domingo, 6 de novembro de 2011

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria

.Asas Brancas - a partir de um poema de Almeida Garrett :
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ASAS BRANCAS

Quando era pequenino a desventura
Trazia-me saudoso e triste o rosto,
Assim como quem sofre algum desgosto,
Assim como quem chora de amargura.

Um anjo de asas brancas muito finas,
Sabendo-me infeliz mas inocente,
Cedeu-me as suas asas pequeninas,
Para me ver voar e ser contente.

As asas de criança, meu tesoiro,
Ao ver-me assim tão triste, iam ao céu...
Tão brancas, tão macias -- penas de oiro --
Tão leves como a aragem... como eu!

Cresci. Cresceram culpas juntamente,
Já grandes são as mágoas mais pequenas!
As asas brancas vão-se... e ficam penas!
Não mais subi ao céu, nem fui contente.

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