Fala Também TuFala também tu, fala em último lugar, diz a tua sentença.
Fala — Mas não separes o Não do Sim. Dá à tua sentença igualmente o sentido: dá-lhe a sombra.
Dá-lhe sombra bastante, dá-lhe tanta quanta exista à tua volta repartida entre a meia-noite e o meio-dia e a meia-noite.
Olha em redor: como tudo revive à tua volta! — Pela morte! Revive! Fala verdade quem diz sombra.
Mas agora reduz o lugar onde te encontras: Para onde agora, oh despido de sombra, para onde?
Sobe. Tacteia no ar. Tornas-te cada vez mais delgado, irreconhecível, subtil! Mais subtil: um fio, por onde a estrela quer descer: para em baixo nadar, em baixo, onde pode ver-se a cintilar: na ondulação das palavras errantes.
Paul Celan, in "De Limiar em Limiar" Tradução de João Barrento e Y. K. Centeno
Como se ama o silêncio, a luz, o aroma,
O orvalho numa flor, nos céus a estrela,
No largo mar a sombra de uma vela,
Que lá no extremo do horizonte aponta;
Como se ama o clarão da branca lua,
Da noite a mudez os sons da flauta,
As canções saudosíssimas do nauta,
Quando em mole vai e vem a nau flutua;
Como se ama das aves o gemido,
Da noite as sombras e do dia as cores,
Um céu com luzes, um jardim com flores,
Um canto quase em lágrimas sumido;
Como se ama o crepúsculo da aurora,
O manso vento que nos bosques rondeia,
O sussurro da fonte que passeia,
Uma imagem risonha e sedutora;
Como se ama o calor e a luz querida,
A harmonia, o frescor, os sons, os céus,
Silêncios e cores, perfumes e vida,
Os pais e a pátria e a virtude e a Deus.
Assim eu te amo, assim; mais do que podem
Dizer-te os lábio meus, - mais do que vale
Cantar a voz do trovador cansada:
O que é belo, o que é justo, santo e grande
Amo em tí. - Por tudo quanto sofro,
Por quando já sofri, por quanto ainda
Me resta sofrer, por tudo eu te amo!
Talvez por seres, para mim, a imagem da quietude fatal, vem, sê bem-vinda. Ó Tarde! E - quando te corteja a aragem e os cirros estivais e quando, ainda,
trazes do ar nebuloso trevas que agem sobre o mundo, ao tremor de luz que finda, e me acolhes, na mais secreta viagem da alma - eu te sinto, assim tão suave e linda.
Conduzes minha mente, numa prece, ao eterno vazio; e o tempo ruim foge e leva consigo e faz que cesse
a ânsia que me envolvia. A paz, enfim! E, enquanto a paz me deixas, adormece o espírito feroz que há dentro em mim.
Era muito cedo, pela manhã, as ruas estavam limpas e vazias, eu ia à estação. Ao verificar a hora em meu relógio com a do relógio de uma torre, vi que era muito mais tarde do que eu acreditara, tinha que apressar-me bastante; o susto que me produziu esta descoberta me fêz perder a tranquilidade, não me orientava ainda muito bem naquela cidade. Felizmente havia um policial nas proximidades, fui até ele e perguntei-lhe, sem fôlego, qual era o caminho. Sorriu e disse: -Por mim queres conhecer o caminho? -Sim - disse -, já que não posso encontrá-lo por mim mesmo. -Renuncia, renuncia - disse e voltou-se com grande ímpeto, como as pessoas que querem ficar a sós com o seu riso.
Vem, serenidade! Vem cobrir a longa fadiga dos homens, este antigo
desejo de nunca ser feliz a não ser pela dupla humidade das bocas.
Vem, serenidade! Faz com que os beijos cheguem à altura dos ombros
e com que os ombros subam à altura dos lábios, faz com que os lábios
cheguem à altura dos beijos. Carrega para a cama dos desempregados todas
as coisas verdes, todas as coisas vis fechadas no cofre das águas: os
corais, as anémonas, os monstros sublunares, as algas, porque um fio de
prata lhes enfeita os cabelos.
Vem, serenidade, com o país veloz e virginal das ondas, com o
martírio leve dos amantes sem Deus, com o cheiro sensual das pernas no
cinema, com o vinho e as uvas e o frémito das virgens, com o macio ventre
das mulheres violadas, com os filhos que os pais amaldiçoam, com as
lanternas postas à beira dos abismos, e os segredos e os ninhos e o feno e
as procissões sem padre, sem anjos e, contudo com Deus molhando os olhos e
as esperanças dos pobres.
Vem, serenidade, com a paz e a guerra derrubar as selvagens
florestas do instinto.
Vem, e levanta palácios na sombra. Tem a paciência de quem deixa
entre os lábios um espaço absoluto.
Vem, e desponta, oriunda dos mares, orquídea fresca das noites
vagabundas, serena espécie de contentamento, surpresa, plenitude.
Vem dos prédios sem almas e sem luzes, dos números irreais de todas as
semanas, dos caixeiros sem cor e sem família, das flores que rebentam
nas mãos dos namorados dos bancos que os jardins afogam no silêncio, das
jarras que os marujos trazem sempre da China, dos aventais vermelhos com que
as mulheres esperam a chegada da força e da vertigem.
Vem, serenidade, e põe no peito sujo dos ladrões a cruz dos crimes sem
cadeia, põe na boca dos pobres o pão que eles precisam, põe nos olhos
dos cegos a luz que lhes pertence.
Vem nos bicos dos pés para junto dos berços, para junto das campas dos
jovens que morreram, para junto das artérias que servem de campo para o
trigo, de mar para os navios.
Vem, serenidade! E do salgado bojo das
tuas naus felizes despeja a confiança, a grande confiança. Grande como
os teus braços, grande serenidade!
E põe teus pés na terra, e deixa que outras vozes se comovam contigo
no Outono, no Inverno, no Verão, na Primavera.
Vem, serenidade, para que se não fale nem da paz nem da guerra nem de
Deus, porque foi tudo junto e guardado e levado para a casa dos
homens.
Vem, serenidade, vem com a madrugada, vem com os anjos de ouro que
fugiram da Lua, com as nuvens que proíbem o céu, vem com o nevoeiro.
Vem com as meretrizes que chamam da janela, o volume dos corpos saciados
na cama, as mil aparições do amor nas esquinas, as dívidas que os pais
nos pagam em segredo, as costas que os marinheiros levantam quando
arrastam o mar pelas ruas.
Vem, serenidade, e lembra-te de nós, que te esperamos há séculos sempre
no mesmo sítio, um sítio aonde a morte tem todos os direitos.
Lembra-te da miséria dourada dos meus versos, desta roupa de imagens que
me cobre o corpo silencioso, das noites que passei perseguindo uma
estrela, do hálito, da fome, da doença, do crime, com que dou vida e
morte a mim próprio e aos outros.
Vem, serenidade, e acaba com o vício de plantar roseiras no duro chão
dos dias, vicio de beber água com o copo do vinho milagroso do sangue.
Vem, serenidade, não apagues ainda a lâmpada que forra os cantos do
meu quarto, o papel com que embrulho meus rios de aventura em que vai
navegando o futuro.
Vem, serenidade! E pousa, mais serena que as mãos
de minha Mãe, mais úmida que a pele marítima do cais, mais branca que o
soluço, o silêncio, a origem, mais livre que uma ave em seu voo, mais
branda que a grávida brandura do papel em que escrevo, mais humana e alegre
que o sorriso das noivas, do que a voz dos amigos, do que o sol nas
searas.
De manhã, quando as carroças de hortaliça chiam por dentro da lisa e
sonolenta tarefa terminada, quando um ramo de flores matinais é uma
ofensa ao nosso limitado horizonte, quando os astros entregam ao carteiro
surpreendido mais um postal da esperança enigmática, quando os tacões
furados pelos relógios podres, pelas tardes por trás das grades e dos muros,
pelas convencionais visitas aos enfermos, formam, em densos ângulos de
humano desespero, uma nuvem que aumenta a vã periferia que rodeia a
cidade, é então que eu te peço como quem pede amor:
Vem, serenidade! Com a medalha, os gestos e os teus olhos azuis, vem,
serenidade!
Com as horas maiúsculas do cio, com os músculos inchados
da preguiça, vem, serenidade!
Vem, com o perturbante mistério dos cabelos, o riso que não é da boca nem
dos dentes mas que se espalha, inteiro, num corpo alucinado de
bandeira.
Vem, serenidade, antes que os passos da noite vigilante arranquem as
primeiras unhas da madrugada, antes que as ruas cheias de corações de gás
se percam no fantástico cenário da cidade, antes que, nos pés dormentes
dos pedintes, a cólera lhes acenda brasas nos cinco dedos, a revolta
semeie florestas de gritos e a raiva vá partir as amarras diárias.
Vem, serenidade, leva-me num vagão de mercadorias, num convés de
algodão e borracha e madeira, na hélice emigrante, na tábua azul dos peixes,
na carnívora concha do sono.
Leva-me para longe deste bíblico espaço, desta confusão abúlica dos
mitos, deste enorme pulmão de silêncio e vergonha.
Longe das sentinelas de mármore que exigem passaporte a quem passa.
A bordo, no porão, conversando com velhos tripulantes descalços,
crianças criminosas fugidas à policia, moços contrabandistas,
negociantes mouros, emigrados políticos que vão em busca da perdida
liberdade,
Vem, serenidade, e leva-me contigo. Com ciganos comendo amoras e
limões, e música de harmónio, e ciúme, e vinganças, e subindo nos ares o
livre e musical facho rubro que une os seios da terra ao Sol.
Vem, serenidade! Os comboios nos esperam. Há famílias inteiras com o
jantar na mesa, aguardando que batam, que empurrem, que irrompam pela
porta levíssima, e que a porta se abra e por ela se entornem os frutos e
a justiça.
Serenidade, eu rezo: Acorda minha Mãe quando ela dorme, quando ela tem
no rosto a solidão completa de quem passou a noite perguntando por mim,
de quem perdeu de vista o meu destino.
Ajuda-me a cumprir a missão de poeta, a confundir, numa só e lúcida
claridade, a palavra esquecida no coração do homem.
Vem, serenidade, e absolve os vencidos, regulariza o trânsito
cardíaco dos sonhos e dá-lhes nomes novos, novos ventos, novos portos,
novos pulsos.
E recorda comigo o barulho das ondas, as mentiras da fé, os amigos
medrosos, os assombros da índia imaginada, o espanto aprendiz da nossa
fala, ainda nossa, ainda bela, ainda livre destes montes altíssimos que
tapam as veias ao Oceano.
Vem, serenidade, e faz que não fiquemos doentes, só de ver que a beleza
não nasce dia a dia na terra.
E reúne os pedaços dos espelhos
partidos, e não cedas demais ao vislumbre de vermos a nossa idade
exata outra vez paralela ao percurso dos pássaros.
E dá asas ao peso da melancolia, e põe ordem no caos e carne nos
espetros, e ensina aos suicidas a volúpia do baile, e enfeitiça os dois
corpos quando eles se apertarem, e não apagues nunca o fogo que os
consome. o impulso que os coloca, nus e iluminados, no topo das montanhas,
no extremo dos mastros na chaminé do sangue.
Serenidade, assiste à multiplicação original do Mundo: Um manto
terníssimo de espuma, um ninho de corais, de limos, de cabelos, um
universo de algas despidas e retráteis, um polvo de ternura deliciosa e
fresca.
Vem, e compartilha das mais simples paixões, do jogo que jogamos
sem parceiro, dos humilhantes nós que a garganta irradia, da suspeita
violenta, do inesperado abrigo.
Vem, com teu frio de esquecimento, com tua alucinante e alucinada mão,
e põe, no religioso ofício do poema, a alegria, a fé, os milagres, a
luz!
Vem, e defende-me da traição dos encontros, do engano na presença de
Aquele cuja palavra é silêncio, cujo corpo é de ar, cujo amor é
demais absoluto e eterno para ser meu, que o amo.
Para sempre irreal, para sempre obscena, para sempre inocente,
Serenidade, és minha.
Thalaba, el Destructor.Thalaba, the Destroyer. Robert Southey (1774-1843)
¡Un ocaso de tinieblas y tormenta! Dentro de la cripta Thalaba depositó al anciano, para protegerle de la lluvia. ¡Una noche de tormenta! El viento azotaba el cielo sin luna, y gemía entre los sepulcros; y en las pausas de su azote oían el caer de la densa lluvia sobre el monumento. En silencio, sobre la tumba de Oneiza su padre y su esposo se hastiaban. El almacín desde el minarete cantó la medianoche. ¡Ahora, ahora!, gritó Thalaba; y sobre la cripta de la tumba creció un pálido resplandor, como los reflejos de un fuego áureo; y en esta espantosa luz Oneiza se apareció. Era ella, Las mismas facciones alteradas por la muerte, lívidas mejillas, labios azulados; pero en sus ojos aparecía un brillo más terrible que todo el espanto de la muerte. ¿Vives aún, infeliz?, preguntó con trémula voz a Thalaba; ¿y debo abandonar cada noche mi tumba para decirte, en vano, que Dios te ha abandonado? -¡No es ella! -exclamó el anciano-, ¡es un espectro, sólo un espectro! Y dirigiéndose al joven que empuñaba la lanza: -¡Arrójasela tú mismo! -¡Arrójala! -, gritó Thalaba, y, desprovisto de toda fuerza, clavó sus ojos en la terrible forma. -¡Sí, arrójala! -, gritó una voz cuyo tono inundó su alma con tanto alivio como la lluvia sobre el desierto de la muerte. Pero, obediente a esa voz familiar, fijó sus ojos en aquello, cuando Moath, de firme corazón, efectuó el lanzamiento: a través del cadáver del vampiro voló la lanza, cayó, y gimiendo por el dolor de la herida su diabólico morador huyó. Una azulada luz cayó sobre ellos, e inundados de gloria, ante sus ojos el espíritu de Oneiza descansó.
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"AOS QUE VIRÃO DEPOIS DE NÓS" - BERTOLT BRECHT :
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Eu vivo em tempos sombrios. Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez, Uma testa sem rugas é sinal de indiferença. Aquele que ainda ri é porque ainda não recebeu a terrível notícia.
Que tempos são esses, Quando falar sobre flores é quase um crime. Pois significa silenciar sobre tanta injustiça? Aquele que cruza tranqüilamente a rua Já está então inacessível aos amigos Que se encontram necessitados?
É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver. Mas acreditem: é por acaso. Nada do que eu faço Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome. Por acaso estou sendo poupado. (Se a minha sorte me deixa estou perdido!)
Dizem-me: come e bebe! Fica feliz por teres o que tens! Mas como é que posso comer e beber, Se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome? Se o copo de água que eu bebo, faz falta a quem tem sede? Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.
Eu queria ser um sábio. Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria: Manter-se afastado dos problemas do mundo E sem medo passar o tempo que se tem para viver na terra; Seguir seu caminho sem violência, Pagar o mal com o bem, Não satisfazer os desejos, mas esquecê-los. Sabedoria é isso! Mas eu não consigo agir assim. É verdade, eu vivo em tempos sombrios!
II
Eu vim para a cidade no tempo da desordem, Quando a fome reinava. Eu vim para o convívio dos homens no tempo da revolta E me revoltei ao lado deles. Assim se passou o tempo Que me foi dado viver sobre a terra. Eu comi o meu pão no meio das batalhas, Deitei-me entre os assassinos para dormir, Fiz amor sem muita atenção E não tive paciência com a natureza. Assim se passou o tempo Que me foi dado viver sobre a terra.
III
Vocês, que vão emergir das ondas Em que nós perecemos, pensem, Quando falarem das nossas fraquezas, Nos tempos sombrios De que vocês tiveram a sorte de escapar.
Nós existíamos através da luta de classes, Mudando mais seguidamente de países que de sapatos, desesperados! Quando só havia injustiça e não havia revolta.
Nós sabemos: O ódio contra a baixeza Também endurece os rostos! A cólera contra a injustiça Faz a voz ficar rouca! Infelizmente, nós, Que queríamos preparar o caminho para a amizade, Não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos. Mas vocês, quando chegar o tempo Em que o homem seja amigo do homem, Pensem em nós Com um pouco de compreensão.
Amo-te por sobrancelhas, por cabelo, debato-te em corredores branquísimos onde se jogam as fontes da luz, Discuto-te a cada nome, arranco-te com delicadeza de cicatriz, vou pondo no teu cabelo cinzas de relâmpago e fitas que dormiam na chuva.
Não quero que tenhas uma forma, que sejas precisamente o que vem por trás de tua mão, porque a água, considera a água, e os leões quando se dissolvem no açúcar da fábula, e os gestos, essa arquitectura do nada, acendendo as lâmpadas a meio do encontro.
Tudo amanhã é a ardósia onde te invento e desenho. pronto a apagar-te, assim não és, nem tampouco com esse cabelo liso, esse sorriso.
Procuro a tua súmula, o bordo da taça onde o vinho é também a lua e o espelho, procuro essa linha que faz tremer um homem numa galería de museu.
A NoiteMas a noite ventosa, a noite límpida que a lembrança somente aflorava, está longe, é uma lembrança. Perdura uma calma de espanto, feita também ela de folhas e de nada. Desse tempo mais distante que as recordações apenas resta um vago recordar.
As vezes volta à luz do dia, na imóvel luz dos dias de Verão, aquele espanto remoto.
Pela janela vazia o menino olhava a noite nas colinas frescas e negras, e espantava-se de as ver assim tão juntas: vaga e límpida imobilidade. Entre a folhagem que sussurrava na escuridão, apareciam as colinas onde todas as coisas do dia, as ladeiras e as árvores e os vinhedos, eram nítidas e mortas e a vida era outra, de vento, de céu, e de folhas e de coisa nenhuma.
Às vezes regressa na imóvel calma do dia a recordação daquele viver absorto, na luz assombrada.
Cesare Pavese, in 'Trabalhar Cansa' Tradução de Carlos Leite
De um sonho escultural tenho a beleza rara, E o meu seio, — jardim onde cultivo a dor, Faz despertar no Poeta um vivo e intenso amor, Com a eterna mudez do marmor' de Carrara
Sou esfinge subtil no Azul a dominar, Da brancura do cisne e com a neve fria; Detesto o movimento, e estremeço a harmonia; Nunca soube o que é rir, nem sei o que é chorar.
O Poeta, se me vê nas atitudes fátuas Que pareço copiar das mais nobres estátuas, Consome noite e dia em estudos ingentes..
Tenho, p'ra fascinar o meu dócil amante, Espelhos de cristal, que tornaram deslumbrante A própria imperfeição: — os meus olhos ardentes!
NAQUELA ROÇA GRANDE NÃO TEM CHUVA É O SUOR DO MEU ROSTO QUE REGA AS PLANTAÇÕES NAQUELA ROCA GRANDE TEM CAFÉ MADURO E AQUELE VERMELHO-CEREJA SÃO GOTAS DO MEU SANGUE FEITAS SEIVA.
O CAFÉ VAI SER TORRADO PISADO, TORTURADO, VAI FICAR NEGRO, NEGRO DA COR DO CONTRATADO. NEGRO DA COR DO CONTRATADO! PERGUNTEM ÀS AVES QUE CANTAM, AOS REGATOS DE ALEGRE SERPENTEAR E AO VENTO FORTE DO SERTÃO:
QUEM SE LEVANTA CEDO? QUEM VAI À TONGA? QUEM TRAZ PELA ESTRADA LONGA A TIPÓIA OU O CACHO DE DENDÉM? QUEM CAPINA E EM PAGA RECEBE DESDÉM
QUEM? QUEM FAZ O MILHO CRESCER E OS LARANJAIS FLORESCER - QUEM?
QUEM DÁ DINHEIRO PARA O PATRÃO COMPRAR MAQUINAS, CARROS, SENHORAS E CABEÇAS DE PRETOS PARA OS MOTORES? QUEM FAZ O BRANCO PROSPERAR, TER BARRIGA GRANDE - TER DINHEIRO? - QUEM?
E AS AVES QUE CANTAM, OS REGATOS DE ALEGRE SERPENTEAR E O VENTO FORTE DO SERTÃO RESPONDERÃO:
- "MONANGAMBÉÉÉ..."
AH! DEIXEM-ME AO MENOS SUBIR ÀS PALMEIRAS DEIXEM-ME BEBER MARUVO, MARUVO E ESQUECER DILUÍDO NAS MINHAS BEBEDEIRAS
UMA PRECE NAS TREVAS (de G.K. Chesterton) respeitosamente dedicado a Michelson Borges
Basta, ó Céu – gerar ou sonhar pudesse, Sem me polpar; que o mundo se alimente, Sim, se louco eu me mate realmente, Vê que a erva sobre o meu sepulcro cresce.
Se rosno entre este sol e solo meus Queixa e rogo, acenda e eu tenha na mão, Ante sol, chuva e fruto da estação, A mudez fúlgea do desdém de Deus.
Por Deus, astros me estão além da força; Se me viesse a dor em noite de ira, Nenhuma mariposa se ferira, E o imprecar não faz com que a flor se torça.
Que se apagara o sol, cada um dizia: Mas, no Calvário, a mente ainda fulgura: Ele, penso em madeiro de tortura, Ao ouvir grilos em canto, ali sorria.
Diario de un Ratón de Iglesia .Aquí entre casullas largo tiempo abandonadas, bancos podridos y escabeles a medio quebrar, aquí donde el vicario nunca mira yo mastico entre viejos misales.
. Acuclillado y solo paso mis días detrás de este paño de la Iglesia de Inglaterra. Comparto mi oscura y olvidada pieza con dos lámparas de aceite y media escoba.
. El que limpia nunca me molesta así que aquí, frugal, me tomo el té. Mi pan es aserrín mezclado con paja; mi mermelada es limpiador de piso.
. Pascua y Navidad podrán ser un festín para curas y congregaciones y quizá también Pentecostés. Todos lo mismo, ninguno me llena mi flaca estampa.
. Para mí el único festín en realidad es el Festival de la Cosecha, en otoño en que puedo satisfacerme a voluntad con jarras de trigo alrededor de la pila.
. Escalo la cabeza de bronce del águila para cavar a través de una hogaza de pan. Me trepo por la escalera del púlpito y mordisqueo las médulas que cuelgan de ahí.
. Es agradable disfrutar estos artículos antes de que se vayan al tacho, pero qué molesto cuando uno se encuentra con que otros ratones de mentes paganas
. se meten a la iglesia para compartir mi comida cuando no tienen nada que hacer acá. Dos ratones de campo con ningún deseo de ser bautizados invaden el coro.
. Una rata enorme y realmente poco amistosa viene a ver en qué andamos. Dice pensar que Dios no existe pero igual viene... es muy extraño.
. Este año se robó un manojo de trigo (frente al sitial de nuestro predicador) y prósperos ratones de campos lejanos vienen a escuchar tocar el órgano
. y ocultos bajo sus notas comen a través del fardo de avena del altar. Un ratón de Baja Iglesia[1], que cree que yo soy demasiado papista, y Alta,
. sin embargo no cree erróneo masticar sonoramente durante la Oración de la Tarde mientras yo, que paso hambre todo el año, tengo que compartir mi comida con roedores
.que excepto en esta época ni se aparecen por la iglesia.
. Yo sé que dentro del mundo humano eso no podría ser, porque los seres humanos sólo hacen lo que su religión les dice.
. Leen la Biblia todos los días y rezan siempre, mañana y noche e igual que yo, el buen ratón de iglesia adoran al Señor en su Casa,
. pero de todos modos me extraña cuán llena puede estar la iglesia con gente que nunca veo, excepto para el Festival de la Cosecha.