sábado, 28 de janeiro de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria

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A SEGUNDA VINDA  - William Butler Yeats

A girar e a girar, num amplo círculo,

O falcão já não ouve o falcoeiro:

As coisas desmoronam, sem um centro;

Mera anarquia alastra-se no mundo;

Cresce uma onda de sangue, e em toda parte

Se afoga a cerimônia da inocência;

Hesitam os melhores, e os piores

Estão cheios de acesa intensidade.


Por certo é próximo um desvelamento;

Por certo é próxima a Segunda Vinda.

Segunda Vinda! Ah, mal o pronuncio,

E vasta imagem do Spiritus Mundi

Turva meu olho: algures, no deserto,

Uma forma de leão com rosto de homem –

Olhar vazio e duro como o sol –

As lentas coxas move, enquanto em volta

Pairam sombras de pássaros irados.

Desce a treva outra vez; mas sei agora

Que vinte séculos de um sono pétreo

Levou ao pesadelo um simples berço;

E, chegada a ocasião, que rude fera

Se arrasta até Belém para nascer?
.
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Quando estiveres velha e grisalha, e cabeceares
De sono à beira da lareira, pega este livro,
e lentamente lê, e sonha com a aparência suave
Que tinham outrora teus olhos, e suas sombras densas;

Muitos amaram teus momentos de alegre graça,
e tua beleza, com falso ou vero amor,
Mas um homem amou a alma peregrina em ti,
E as mágoas de teu rosto sempre a mudar.

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