolharei já morta
Sem chegar ao verão?
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Tem piedade de mim! deixa-me ao menos
Desfrutar um momento de prazer,
Pois que é meu fado despontar na aurora
E ao crepúsc’ulo morrer!...
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Brutal amante não lhe ouviu as queixas,
Nem às suas dores atenção prestou,
E a flor mimosa, retraindo as pétalas,
Na tige se inclinou.
Surgiu na aurora, não chegou à tarde,
Teve um momento de existência só!
A noite veio, procurou por ela,
Mas a encontrou no pó.
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Ouviste, oh virgem, a legenda triste
Da flor do outeiro e seu funesto fim?
Irmã das flores à mulher, às vezes
Também sucede assim.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Robert Frost

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A Minor Bird - Robert Frost :
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Quis, de fato, que o pássaro voasse

E próximo ao meu lar não mais cantasse.

 
Cheguei à porta para afugentá-lo,

Por sentir-me incapaz de suportá-lo.


Penso que a inteira culpa fosse minha,

E não do pássaro ou da voz que tinha.


 O erro estava, decerto, na aflição

De querer silenciar uma canção.


(Tradução de Renato Suttana)

terça-feira, 5 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - José Carlos Capinan

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José Carlos Capinan :
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OUTRAS CONFISSÕES :
 Narciso se despe, é noite, estão ladrando os cães
Os cães provavelmente ladrarão inteiramente a noite
Enquanto a lua cheia obtura os dentes podres das canções
Um traficante boliviano
Diz alô de Amsterdão
Um fracassado governante
Diz alô num telegrama
Tudo é ópio, para um ex-marxista
Para um ex-espiritualista, tudo é transe.
Tudo é provisoriamente eterno para os poetas
Tudo é eternamente provisório para os amantes
E o poema apenas a configuração do instante

(do Blog "Eu li")

segunda-feira, 4 de março de 2013

Um Pensamento por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Giosuè Carducci

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Giosuè Carducci :
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Às opiniões dos... inimigos deve-se ter sempre a devida observância
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"Saúde, ó Satanás,
Ó rebelião,
Ó força vingadora
Da razão!"
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Considero capaz das piores acções aquele que, podendo exprimir um conceito em dez palavras, usa doze.

domingo, 3 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Hilda Hilst

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Só tenho a ti - Hilda Hilst :
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Só tenho a ti
Mas tão distante
Que não me ouves
Chamo e pergunto
Se ainda me queres
Mas o teu grito de assentimento
Chega cansado a meu ouvido
E assim cansado
Desaparece
Como um lamento

Ó minha amada
Bem eu quisera
Que esta vontade
Que se avoluma
No meu pensamento
Se fosse embora
Se fosse embora

sábado, 2 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Jacques Prévert

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LES FEUILLES MORTES  - JACQUES PREVERT :
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AS FOLHAS MORTAS
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Oh ! gostaria tanto que te lembrasses
Dos dias felizes da nossa amizade,
Nesse tempo, a vida era mais bela
E sol mais brilhante do que hoje.
As folhas mortas à pá se recolhem,
Bem vês que eu não esqueci.
As folhas mortas à pá se recolhem,
Assim como as lembranças e as mágoas,
E leva-as o vento norte
Na noite fria do esquecimento.
Bem vês que eu não esqueci
Aquela canção que me cantavas…
É uma canção connosco parecida,
Tu, que me amavas, eu que te amava.
Os dois juntos vivíamos
Tu que me amavas, eu que te amava.
Mas a vida separa aqueles que se amam,
Muito devagarinho, silenciosamente
E o mar apaga na areia
Os passos dos amantes separados.
Os dois juntos vivíamos,
Tu que me amavas, eu que te amava.
Mas a vida separa aqueles que se amam,
Muito devagarinho, silenciosamente.
E o mar apaga na areia
Os passos dos amantes separados…

- trad. de Anthero Monteiro

sexta-feira, 1 de março de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Mario de Andrade

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Quando eu Morrer - Mario de Andrade :
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Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus amigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade..Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam..No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos..Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia
Sereia..O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade….Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade….As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.