terça-feira, 25 de novembro de 2014

Momento Poético

.

Varinas : 


Passam varinas com a giga em arco
Sobre a airosa cabeça sobranceira
No chão enlameado da Ribeira
A água negra fez um grande charco;
Lembram a quilha dum barco
As tamancas da peixeira

Saias rodadas são belas
Que o vento alarga e fustiga
São asas de caravelas 
Em corpos de raparigas

As pernas altas são mastros
Que nenhum vento quebranta
Os olhos são negros astros
São faróis em terra santa

Saias verdes, saias finas
Saias rubras, saias pretas
Os cordões são as grilhetas
Dos corpos das ovarinas

Num colar de gaivota
A peixeira de lisboa
Levanta ao sol a canastra 
Da sardinha que apregoa
.
 Fernanda de Castro 
.

NelitOlivas

Sem comentários:

Enviar um comentário