Em sua beleza afago os meus desejos, Em seu calor me vejo a delirar, E no delírio louco do seu beijo Perdi minha razão pra contornar.
E tanto mais que ontem Te devoro,por te querer, Sem mais poder voltar. Não posso mais voltar á fase antiga Pois este coração quer mais te amar.
Na noite,adormeci em tua lembrança, Tentei,não consegui te evitar. E na manhã te tive como herança, Desse amor que está no peito a reinar.
Queria encontrar certas palavras pra te dizer, Que todo este querer me faz tão bem, Mas não sei se amanhã Terei que me acabar pra te esquecer.
Mas hoje eu acredito No futuro tão puro, Deste amor a caminhar, E sei que toda noite no escuro Eu vou sentir saudade de te amar.
Olhar em seus olhos e vê-los sorrindo, Beijar tua boca, Abraçar-lhe,sentindo Acariciar a sua face E todo o seu corpo. E do meu amor sincero ir lhe cobrindo.
Deitar-lhe no solo frio, E deixar que seu corpo todo Toque nas regiões sombrias, Com gosto de vida e morte, De fogo!
Puxar você pelo braço E deitar me ao seu lado E mostrar-lhe que te amo, Esquecendo o passado
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(retirado, com a devida vénia, de "Pensador.Info")
Monsieur Monod não sabe cantar : .(tradução de Angélica Freitas)
meu querido me lembro de ti como a melhor canção essa apoteose de galos e estrelas que já não és que já não sou que já não seremos e contudo sabemos muito bem ambos que falo pela boca pintada do silêncio com agonia de mosca no final do verão e por todas as portas mal fechadas conjurando ou chamando esse vento aleivoso da memória esse disco arranhado antes de usar tingido segundo o humor do tempo e suas velhas doenças ou de vermelho ou de preto como um rei em desgraça na frente do espelho na véspera e amanhã e depois de amanhã e sempre
noite que te precipitas (assim deveria dizer a canção) carregada de presságios cadela insaciável (un peu fort) mãe esplêndida (plus doux) parideira e descalça sempre para não ser escutada pelo néscio que em ti crê para melhor esmagar o coração do desvelado que se atreve a ouvir o passo arrastado da vida da morte uma casca de mosquito uma torrente de plumas uma tempestade num copo de vinho um tango
a ordem altera o produto erro do maquinista podre técnica continuar vivendo tua história ao contrário como no cinema um sonho grosso e misterioso que se adelgaça the end is the beginning uma luzinha vacilante como a esperança cor de clara de ovo com cheiro de peixe e más intenções obscura boca-de-lobo que te leva de Cluny ao Parque Salazar esteira rolante tão veloz e tão negra que já não sabes se és ou te fazes de vivo ou de morto e sim uma flor de ferro como um último bocado torto e sujo e lento para melhor devorar-te
meu querido adoro tudo o que não é meu tu por exemplo com tua pele de asno sobre a alma e essas asas de cera que te dei e que jamais te atreveste a usar não sabes como me arrependo de minhas virtudes já não sei o que fazer com a minha coleção de chaves falsas e mentiras com minha indecência de menino que deve terminar este conto agora já é tarde porque a recordação como as canções a pior a que quiseres a única não resiste a outra página em branco e não tem sentido que eu esteja aqui destruindo o que não existe
meu querido apesar disso tudo continua igual o arrepio filosófico depois do chuveiro o café frio o cigarro amargo O Lodo Verde no Montecarlo continua livre para todos os públicos a vida perdurável intacta a estupidez das nuvens intacta a obscenidade dos gerânios intacta a vergonha do alho os pardaizinhos cagando divinamente em pleno céu de abril Mandrake criando coelhos em algum círculo do inferno e sempre a patinha de caranguejo presa na trapaça do ser ou do não ser ou de não quero isto mas aquilo tu sabes essas coisas que nos acontecem e que devem ser esquecidas para que existam por exemplo a mão com asas e sem mão a história do canguru – aquela da bolsa ou a vida – ou a do capitão preso na garrafa para sempre vazia e o ventre vazio mas com asas e sem ventre tu sabes a paixão a obsessão a poesia a prosa o sexo o êxito ou vice-versa o vazio congênito o ovinho pintado entre milhões e milhões de ovinhos pintados tu e eu you and me toi and moi tea for two na imensidão do silêncio no mar intemporal no horizonte da história porque ácido ribonucleico somos mas ácido ribonucleico apaixonado sempre
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. Ninguém nos diz como : .(tradução de Angélica Freitas)
Ninguém nos diz como voltar a cara contra a parede e morrer simplesmente assim como o fizeram o gato ou o cachorro da casa ou o elefante que caminhou em direção à sua agonia como quem vai a uma impostergável cerimônia batendo orelhas ao compasso do cadencioso fôlego de sua tromba só no reino animal há exemplares de tal comportamento mudar o passo aproximar-se e cheirar o já vivido e dar as costas simplesmente dar as costas . (retirado, com a devida vénia, de "Modo de usar & Co.")
Floriram por engano as rosas bravas No Inverno: veio o vento desfolhá-las… Em que cismas, meu bem? Porque me calas As vozes com que há pouco me enganavas?
Castelos doidos! Tão cedo caístes!… Onde vamos, alheio o pensamento, De mãos dadas? Teus olhos, que num momento Perscrutaram nos meus, como vão tristes!
E sobre nós cai nupcial a neve, Surda, em triunfo, pétalas, de leve Juncando o chão, na acrópole de gelos…
Em redor do teu vulto é como um véu! Quem as esparze — quanta flor! — do céu, Sobre nós dois, sobre os nossos cabelos?
(retirado, com a devida vénia, de "os meus Trilhos")