quinta-feira, 7 de abril de 2011

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe fazia

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O Sol ás casas, como aos montes
Vagamente doura.
Na cidade sem horizontes
Uma tristeza loura.

Como a sombra da tarde desce
E um pouco dói
Porque quando é tarde
Tudo quanto foi

Nesta hora mais que em outra choro
O que perdi
Em cinza e ouro rememoro
E nunca o vi.

Felicidade por nascer,
Mágoa a acabar
Ânsia de só aquilo ser
Que há-de ficar

Sussurro sen que se ouça, palma
Da Isenção
Ó tarde, fica noite,
E alma tenha perdão.

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Fernando Pessoa
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