quarta-feira, 7 de maio de 2014

Momento Poético

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Ruas de Lisboa :

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Ruas da minha cidade 
Veias que o meu sangue abraça
E põe cravos de ansiedade na lapela de quem passa

Ruas da minha cidade
Onde perco o coração
Poema diz a verdade, diz a verdade canção

Ruas da minha cidade
Amanhecendo a firmeza
De uma ponte entre a Saudade e um Abril à portuguesa

Ruas da minha cidade
Onde vingo as minhas asas
O meu nome é Liberdade e moro em todas as casas

Ruas da minha cidade
Praças da minha alegria
Onde antes da claridade era noite todo o dia

Ruas da minha cidade
Onde o velho é sempre novo
As ruas não têm idade porque são todas do povo

Ruas da minha cidade
Becos de ganga puída
Oficinas da verdade dos operários desta vida

Ruas da minha cidade
Janelas do meu olhar
Onde os pardais da amizade à tarde vêm poisar

Ruas da minha cidade
Rasgadas por minha mão
A gente passa à vontade quando pisa o nosso chão

Ruas da minha cidade
Aonde eu quero morrer
Com cravos de eternidade dos meus olhos a nascer.
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Jaquim Pessoa
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(material recolhido para publicação na página-Facebbok da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

terça-feira, 6 de maio de 2014

Momento Poético

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Menina do Alto da Serra :

Menina de olhar sereno
Raiando pela manhã
De seio duro e pequeno
Num coletinho de lã
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Menina cheirando a feno
Casada com hortelã
Menina cheirando a feno
Casado com hortelã
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Menina que no caminho
Vais pisando formosura
Trazes nos olhos um ninho
Todo em penas de ternura
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Menina de andar de linho
Com um ribeiro à cintura
Menina de andar de linho
Com um ribeiro à cintura
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Menina de saia aos folhos
Quem na vê fica lavado
Água da sede dos olhos
Pão que não foi amassado
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Menina do riso aos molhos
Minha seiva de pinheiro
Menina de saia aos folhos
Alfazema sem canteiro
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Menina de corpo inteiro
Com tranças de madrugada
Que se levanta primeiro
Do que a terra alvoroçada
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Menina de corpo inteiro
Com tranças de madrugada
Menina de corpo inteiro
Com tranças de madrugada
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Menina de saia aos folhos
Quem na vê fica lavado
Água da sede dos olhos
Pão que não foi amassado
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Menina de fato novo
Ave-maria da terra
Rosa-brava rosa povo
Brisa do alto da serra
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Rosa-brava rosa povo
Brisa do alto da serra
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Ary dos Santos
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(material recolhido para publicação na página-Facebbok da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Momento Poético

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Ó Gente Da Minha Terra :
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É meu e vosso este fado
Destino que nos amarra
Por mais que seja negado
Às cordas de uma guitarra

Sempre que se ouve o gemido
De uma guitarra a cantar
Fica-se logo perdido
Com vontade de chorar

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que recebi

E pareceria ternura
Se eu me deixasse embalar
Era maior a amargura
Menos triste o meu cantar
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Amália Rodrigues
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(Material recolhido para publicação na página-Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

domingo, 4 de maio de 2014

Momento Poético

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Maio Maduro Maio :

Maio maduro Maio
quem te pintou
quem te quebrou o encanto
nunca te amou
raiava o sol já no sul
e uma falua vinha
lá de Istambul
sempre depois da sesta
chamando as flores
era o dia da festa
Maio de amores
era o dia de cantar
e uma falua andava
ao longe a varar
Maio com meu amigo
quem dera já
sempre no mês do trigo
se cantará
qu'importa a fúria do mar
que a voz não te esmoreça
vamos lutar
numa rua comprida
el rei-pastor
vende o soro da vida
que mata a dor
anda ver, Maio nasceu
que a voz não te esmoreça
a turba rompeu
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Zeca Afonso
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(Material recolhido para publicação na página-Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

sábado, 3 de maio de 2014

Momento Poético

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Ser Poeta :

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendos
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

(Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)
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(Material recolhido para publicação na página-Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Momento Poético

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(Material recolhido para publicação na página-Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Momento Poético

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Adeus tristeza :

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Na minha vida tive palmas e fracassos
Fui amargura feita notas e compassos
Aconteceu-me estar no palco atrás do pano
Tive a promessa de um contrato por um ano
A entrevista que era boa
E o meu futuro foi aquilo que se viu

Na minha vida tive beijos e empurrões
Esqueci a fome num banquete de ilusões
Não entendi a maior parte dos amores
Só percebi que alguns deixaram muitas dores
Fiz as cantigas que afinal ninguém ouviu
E o meu futuro foi aquilo que se viu

Adeus tristeza, até depois
Chamo-te triste por sentir que entre os dois
Não há mais nada pra fazer ou conversar
Chegou a hora de acabar

Na minha vida fiz viagens de ida e volta
Cantei de tudo por ser um cantor à solta
Devagarinho num couplé pra começar
Com muita força no refrão que é popular
Mas outra vez a triste sorte não sorriu
E o meu futuro foi aquilo que se viu

Na minha vida fui sempre um outro qualquer
Era tão fácil, bastava apenas escolher
Escolher-me a mim, pensei que isso era vaidade
Mas já passou, não sou melhor mas sou verdade
Não ando cá para sofrer mas para viver
E o meu futuro há-de ser o que eu quiser
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Adeus tristeza, até depois
Chamo-te triste por sentir que entre os dois
Não há mais nada pra fazer ou conversar
Chegou a hora de acabar 
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Fernando Tordo
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(Material recolhido para publicação na página-Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas