sexta-feira, 8 de abril de 2011

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Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.

É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores : há ideias apenas
Há só cada um de nós, como uma cave
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora
E um sonho que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.
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Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver o Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura.
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Alberto Caeiro
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