Que segredo
incandesces no peito, minha amiga, Alma por doce máscara aspirando a
flor? De que alimentos vãos teu cândido calor Gera essa irradiação:
mulher adormecida?
Sopro, sonhos,
silêncio, invencível quebranto, Tu triunfas, ó paz mais potente que um
pranto, Quando de um pleno sono a onda grave e estendida Conspira sobre o
seio de tal inimiga
Dorme, dourada
soma: sombras e abandono. De tais dons cumulou-se esse temível sono, Corça
languidamente longa além do laço,
Que embora a
alma ausente, em luta nos desertos, Tua forma ao ventre puro, que veste um
fluido braço, Vela, Tua forma vela, e meus olhos: abertos.
A Prisão DouradaTenta fazer esta experiência, construindo um palácio. Equipa-o com mármore, quadros, ouro, pássaros do paraíso, jardins suspensos, todo o tipo de coisas... e entra lá para dentro. Bem, pode ser que nunca mais desejasses sair daí. Talvez, de facto, nunca mais saisses de lá. Está lá tudo! "Estou muito bem aqui sozinho!". Mas, de repente - uma ninharia! O teu castelo é rodeado por muros, e é-te dito: 'Tudo isto é teu! Desfruta-o! Apenas não podes sair daqui!". Então, acredita-me, nesse mesmo instante quererás deixar esse teu paraíso e pular por cima do muro. Mais! Tudo esse luxo, toda essa plenitude, aumentará o teu sofrimento. Sentir-te-ás insultado como resultado de todo esse luxo... Sim, apenas uma coisa te falta... um pouco de liberdade.
Creio na Liberdade, Mãe de América criadora de mares doces na terra, e em Bolívar, seu filho, Senhor Nosso que nasceu em Venezuela, padeceu sob o poder espanhol, foi combatido, sentiu-se morto sobre o Chimborazo, ressuscitou na voz de Colômbia, tocou ao Eterno com suas mãos e está parado junto a Deus!
.
Não nos julgues, Bolívar, antes do dia último, porque cremos na comunhão dos homens que comungam com o povo, só o povo faz livres aos homens, proclamamos guerra a morte e sem perdão aos tiranos cremos na ressurreição dos heróis e na vida perdurável dos que como Tu, Libertador, não morrem, fecham os olhos e se ficam velando.
. (Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)
Rough My parents
kept me from children who were rough Who threw words like stones and who torn
clothes. Their thighs showed through rags.. They ran in the street And
climbed cliffs and stripped by the country streams.
If feared more than
tigers th.eit: musdes like iron Their jerkirig hands and their knees tight on
my arms. I feared the salt coarse pointing of those boys Who copied my
lisp behind me on the road.
They were lithe, they sprang out behind
hedges Like dogs to bark at my world. They threw mud While I looked the
other way, pretending to smile. I longed to forgive them, but they never
smiled.
Mis padres me protegían de niños
que eran toscos que emitían palabras como piedras y llevaban raídas
ropas, mostrando sus muslos a través de harapos. Corrían por la
calle, escalaban riscos y se desnudaban junto a los arroyos del
campo.
Temía a sus músculos. de acero más que a tigres, a sus agitadas
manos y a sus rodillas firmes sobre mis brazos. Temía el grosero señalar con
descaro de aquellos niños que imitaban mi ceceo a mi espalda en la
calle.
Eran ágiles y aparecían como perros desde detrás de setos para
ladrar a mi mundo. Lanzaban barro mientras yo miraba hacia otro lado
fingiendo sonreír. Deseaba perdonarlos ardientemente, pero ellos no sonreían
nunca.
Um poema cresce inseguramente na confusão da carne, sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto, talvez como sangue ou sombra de sangue pelos canais do ser.
Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência ou os bagos de uva de onde nascem as raízes minúsculas do sol. Fora, os corpos genuínos e inalteráveis do nosso amor, os rios, a grande paz exterior das coisas, as folhas dormindo o silêncio, as sementes à beira do vento, - a hora teatral da posse. E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema. Insustentável, único, invade as órbitas, a face amorfa das paredes, a miséria dos minutos, a força sustida das coisas, a redonda e livre harmonia do mundo.
- Em baixo o instrumento perplexo ignora a espinha do mistério. - E o poema faz-se contra o tempo e a carne.