A SEGUNDA VINDA
O falcão já não ouve o falcoeiro:
As coisas desmoronam, sem um centro;
Mera anarquia alastra-se no mundo;
Cresce uma onda de sangue, e em toda parte
Se afoga a cerimônia da inocência;
Hesitam os melhores, e os piores
Estão cheios de acesa intensidade.
Por certo é próximo um desvelamento;
Por certo é próxima a Segunda Vinda.
Segunda Vinda! Ah, mal o pronuncio,
E vasta imagem do Spiritus Mundi
Turva meu olho: algures, no deserto,
Uma forma de leão com rosto de homem –
Olhar vazio e duro como o sol –
As lentas coxas move, enquanto em volta
Pairam sombras de pássaros irados.
Desce a treva outra vez; mas sei agora
Que vinte séculos de um sono pétreo
Levou ao pesadelo um simples berço;
E, chegada a ocasião, que rude fera
Se arrasta até Belém para nascer?
.
Quando estiveres velha e grisalha, e cabeceares
De sono à beira da lareira, pega este livro,
e lentamente lê, e sonha com a aparência suave
Que tinham outrora teus olhos, e suas sombras densas;
Muitos amaram teus momentos de alegre graça,
e tua beleza, com falso ou vero amor,
Mas um homem amou a alma peregrina em ti,
E as mágoas de teu rosto sempre a mudar.
De sono à beira da lareira, pega este livro,
e lentamente lê, e sonha com a aparência suave
Que tinham outrora teus olhos, e suas sombras densas;
Muitos amaram teus momentos de alegre graça,
e tua beleza, com falso ou vero amor,
Mas um homem amou a alma peregrina em ti,
E as mágoas de teu rosto sempre a mudar.
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