terça-feira, 5 de abril de 2011

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe fazia

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          M  O  N  S  A  R  A  Z

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Inverno, manhã cedo. A luz que banha
A paisagem, é gélida e cinzenta;
A vaga pompa do cenário ostenta,
Ao largo, as serras húmidas de Espanha.

Hortas, vinhedos e a carcaça estranha
De Monsaraz, numa ascenção violenta;
A erva tenrinha os gados apascenta,
Que em tons de bronze a terra desentranha.

E eu olho essa paisagem dolorida,
Testemunha que foi da minha vida,
Povoada agora de visões errantes...

Eu olho-a e dentro da minha alma afago-a,
Que os seus olhos longínquos, rasos de água,
São hoje os mesmos que me olhavam dantes.

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António de Macedo Papança
    (Conde de Monsaraz)
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