terça-feira, 5 de agosto de 2014

Momento Poético

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Adeus :
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Há de lembrar-me sempre a imensa mágoa
Que vi transparecer nos olhos teus
Cerúleos, languescentes, rasos de água,
Quando, poisando os lábios sobre os meus,
N'um demorado ósculo celeste,
Tremente e carinhosa me disseste
Esta palavra:—Adeus!—
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Afastei-me de ti e já distante
Voltei-me para ver-te ainda uma vez
Com o pressentimento lancinante
De que te não veria mais, talvez.
Tornei-me então da lividez d'um monge,
Quando vi alvejar nos dedos teus
Um lenço branco repelindo ao longe:
Adeus, adeus, adeus…
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Augusto Gil
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(Material recolhido para publicação na página-Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

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