quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Alphonse de Lamartine

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L'automne - Alphonse de Lamartine :
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                             O Outono


Salve, bosque coroado dum resto de verdura!
Folhagens amarelentas na relva esparsa;
Salve, derradeiros dias! O luto da natureza
Convém à dor e agrada aos meus olhos.

Sigo com passo sonhador o atalho solitário;
Amo rever ainda, pela última vez,
Este sol pálido, do qual a tênue luz
Mal me chega aos pés na obscuridade dos bosques.

Sim nestes dias de outono ,onde a natureza expira,
Encontro mais atrativos em seus olhares velados;
De um amigo é o adeus, é o derradeiro sorrsio
que dos lábios a morte vai fechar para sempre.

Assim prestes a deixar da vida o horizonte,
Em meus longos dias chorando a desvanecida esperança,
Mais uma vez retorno e, com um olhar de inveja,
Estes bens dos quais não desfrutei contemplo.

Terra, sol, vales, bela e doce natureza,
Uma lágrima vos devo à beira do meu túmulo.

O ar perfumado está! tão pura é a luz!
Aos olhos dum moribundo é mais belo o sol!

Agora desejava, até ao fundo esvaziar,
misturado de néctar e de fel, este cálice:
Ao fundo desta taça, uma gota de mel!

Quem sabe o futuro reservasse ainda
Uma vez mais a felicidade da qual se perde a esperança!
Quiçá, na multidão, uma alma que não conheço
Minh’alma teria compreendido e uma resposta me daria !...

Cai a flor entregando ao zéfiro seus perfumes;
À vida, ao sol, apenas sobram adeuses;
Eu, morro, sim, e minh’alma, no instante em que expira,
Qual plangente e melodioso som se exala..

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Rafael Alberti

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- Rafael Alberti :

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BALADA PARA LOS POETAS ANDALUCES DE HOY


¿Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
¿Qué miran los poetas andaluces de ahora?
¿Qué sienten los poetas andaluces de ahora?


Cantan con voz de hombre, ¿pero dónde los hombres?
Con ojos de hombre miran, ¿pero dónde los hombres?
Con pecho de hombre sienten, ¿pero dónde los hombres?


Cantan, y cuando cantan parece que están solos.
Miran, y cuando miran parece que están solos.
Sienten, y cuando sienten parece que están solos.


¿Es que ya Andalucía se ha quedado sin nadie?
¿Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?
¿Que en los mares y campos andaluces no hay nadie?


¿No habrá ya quien responda a la voz del poeta?
¿Quien mire al corazón sin muros del poeta?
¿Tantas cosas han muerto que no hay más que el poeta?


Cantad alto. Oiréis que oyen otros oídos.
Mirad alto. Veréis que miran otros ojos.
Latid alto. Sabréis que palpita otra sangre.


No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo
encerrado. Su canto asciende a más profundo
cuando, abierto en el aire, ya es de todos los hombres.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Heiner Muller

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Heiner Muller :
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A FELICIDADE DO MEDO

Para a Ana

Às vezes entre a noite e a manhã
Vejo os cães rodearem-te
Cães com os dentes à mostra
E tu deitas as mãos às suas patas
E ris nos seus dentes
E eu acordo a transpirar de medo
E sei que te amo.
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Versão de Luís COSTA

domingo, 27 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Adolfo Caminha

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Adolfo Caminha :
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No Banho
Ninfas do bosque, Naiades formosas,
Sátiros, Faunos, vinde vê-la agora,
Nua, no banho, esta ideal senhora,
Que em beleza e frescura excede as rosas.

Vinde todos depressa!... Ei-la que cora,
Ei-la que solta as tranças graciosas
Sobre as espáduas níveas, capitosas...
Ei-la que treme à loura luz da aurora...

Tinge-se o céu de cores purpurinas,
O sol desponta; as tímidas boninas
Mostram à luz os cálices dourados.

Vêde-as, Ninfas, agora: os nacarados
Lábios, os seios túmidos, nevados,
Segredam coisas ideais, divinas.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Carl Sandburg

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Carl Sandburg :
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Sopa
Vi um homem famoso comer sopa.
Vi que levava à boca o gorduroso caldo
com uma colher
Todos os dias o seu nome aparecia nos jornais
em grandes parangonas
e milhares de pessoas era dele que falavam.
Mas quando o vi,
estava sentado, com o queixo enfiado no prato,
e levava a sopa à boca
Com uma colher.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Gabriela Mistral

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La casa - Gabriela Mistral  :
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A Casa :
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A mesa, filho, está posta
em brancura quieta de nata,
e em quatro muros que mostram sua cor azul
dando brilhos, a cerâmica.
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Este é o sal, este o azeite
e ao centro o Pão que quase fala.
Ouro mais lindo que ouro do Pão
não está nem em fruta nem em retama,
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e do seu cheiro de espiga e forno
uma fortuna que nunca sacia.
O partimos, filhinho, juntos,
com dedos duros e palma branda,
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e tu o olhas assombrada
de terra preta que dá flor branca.
Abaixada a mão de comer,
que tua mãe também a abaixa.
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Os trigos, filho, são do ar,
e são do sol e da enxada;
porém este Pão "cara de Deus"*
não chega as mesas das casas;
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e se outras crianças não o tem,
melhor, meu filho, não o tocares,
e não tomá-lo melhor seria
com mão e mão envergonhadas
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*No Chile, o povo chama ao pão, de "cara de Deus"
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Gabriela Mistral (1889-1955), poetisa chilena, Nobel de Literatura de 1945.
Poema traduzido por: Teresa Almeida Pina.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Miguel de Unamuno

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Miguel de Unamuno :
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Qué Es Tu Vida, Alma Mía :
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¿Qué es tu vida, alma mía?, ¿cuál tu pago?,
¡Lluvia en el lago!
¿Qué es tu vida, alma mía, tu costumbre?
¡Viento en la cumbre!

¿Cómo tu vida, mi alma, se renueva?,
¡Sombra en la cueva!,
¡Lluvia en el lago!,
¡Viento en la cumbre!,
¡Sombra en la cueva!

Lágrimas es la lluvia desde el cielo,
y es el viento sollozo sin partida,
pesar, la sombra sin ningún consuelo,
y lluvia y viento y sombra hacen la vida.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Um Pensamento por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Johann Kaspar Lavater

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Johann Kaspar Lavater :
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"O que sempre fala e o que não fala nunca são igualmente inábeis para a amizade. "
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"Intuição é o entendimento claro do todo, de uma só vez."
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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Casimiro de Brito

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Se eu pudesse deixar de correr - Casimiro de Brito :
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Se eu pudesse deixar de correr :
Se eu pudesse deixar de correr
Caminhava se eu pudesse deixar de caminhar
Sentava-me à sombra da nogueira azul do céu
Se eu pudesse deitar-me deitava-me
Numa cova com a forma do meu corpo em
Repouso se eu pudesse deixar de cantar
Fechava os olhos e olhava o alto vazio
Onde não acontece nada a não ser
A conciliação provisória do caos
E da luz que não se cansa de nascer.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Rudyard Kipling

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Rudyard Kipling :
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Viver é arriscar-se :
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Rir é arriscar-se
a parecer doido...

Chorar é arriscar-se
a parecer sentimental.

Estender a mão é arriscar-se
a se comprometer.

Mostrar os seus sentimentos
é arriscar-se a se expor.

Dar a conhecer as suas idéias, os seus sonhos, é arriscar-se a ser rejeitado.

Amar é arriscar-se a não ser retribuído no amor.

Viver é arriscar-se a morrer.

Esperar é arriscar-se a se desesperar.
Tentar é arriscar-se a falhar...

Mas devemos nos arriscar!

O maior perigo na vida está
em não arriscar.

Aquele que não arrisca nada...

Não faz nada...
Não tem nada...


 

domingo, 20 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Andres Bello

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Andres Bello :
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DIOS ME TENGA EN GLORIA
A la falsa noticia de la muerte de Mac-Gregor.

Lleno de susto un pobre cabecilla
leyendo estaba en oficial gaceta,
cómo ya no hay lugar que no someta
el poder invencible de Castilla.

De insurgentes no queda ni semilla;
a todos destripó la bayoneta,
y el funesto catálogo completa
su propio nombre en letra bastardilla.

De cómo fue batido, preso y muerto,
y cómo me le hicieron picadillo,
dos y tres veces repasó la historia;

Tanto, que, al fin, teniéndolo por cierto,
exclamó compungido el pobrecillo:
-¿Conque es así? -Pues Dios me tenga en gloria.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Fabrício Carpinejar

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Fabrício Carpinejar :
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Adega       do        sono      –         poema     5      
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Dividias os gomos da fruta 
em aposentos da casa.
A cortina do sumo 
leveda o sol levantado.
O zodíaco do molde
supre o gérmen do quarto.
E o bafio estala 
a lareira das esferas 
na sala de estar
da semente.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Sylvia Plath

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"The Stones" - Sylvia Plath :
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As Pedras
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Esta é a cidade onde os homens se consertam.
Repouso num grande leito.
O raso e azul círculo celeste
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Voou como o chapéu de uma boneca
Quando abandonei a luz. Entrei
No estômago da indiferença, o armário mudo.
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O maior dos almofarizes diminuiu-me.
Tornei-me num seixo imóvel.
As pedras da barriga estavam tranquilas,
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A lápide (2) serena, nada a perturbava.
Só a abertura da boca (3) sibilava,
Grilo inoportuno
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Numa pedreira de silêncios.
As pessoas da cidade ouviram-no.
Procuraram as pedras, taciturnas e separadas,
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A abertura da boca gritava as localizações.
Ébria como um feto
Sugo a polpa das trevas.
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Os tubos de alimentação abraçam-me. Esponjas beijam-me e retiram-me os líquenes.
O joalheiro manuseia o cinzel, descerra
E força a abertura de um olho de pedra.
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Isto é o pós-inferno: vejo a luz.
Um vento abre a câmara
Do ouvido, esse velho preocupado.
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Água apazigua o lábio de sílex,
E a luz do dia derrama a sua monotonia na parede.
Os enxertadores estão alegres,
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Aquecendo as tenazes, içando os delicados martelos.
Uma corrente agita os fios
Volt após volt. Pontos remendam-me as fissuras.
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Um operário passa trazendo um torso róseo.
Corações enchem os armazéns.
Esta é a cidade das peças sobresselentes.
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As minhas pernas e braços enfaixados emanam um doce cheiro a borracha.
Aqui eles recompõem cabeças ou qualquer membro.
Às sextas, as crianças vêm
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Trocar os seus ganchos por mãos.
Os mortos deixam olhos para outros.
O amor é o uniforme da minha enfermeira calva.
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O amor é o osso e tendão da minha praga.
O vaso, reconstruído, abriga
A rosa esquiva.
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Dez dedos moldam uma taça para sombras.
Os meus remendos fazem comichão. Não se pode fazer nada, incomoda, mas
Ficarei como nova.
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(2) Trocadilho: head-stone significa lápide e Plath também insinua, “cabeça de pedra”.
(3) Literalmente, é a abertura da boca numa máscara (mouth-hole).
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David Furtado

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Débora Duarte

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Poema Para Toniquinho - Débora Duarte :
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"Era uma vez... um homem
Que tentava cativar...
Atravessava o dia desvairado,
Louco entre as obrigações.
À noite, não:
Ele voava pro quarto,
Se estendia no chão,
Falava com seu gato,
Respirava sonhos,
Aspirava pólens...
Um dia, quase virou flor!
No entanto, ele sempre acordava
Antes que se desse o fim do sono,
Sempre suado, suando, lendo, recitando...
E dava pra dizer, dizer, dizer...
Falava sobre a tempestade
E a sua testa era salgada!
Não se acalmava nunca
E só se acalmaria docemente
Quando seu coração fizesse amor de corpo inteiro.
Era um homem que amava lento
E olhava nos olhos.
Depois, pra voltar a dormir,
Antes de chegar o fim do sono,
Ele abria a porta, a janela
E o peito ao vento.
Nada, nunca pedia!
Sendo, tudo teria!
Finalmente dormiria,
Que depois do fim se acorda,
Que o fim do sono
É bom dia!"

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Theophile Gautier

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Theophile Gautier :
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AFINIDADES SECRETAS :
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Sobre o frontão de um templo antigo,
dois blocos de mármore, olhando
o azul-anil do céu castiço,
esculpiram um sonho branco;

incrustadas no mesmo nácar,
depois que Vênus lá chorou,
duas pérolas segredaram
e o fundo do mar escutou;

por um jardim do verde Líbano,
irisada de gotas d'água,
a rosa não disse aos espinhos
o que eles não disseram à rosa;

sobre as cúpulas de Veneza,
dois pássaros brancos pousaram,
os mesmos que amor, com destreza,
deixou num tronco eternizados.

Mármor, pérola, rosa, ave,
tudo se vai, tudo se move;
funde a pérola, o mármor cai,
a rosa murcha, a ave foge.

Cada parcela, ao ir-se embora,
deságua no magma extremo
onde Deus bate na bigorna
a forma de tudo, e o desenho.

É mui lenta a metamorfose
do mármor branco em branca face,
da rosa em lábios cor-de-rosa,
do canto alado em verso táctil.

É o canto que reaparece
no coração de dois amantes,
e a perla que agora umedece
na boca de riso brilhante.

Daí nascem as simpatias
à doçura irrenunciável
que faz uma alma baldia
rever-se na cara metade.

Cedendo ao apelo do olfato,
à visão do brilho, ou da cor,
voa o átomo para o átomo,
como a abelha para a flor.

Ah, a memória dos devaneios
sob o frontão ou sobre o mar,
de frases partidas ao meio,
junto da fonte, à luz do luar,

de beijos e de asas que batem
em cúpulas de ouro puro,
e de moléculas que ardem,
e vão-se buscando no escuro.

Desperta o amor estiolado,
o que passou passa de novo,
rebenta a rosa sobre o lábio,
um olho pousa em outro olho.

Sobre o nácar, ou num sorriso,
a perla revê sua brancura;
num rosto delicado, liso,
o mármor o amor emoldura.

A voz da ave enfim ressoa,
eco abafado de um gemido,
todo obstáculo esboroa,
e o estranho se torna em amigo.

Ó tu, por quem eu ardo e passo,
que fonte, frontão ou roseira,
que cúpula viu nosso abraço,
perla ou mármor, flor ou abelha?
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Trad. Érico Nogueira

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - José Tolentino Mendonça

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FRAGMENTO - José Tolentino Mendonça :
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Fragmento do Livro da Sabedoria


A tua seta atirada ao alvo
fende o céu
e logo este se une

Poeira levada pelo vento
espuma dispersa pela tempestade
lembrança do viajante
que se demora apenas um dia

tudo é sombra que passa

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Paul Bourget

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BEAU SOIR - Paul Bourget :
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Quando os rios enrubescem no poente
e um leve tremor percorre os trigais
uma exortação de felicidade parece irromper das coisas
e subir-nos ao perturbado coração

é a exortação de saborear o encanto de estar no mundo
enquanto se é jovem e é bela a noite,
pois todos nos vamos, como vai esta onda:
ela para o mar, nós para a sepultura.

Trad. de Anthero Monteiro

domingo, 13 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Hermes Fontes

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Luar de Paquetá - Hermes Fontes :
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Nessas noites olorosas
quando o mar, desfeito em rosas
se desfolha à lua cheia
lembra a ilha um ninho oculto
onde o amor celebra em culto
todo o encanto que a rodeia
Nos canteiros ondulantes
as nereidas incessantes
abrem lírios ao luar
A água, em prece, burburinha
e, em redor da Capelinha
vai rezando o verbo amar
Jardim de afetos
pombal de amores!
Humildes tetos
de pescadores
Se a lua brilha
que bem nos dá
amar na ilha
de Paquetá
Pensamento de quem ama
hóstia azul fervendo em chama,
entre lábios separados
Pensamento de quem ama
leva o meu radiograma
ao jardim dos namorados!
Onde é esse Paraíso
o caminho que idealizo
na ascensão para esse altar?
Paquetá é um céu profundo
que começa neste mundo
mas não sabe onde acabar.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Dylan Thomas

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Do Not Go Gentle into That Good Night - Dylan Thomas :
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                       Não vá delicado nessa boa noite, 
                  A velhice deve queimar e raiva no fim do dia; 
                       Raiva, raiva contra a morte da luz.
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 Embora os homens sábios em final sabe escuro é certo,
Porque as suas palavras tinham nenhum relâmpago bifurcado eles
Não vá delicado nessa boa noite.
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Bons homens, a última onda, chorando por quão brilhante
Seus atos frágeis poderia ter dançado em uma baía verde,
Raiva, raiva contra a morte da luz.
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Bons homens, a última onda, chorando por quão brilhante
Their frail deeds might have danced in a green bay, Seus atos frágeis poderia ter dançado em uma baía verde,
Raiva, raiva contra a morte da luz.  Homens selvagens capturados e que cantava o sol em voo,
E aprender, tarde demais, que entristeceu-lo em seu caminho,
Não vá delicado nessa boa noite.  Homens graves, a morte perto, que vêem com vista deslumbrante
Olhos cegos poderia brilhar como meteoros e ser gay,
Raiva, raiva contra a morte da luz.  E você, meu pai, lá na altura triste,
Maldição, abençoa-me agora com suas lágrimas ferozes, eu oro.
Não vá delicado nessa boa noite.
Raiva, raiva contra a morte da luz.
 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Ana Cristina César

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"Tenho uma folha branca" - Ana Cristina César :
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Tenho uma folha branca
e limpa à minha espera:
mudo convite
tenho uma cama branca
e limpa à minha espera:
mudo convite
tenho uma vida branca
e limpa à minha espera

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Um Pensamento por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Gustave Flaubert

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Gustave Flaubert :
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 - Ser estúpido, egoísta e ter boa saúde, eis as condições ideais para se ser feliz. Mas se a primeira vos falta, tudo está perdido.
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 - A recordação é a esperança do avesso. Olha-se para o fundo do poço como se olhou para o alto da torre.
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 - O autor na sua obra, deve ser como Deus no universo, presente em toda a parte, mas não visível em nenhuma.
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- A igualdade é a escravatura. É por isso que amo a arte. Aí, pelo menos, tudo é liberdade neste mundo de ficções.
 
 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Tasso da Silveira

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Poema 17 - Tasso da Silveira :
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Esquece o tempo. O tempo não existe.
Acende a chama às límpidas lanternas.
Nossas almas, a ansiar no mundo triste,
são de uma mesma idade : são eternas.


Se no meu rosto lês mortais cansaços,
é natural. A luta foi renhida:
caminhei tantos passos, tantos passos
para que te encontrasse em minha vida...


Não medites o tempo. Se muito antes
de ti cheguei, para a áspera, inclemente
sina de navegar por este mar,


Foi para que tivesse olhos orantes,
e me purificasse longamente
na infinita aflição de te esperar...

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Edmond Rostand

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Edmond Rostand :
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Somente no moral se vê minha elegância.
Enfeitar-me não sei; nem dou para casquilho,
Julgo estar muito bem, não sendo peralvilho.
_O que eu não faço nunca é, franco e por incúria,
Sair sem lavar bem a recebida injúria
Trazer o pundonor ébrio de sono e vinho,
Ter os brios de luto e a honra em desalinho!
Ando, sem nada ter que pela cor agrade,
Emplumado de orgulho e garbo e liberdade;
Se não prendo a cintura esbelta num corpete
A vergonha ajustou minh’alma num colete.
São-me os feitos e ações as fitas que apresento;
Qual bigode gentil, retorço o meu talento;
Faço, por onde vou, tornando-as bem sonoras,
As verdades vibrar como tlintlins de esporas !

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Bocage

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Manuel Maria Barbosa du Bocage :
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Variedade dos efeitos do amor :

Nascemos para amar; a humanidade
Vai tarde ou cedo aos laços da ternura:
Tu és doce atractivo, ó formosura,
Que encanta, que seduz, que persuade:

Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão n'alma se apura,
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade:

Qual se abisma nas lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos discorre,
Com esperanças mil na ideia acesas:

Amor ou desfalece, ou pára, ou corre;
E, segundo as diversas naturezas,
Um porfia, este esquece, aquele morre.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Stephen Spender

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Thoughts During an Air Raid - Stephen Spender :
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Por supuesto, todo el esfuerzo se emplea en que uno
Se sitúe fuera del alcance ordinario
De los que llamamos estadísticas. Cien mueren
En los suburbios del extrarradio. Bien, bien, uno sigue adelante
En tanto esa cosa, el ‘yo’, continúe acomodado en
La cama de tablas, tan parecida a un féretro,
En ese cuarto de hotel cuyo papel pintado hace que estallen
Rosas en espirales de humo, uno puede ignorar
La presión de aquellos nombres bajo los dedos
Clavados a la noticia con tipos de plomo,
En el bar, la radio protestando al margen.
Pero supongamos que una bomba asoma
Su nariz en esta misma cama, con uno ocupándola.
La idea es obscena. Y, sin embargo, hay muchos
Para quienes la pérdida de uno en verdad
Ilustraría la expresión ‘impersonal’. Lo esencial es
Que cada ‘uno’ se mantenga aislado,
Acomodado bajo rosas, y que ninguno sufra
Por su vecino. Así el horror se pospone
En fracciones para cada uno, hasta sentar sobre él
Esa corona de incomunicable aflicción
Que es todo el misterio o no es nada.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Manuel da Fonseca

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"O Maltês" (Os Malteses) - Manuel da Fonseca :
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Em Cerro Maior nasci.

Depois, quando as forças deram
para andar, desci ao largo.
Depois, tomei os caminhos
Que havia e mais outros que
Depois desses eu sabia


E tanto já me afastei
Dos caminhos que fizeram,
Que de vós todos perdido
vou descobrindo esses outros
Caminhos que só eu sei.


Veio o guarda com a lei
No cano das carabinas.


Cercaram-me num montado;
puseram joelho em terra;
gritaram que me rendesse
à lei dos caminhos feitos.
Mas eu olhei-os de longe,
tão distante e tão de longe,
o rosto apenas virado,
que só vi em meu redor
dez pobres ajoelhados
perante mim, seu senhor.


Gente chego às janelas,
saíram homens à rua:
- as mães chamaram os filhos,
bateram portas fechadas!
E eu, o desconhecido,
o vagabundo rasgado
entro o largo da vila
entre dez guardas armados;
- mais temido e mais armado
que o deus a que todos rezam.


- Que nunca mulher alguma
se rendeu mais a um homem
que a moça do rosto claro
ao cruzar os olhos pretos
com o meu olhar de rei!


...E vendo que eu lhes fugia
assim de altiva maneira
à sua lei decorada,
lá,
longe do sol e da vida,
no fundo duma cadeia,
cheios de raiva me bateram.


Inanimado,
tombei por fim a um canto.


E enquanto eles redobravam
sobre o meu corpo tombado,
adormecido
eu descansava
de tão longa caminhada!...

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Um Pensamento por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Giovani Boccaccio

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GIOVANNI BOCCACCIO  :
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"As ligações de amizade são mais fortes que as do sangue da família.
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"Num voo de pombas brancas, um corvo negro junta-lhe um acréscimo de beleza que a candura de um cisne não traria.
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"Fazer grande estardalhaço a propósito de uma ofensa de que fomos vítimas, não atenua o desgosto, mas aumenta a vergonha.
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"A pobreza não tira a nobreza a ninguém, a riqueza sim."

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - José Hierro

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Las nubes - José Hierro :
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Inútilmente interrogas.
Tus ojos miran al cielo.
Buscas detrás de las nubes,
huellas que se llevó el viento.
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Buscas las manos calientes,
los rostros de los que fueron,
el círculo donde yerran
tocando sus instrumentos.
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Nubes que eran ritmo, canto
sin final y sin comienzo,
campanas de espumas pálidas
volteando su secreto,
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palmas de mármol, criaturas
girando al compás del tiempo,
imitándole la vida
su perpetuo movimiento.
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Inútilmente interrogas
desde tus párpados ciegos.
¿Qué haces mirando a las nubes,
José Hierro?

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Konstantin Balmont

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Konstantin Balmont :
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   Para ver o sol :
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E o horizonte azul.
Entrei neste mundo,
para ver o sol
1111119 e montanhas muito altas.

Nas linhas musical de seu som melanclico poesia graciosa de Chopin ea grandeza de cordas de Wagner - jatos luminosos da queima sobre o abismo do caos. Seus poemas tinta derramada suave requinte Botticelli e Ticiano ouro magnfico.

  Eu grito de dor, o tdio eu choro.
I rock, cado no fundo de um rio.
Eu secretamente caule de gramneas subaqutica.
Eu olho para banho de rio claro.

Acendo um fantasma entre dois mundos.
Eu conto olhar. Eu olho, sem palavras.
Eu marco caro - e s me
Voc vai dizer ao corao: "Existe um mundo diferente"

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Gregório de Matos

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Anjo no Nome, Angélica na Cara - Gregório de Matos :
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Anjo no nome, Angélica na cara,
Isso é ser flor, e Anjo juntamente,
Ser Angélica flor, e Anjo florente,
Em quem, senão em vós se uniformara?

Quem veria uma flor, que a não cortara
De verde pé, de rama florescente?
E quem um Anjo vira tão luzente,
Que por seu Deus, o não idolatrara?

Se como Anjo sois dos meus altares,
Fôreis o meu custódio, e minha guarda
Livrara eu de diabólicos azares.

Mas vejo, que tão bela, e tão galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.