São duas rosas unidas, São duas rosas
nascidas Talvez no mesmo arrebol, Vivendo no mesmo galho, Da mesma gota
de orvalho, Do mesmo raio de sol
Unidas, bem como as
penas Das duas asas pequenas De um passarinho do céu... Como um casal
de rolinhas, Como a tribo de andorinhas Da tarde no frouxo
véu...
Unidas bem como os
prantos, Que em parelha descem tantos Das profundezas do olhar... Como
o suspiro e o desgosto, Como as covinhas do rosto, Como as estrelas do
mar.
Unidas...Ai quem
pudera Numa eterna primavera Viver, qual vive esta flor. Juntar as
rosas da vida Na rama verde e florida, Na verde rama do
amor.
"Da viola pra muié É pequena a
deferença. Ancê óia, escuta e pensa. Eu juro, esta fala é franca: A
viola tem cabelo Nas dez corda qui ela tem. Tale quale uma muié, Ela
tem braço também E tem cintura e tem anca. A viola faz chorá E chora a
hora qui qué. Tale quale uma muié, Derrete toda na mão Da pessôa qui
qué bem. Só inziste duas cousa Qui ela tem e muié não: É qui a viola de
pinho Tem alma e tem coração..."
Fala Também TuFala também tu, fala em último lugar, diz a tua sentença.
Fala — Mas não separes o Não do Sim. Dá à tua sentença igualmente o sentido: dá-lhe a sombra.
Dá-lhe sombra bastante, dá-lhe tanta quanta exista à tua volta repartida entre a meia-noite e o meio-dia e a meia-noite.
Olha em redor: como tudo revive à tua volta! — Pela morte! Revive! Fala verdade quem diz sombra.
Mas agora reduz o lugar onde te encontras: Para onde agora, oh despido de sombra, para onde?
Sobe. Tacteia no ar. Tornas-te cada vez mais delgado, irreconhecível, subtil! Mais subtil: um fio, por onde a estrela quer descer: para em baixo nadar, em baixo, onde pode ver-se a cintilar: na ondulação das palavras errantes.
Paul Celan, in "De Limiar em Limiar" Tradução de João Barrento e Y. K. Centeno