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Mete dó, vermos perder-se muita da nossa Memória-colectiva, apenas por uma questão de incúria. É certo que herdámos uma pesada-herança de património da nossa Época-dourada, para o qual os actuais Estado e Autarquias não têm possibilidades de acorrer na totalidade : Muitos Mosteiros e Conventos, abandonados pelas Ordens-religiosas, foram adaptados a Escolas, Hospitais, Lares, Tribunais, etc.; Muitos dos Palacetes e Chalets, abandonados pela Nobreza e pela Burguesia, foram transformados em Centros-de-Dia, Bibliotecas, Museus, Centros Culturais, etc. Mas, para além das dispendiosas obras de recuperação, há toda uma série de custos de manutenção e funcionamento, que são incomportáveis para o Erário-público.

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Seria através da esfera-privada que se conseguiria a tão desejada reabilitação desses nobres Edifícios mas, com excepção de algumas adaptações a Turismo-de-Habitação, Sedes-de-Empresas ou Pousadas, pouco se vê fazer nesse sentido : A maioria dos nossos Construtores-Civis não passam de "patos-bravos", sem qualquer Cultura ou sensibilidade (para não deixarem ruir pedaços da nossa História, feitos de forma que já ninguém, hoje em dia, sabe imitar, e com materiais que não existem mais). Preferem construir mamarrachos (tipo caixote - que é tudo o que sabem fazer), a adquirirem conhecimentos na recuperação de antiguidades, pois apenas conseguem vislumbrar o Lucro-imediato.
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Competiria ao Estado dar-lhes incentivos-fiscais para que, já que só pensam em dinheiro, se tentarem a investir nessa Área (salvaguardando a traça original dos Imóveis); O último Governo ainda chegou a equacionar promover a reabilitação-urbana; Mas, com este, tudo acabou por cair em saco-roto.
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Já que andam a inventar trabalhos, para darem dinheiros-públicos a ganhar aos Empreiteiros (em arranjos urbanísticos modernaços, de mau-gosto e reduzida utilidade), mais valia que empregassem essas verbas na reabilitação do nosso Património, com o que todos ganharíamos !
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erE assim se vão deixando arruinar, a pouco-e-pouco, pedaços da nossa Memória...

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Se me saísse uma grossa maquia, aplicá-la-ia na reconstrução e restauro desses Edifícios, para sua posterior cedência a Instituições-Culturais ou de Solidariedade-Social.
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Picareta Escribante