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PRIMEIRO SORRISO DA PRIMAVERA :
Enquanto os homens, com suas obras perversas,
Ofegantes correm
Malgrado os aguaceiros,,
Março, que ri, prepara em seguida a primavera.
Ofegantes correm
Malgrado os aguaceiros,,
Março, que ri, prepara em seguida a primavera.
Para as alvas e pequenas margaridas,
Quando tudo adormecido está,
Dissimuladamente ele, mais uma vez, repassa a gola
E amarelos ranúnculos.cinzela.
Quando tudo adormecido está,
Dissimuladamente ele, mais uma vez, repassa a gola
E amarelos ranúnculos.cinzela.
No pomar e na vinha
Lá se vai, furtivo barbeiro,
Com uma borla de cisne
A amendoeira, na geada, polvilhar.
Lá se vai, furtivo barbeiro,
Com uma borla de cisne
A amendoeira, na geada, polvilhar.
Descansa, no leito, a natureza.
Sobre ele desce um jardim deserto
Enlaçando os botões de rosa
Em seu espartilho de veludo verde.
Sobre ele desce um jardim deserto
Enlaçando os botões de rosa
Em seu espartilho de veludo verde.
Tudo são solfejos
Que aos melros, à meia noite, silva
Nos prados campainhas brancas semeia
Nos bosques, violetas.
Que aos melros, à meia noite, silva
Nos prados campainhas brancas semeia
Nos bosques, violetas.
Sobre o agrião da fonte
Onde bebe o cervo, a orelha em pé,
Com a mão oculta, do lírio-do-vale
Os guizos d’ouro debulha.
Onde bebe o cervo, a orelha em pé,
Com a mão oculta, do lírio-do-vale
Os guizos d’ouro debulha.
Sob a erva, pra que a colha,
O morango de tom vermelho põe
E te trança um chapéu de folhas
A proteger-te do sol.
O morango de tom vermelho põe
E te trança um chapéu de folhas
A proteger-te do sol.
Em seguida, concluída a tarefa,
Vendo o fim de seu reinado.
Ao limiar de Abril, voltando a cabeça
Lhe diz: “Podes vir, ò primavera”!
Vendo o fim de seu reinado.
Ao limiar de Abril, voltando a cabeça
Lhe diz: “Podes vir, ò primavera”!
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(retirado, com a devida vénia, de "Entre textos")
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