quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Momento Poético

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GOSTARIAS DE DECIDIR POR TI...

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Gostarias de decidir por ti.
O sol nunca se atrasa. A noite chega sempre a horas
certas.
Tu adiantaste o relógio com receio de adormecer mais
cedo ou de não chegar a tempo à festa do dia seguinte.
Não te perguntaram se querias vir e alguém marcou, sem
teu consentimento, a hora da chegada. Gostarias de ser tu
a marcar a partida.
Precisas de inventar um relógio onde o tempo não
decline e um leito onde o sol não adormeça. um firmamento
onde tu e ele sejam as únicas estrelas
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Não te esqueças de,
ao sair,
deixar a porta
aberta. Podes
perder a chave
e não entrar.
Ou podem roubar-ta,
o que é pior.
Porque são numerosos
os ladrões do azul.
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Albano Dias Martins
(de Escrito a VermelhoCampo de Letras, Porto 1999)
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(Material recolhido para publicação na página-Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Momento Poético

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Semente :

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A partir de um corpo que eu invento
Teus cabelos livres são o lento
Sopro do vento dentro de nós
Afastamento de estarmos sós

A partir de um vento que eu conheço
Teu olhar aberto é o começo
Onde amanheço, onde me espero
Onde anoiteço mas quero
Mostrar numa canção

Meu coração de fogo e ferro
Dizer de uma acentada
Toda a palavra desejada
Mostrar numa canção
Meu coração de fogo e ferro

Dizer de uma acentada
Toda a palavra desejada
A partir do corpo da verdade
Invento meu amor minha saudade
Corpo de vento fome de vinho

Pão de centeio e tormento
Barrado com amizade
E amassado com sofrimento
Semente de amor calado
Por resistir ou por morre
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José Carlos Ary dos Santos
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(Material recolhido para publicação na página-Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Momento Poético

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Adeus :
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Há de lembrar-me sempre a imensa mágoa
Que vi transparecer nos olhos teus
Cerúleos, languescentes, rasos de água,
Quando, poisando os lábios sobre os meus,
N'um demorado ósculo celeste,
Tremente e carinhosa me disseste
Esta palavra:—Adeus!—
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Afastei-me de ti e já distante
Voltei-me para ver-te ainda uma vez
Com o pressentimento lancinante
De que te não veria mais, talvez.
Tornei-me então da lividez d'um monge,
Quando vi alvejar nos dedos teus
Um lenço branco repelindo ao longe:
Adeus, adeus, adeus…
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Augusto Gil
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(Material recolhido para publicação na página-Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Momento Poético

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SENHORA PARTEM TÃO TRISTES :

Senhora, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.

partem tão tristes os tristes,
tão fora de esperar bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
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João Roiz de Castel-Branco
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(Material recolhido para publicação na página-Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

domingo, 3 de agosto de 2014

Momento Poético

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Para ser grande, sê inteiro :


"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."
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Ricardo Reis [Fernando Pessoa] 

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(Material recolhido para publicação na página-Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

sábado, 2 de agosto de 2014

Momento Poético

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Quando Um Homem Quiser :


Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitros de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
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Ary dos Santos
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(Material recolhido para publicação na página-Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Momento Poético

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O mais importante na vida :


O mais importante na vida
É ser-se criador – criar beleza.

Para isso,
É necessário pressenti-la
Aonde os nossos olhos não a virem.

Eu creio que sonhar o impossível
É como que ouvir a voz de alguma coisa
Que pede existência e que nos chama de longe.

Sim, o mais importante na vida
É ser-se criador.
E para o impossível
Só devemos caminhar de olhos fechados
Como a fé e como o amor.

António Botto - As Canções de António Botto, Ed. Presença
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(Material recolhido para publicação na página-Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas