Eu, também, canto a América
.
Eu sou o irmão mais preto. Quando chegam as visitas, Me mandam comer na cozinha. Mas eu rio E como bem, E vou ficando mais forte.
.
Amanhã, Quando chegarem as visitas Me sentarei à mesa. Ninguém ousará Me dizer, “Vá comer na cozinha”, Então.
.
Além do mais, Eles vão ver quão bonito eu sou E se envergonharão -
.
Eu, também, sou a América.
. Desejo primeiro que você ame, E que amando, também seja amado. E que se
não for, seja breve em esquecer. E que esquecendo, não guarde
mágoa. Desejo, pois, que não seja assim, Mas se for, saiba ser sem
desesperar. Desejo também que tenha amigos, Que mesmo maus e
inconseqüentes, Sejam corajosos e fiéis, E que pelo menos num
deles Você possa confiar sem duvidar. E porque a vida é assim, Desejo
ainda que você tenha inimigos. Nem muitos, nem poucos, Mas na medida exata
para que, algumas vezes, Você se interpele a respeito De suas próprias
certezas. E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo, Para que
você não se sinta demasiado seguro. Desejo depois que você seja útil, Mas
não insubstituível. E que nos maus momentos, Quando não restar mais
nada, Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé. Desejo ainda
que você seja tolerante, Não com os que erram pouco, porque isso é
fácil, Mas com os que erram muito e irremediavelmente, E que fazendo bom
uso dessa tolerância, Você sirva de exemplo aos outros. Desejo que você,
sendo jovem, Não amadureça depressa demais, E que sendo maduro, não
insista em rejuvenescer E que sendo velho, não se dedique ao
desespero. Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e É preciso
deixar que eles escorram por entre nós. Desejo por sinal que você seja
triste, Não o ano todo, mas apenas um dia. Mas que nesse dia
descubra Que o riso diário é bom, O riso habitual é insosso e o riso
constante é insano. Desejo que você descubra, Com o máximo de
urgência, Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos, Injustiçados
e infelizes, e que estão à sua volta. Desejo ainda que você afague um
gato, Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro Erguer triunfante o seu
canto matinal Porque, assim, você se sentirá bem por nada. Desejo também
que você plante uma semente, Por mais minúscula que seja, E acompanhe o
seu crescimento, Para que você saiba de quantas Muitas vidas é feita uma
árvore. Desejo, outros sim, que você tenha dinheiro, Porque é preciso ser
prático. E que pelo menos uma vez por ano Coloque um pouco dele Na sua
frente e diga Isso é meu, Só para que fique bem claro quem é o dono de
quem. Desejo também que nenhum de seus afetos morra, Por ele e por
você, Mas que se morrer, você possa chorar Sem se lamentar e sofrer sem se
culpar. Desejo por fim que você sendo homem, Tenha uma boa mulher, E
que sendo mulher, Tenha um bom homem E que se amem hoje, amanhã e nos dias
seguintes, E quando estiverem exaustos e sorridentes, Ainda haja amor para
recomeçar. E se tudo isso acontecer, Não tenho mais nada a te desejar.
. NA MATRICIAL
GALIZA, SEMPRE TÚA, que dende a Torre de
Hércules ao Miño un facho acenderá por
cada illa, cando ti volvas polo
mare; de
toxo unha fogueira en cada monte; cando ti volvas polo
mare; dos castros na coroa
unha cachela, cando ti volvas polo
mare; unha loura candea en
cada pino, cando ti volvas polo
mare; o
seu cirio de frouma os alciprestes, cando ti volvas polo
mare; luces de ardora branca
en cada mastro, cando ti volvas polo
mare; un
farol mariñeiro en cada dorna, cando ti volvas polo
mare; veliñas á xanela en cada
casa, cando ti volvas polo
mare; e
as pérolas das bágoas derramadas, cando ti chegues polo
mare; cando ti chegues polo
mare...
.
A ´nha vezinha Natalina, há qu´anos qu´ei Natalina, e...inté parece que tá
conservada em naftalina !...
.
.
.
O mê sobrinho Artola, nã conseguiu entrar pró Banco, porque tinha
rascunhas;
Ficou desvalidado e desclassificado !
.
.
Legenda : Ar.tola = tola, chêa d´...ar
............ : Ras.cunhas = cunhas, rascas
............ : Des.validado = sem validação
............ : Des.classificado = sem classe
.
PataNegra
quarta-feira, 23 de maio de 2012
. from
Modern Love - George Meredith : .
.
" Por esa razón sabía que ella lloraba con los ojos abiertos:
Porque en la luz temblorosa de su mano en su cabeza, sus leves y
extraños lamentos sacudían su cama reclamando su atención un penetrante
sobresalto, y muda estrangulada, como diminutas serpientes boquiabiertas,
espantosamente venenosas para él. Ella yacía inmóvil como el granito, y
la larga oscuridad fluyó a lo lejos con latidos mortecinos. Entonces, la
medianoche hizo que su gigantesco corazón de Recuerdos y Lágrimas
saboreara la droga marchita del silencio, y rota así la medida abrumada
del sueño, de la cabeza a los pies estarían inmovibles, contemplando a
través de sus años negros muertos arrepentidos en vano de ensuciar la pared
en blanco. Como esfinges esculpidas que pudieran ser divisadas sobre su
tumba conyugal, con la espada en medio; deseando cada uno el filo que los
separa. "
.
Dolça Catalunya, pàtria del meu cor, quan de tu s'allunya d'enyorança
es mor.
Hermosa vall, bressol de ma infantesa, blanc
Pirineu, marges i rius, ermita al cel suspesa, per sempre adéu! Arpes
del bosc, pinsans i caderneres, cantau, cantau, jo dic plorant a boscos i
riberes: adéu-siau!
Adéu, germans: adéu-siau, mon pare, no us veuré
més! Oh! si al fossar on jau ma dolça mare, jo el llit tingués! Oh
mariners, lo vent que me'n desterra que em fa sofrir! Estic malalt, mes
ai! tornau-me a terra, que hi vull morir! .
Sweet
Catalonia, homeland of my heart, being far from thee, One cannot but
die from longing.
Beautiful valley, cradle of my childhood, white
Pyrinees, shores and rivers, heavenly hermitage, eternal
farewell! Harps in the forest, pine trees and bushes, do sing, do
sing! Weeping, I say to forests and banks Fare thee well!
Goodbye,
brothers; fare thee well, my father, I shall not see thee any more! I wish
my bed were placed where my sweet mother lies! O Sailors, the wind that
pushes me far from the land makes me suffer! I am sick, alas! Take me back
on the shore for it's there where I want to die!
Deve-se estar sempre embriagado Nada mais importa Para que o horrível
fardo do tempo não vos pese sobre os ombros E vos faça pender para a
terra Deveis embriagar-vos sem cessar Mas de quê? De vinho! De poesia
ou de virtude, à vossa escolha! Mas embriagai-vos ... E se um dia nos
degraus de um palácio, Na erva verde de uma valeta, Na solidão baça do
vosso quarto, Acordardes já sóbrios Perguntai ao vento, à onda, à estrela,
à ave, ao relógio! A tudo o que foge, tudo o que geme, a tudo o que rola, a
tudo o que conta, a tudo o que fala Perguntai: Que horas são. E o
vento, a onda, a estrela, a ave, o relógio, respondervos-ão: São horas de vos
embriagardes, para que não sejais os escravos martirizados do
tempo. Embriagai-vos sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude. À
vossa escolha!
.Quero um cavalo de várias cores - Reinaldo Ferreira : .
. Quero um cavalo de várias cores, Quero-o depressa, que vou partir. Esperam-me prados com tantas flores, Que só cavalos de várias cores Podem servir. . Quero uma sela feita de restos Dalguma nuvem que ande no céu. Quero-a evasiva - nimbos e cerros - Sobre os valados, sobre os aterros, Que o mundo é meu.
. Quero que as rédeas façam prodígios: Voa, cavalo, galopa mais, Trepa às camadas do céu sem fundo, Rumo àquele ponto, exterior ao mundo, Para onde tendem as catedrais.
Deixem que eu parta, agora, já, Antes que murchem todas as flores. Tenho a loucura, sei o caminho, Mas como posso partir sozinho Sem um cavalo de várias cores?
. Vai-se a primeira pomba despertada... Vai-se outra mais... mais outra...
enfim dezenas Das pombas vão-se dos pombais, apenas Raia sangüinea e
fresca a madrugada.
E à tarde, quando a rígida nortada Sopra, aos
pombais, de novo elas, serenas, Ruflando as asas, sacudindo as
penas, Voltam todas em bando e em revoada...
Também dos corações onde
abotoam Os sonhos, um a um, céleres voam, Como voam as pombas dos
pombais;
No azul da adolescência as asas soltam, Fogem... Mas aos
pombais as pombas voltam, E eles aos corações não voltam mais.
The Owl and the Pussy-cat went to sea In a beautiful pea green boat, They
took some honey, and plenty of money, Wrapped up in a five pound note. The
Owl looked up to the stars above, And sang to a small guitar, 'O lovely
Pussy! O Pussy my love, What a beautiful Pussy you are, You are, You
are! What a beautiful Pussy you are!' And hand in hand, on the edge of the
sand, They danced by the light of the moon, The moon, The moon, They
danced by the light of the moon.
.
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O Mocho e a Gatinha foram pro mar Num lindo bote verde-ervilha, Eles tinham mel e grana a granel E uma nota de um milha. O Mocho olhou pro o céu E cantou na viola de lata, "Que linda gata! Que linda gata, Que linda gata Deus me deu, Me deu Me deu, Que linda gata Deus me deu!" E de braço dado, na praia do lado, Saíram a dançar sob a luz do luar, Luar, Luar, Saíram a dançar sob a luz do luar
. Soy el cantor de América autóctono y salvaje: mi lira tiene un alma, mi canto
un ideal. Mi verso no se mece colgado de un ramajecon vaivén pausado de
hamaca tropical...
Cuando me siento inca, le rindo vasallajeal
Sol, que me da el cetro de su poder real; cuando me siento hispano y evoco
el coloniaje parecen mis estrofas trompetas de cristal.
Mi fantasía
viene de un abolengo moro: los Andes son de plata, pero el león, de oro, y
las dos castas fundo con épico fragor.
La sangre es española e incaico es
el latido; y de no ser Poeta, quizá yo hubiera sido un blanco aventurero o
un indio emperador.
.
Minha vida era um palco iluminado E eu vivia vestido de dourado Palhaço
das perdidas ilusões Cheio dos guizos falsos da alegria Andei cantando
minha fantasia Entre as palmas febris dos corações Meu barracão lá no
morro do Salgueiro Tinha o cantar alegre de um viveiro Foste a sonoridade
que acabou E hoje, quando do Sol a claridade Forra o meu barracão, sinto
saudade Da mulher, pomba-rola que voou Nossas roupas comuns
dependuradas Na corda qual bandeiras agitadas Pareciam um estranho
festival Festa dos nossos trapos coloridos A mostrar que nos morros mal
vestidos É sempre feriado nacional. A porta do barraco era sem
trinco Mas a lua furando nosso zinco Salpicava de estrelas nosso chão E
tu pisavas nos astros distraída Sem saber que a ventura desta vida É a
cabrocha, o luar e o violão
. Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra é bobagem. Você
não só não esquece a outra pessoa, como pensa muito mais nela... Um dia
descobrimos que se apaixonar é inevitável... Um dia percebemos que as
melhores provas de amor são as mais simples... Um dia percebemos que o comum
não nos atrai... Um dia saberemos que ser classificado como o bonzinho não é
bom... Um dia percebemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em
ti... Um dia saberemos a importância da frase: Tu te tornas eternamente
responsável por aquilo que cativas!! Um dia percebemos que somos muito
importantes para alguém, mas não damos valor a isso... Um dia percebemos como
aquele amigo faz falta, mas aí já é tarde demais... Enfim... Um dia
descobrimos que apesar de viver quase cem anos, esse tempo todo não é suficiente
para realizarmos todos os nossos sonhos, para dizer tudo o que tem de ser
dito... O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa
vida ou lutamos para realizar todas nossas loucuras... Quem não compreende um
olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.
. O sino bate, o condutor apita o apito, Solta o trem de ferro um
grito, põe-se logo a caminhar... — Vou danado pra Catende, vou danado pra
Catende, vou danado pra Catende com vontade de chegar... . Mergulham
mocambos, nos mangues molhados, moleques, mulatos, vêm vê-lo passar. —
Adeus! — Adeus!
. Mangueiras, coqueiros, cajueiros em flor, cajueiros
com frutos já bons de chupar... — Adeus morena do cabelo
cacheado!
(...)
Na boca da mata há furnas incríveis que em
coisas terríveis nos fazem pensar: — Ali dorme o Pai-da-Mata! — Ali é a casa
das caiporas! — Vou danado pra Catende, vou danado pra Catende vou danado pra
Catende com vontade de chegar... . Meu Deus! Já deixamos a praia tão
longe... No entanto avistamos bem perto outro mar... . Danou-se! Se
move, se arqueia, faz onda... Que nada! É um partido já bom de
cortar... — Vou danado pra Catende, vou danado pra Catende vou danado pra
Catende com vontade de chegar... . Cana caiana, cana roxa, cana
fita, cada qual a mais bonita, todas boas de chupar... — Adeus morena do
cabelo cacheado! — Ali dorme o Pai-da-Mata! — Ali é a casa das caiporas! — Vou
danado pra Catende, vou danado pra Catende vou danado pra Catende com vontade de
chegar...
A Mulher InspiradoraMulher, não és só obra de Deus; os homens vão-te criando eternamente com a formosura dos seus corações, e os seus anseios vestiram de glória a tua juventude.
Por ti o poeta vai tecendo a sua imaginária tela de oiro: o pintor dá às tuas formas, dia após dia, nova imortalidade.
Para te adornar, para te vestir, para tornar-te mais preciosa, o mar traz as suas pérolas, a terra o seu oiro, sua flor os jardins do Verão.
Mulher, és meio mulher, meio sonho.
Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera" Tradução de Manuel Simões
Que a força do medo que eu tenho, não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo o que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio…
Que a música que eu ouço ao longe, seja linda, ainda que triste…
Que a mulher que eu amo seja para sempre amada mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida, mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor, apenas respeitadas, como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos.
Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
E que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso, mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto, um doce sorriso, que me lembro ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é platéia e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor, e a outra metade… também.
.
Lembra-te de mim :
.
¡Oh! cuánto tiempo silenciosa el alma mira en redor su soledad que
aumenta como un péndulo inmovil: ya no cuenta las horas que se van! No
siente los minutos cadenciosos a golpe igual del corazón que
adora aspirando la magia embriagadora de tu amoroso afán.
Ya no
late, ni siente, ni aún respira petrificada el alma allá en lo interno; tu
cifra en mármol con buril eterno queda grabada en mí! Ni hay queja al
labio ni a los ojos llanto, muerto para el amor y la ventura esta en tu
corazón mi sepultura y el cadáver aquí!
En este corazón ya
enmudecido cual la ruina de un templo silencioso, vacío, abandonado,
pavoroso sin luz y sin rumor; Embalsamadas ondas de armonía elevábanse
a un tiempo en sus altares; y vibraban melódicos cantares los ecos de tu
amor.
Parece ayer! ...De nuestros labios mudos el suspiro de ¡"Adiós"
volaba al cielo, y escondías la faz en tu pañuelo para mejor
llorar! Hoy... nos apartan los profundos senos de dos inmensidades que has
querido, y es más triste y más hondo el de tu olvido que el abismo del
mar!
Pero, ¿qué es este mar? ¿qué es el espacio, qué la distancia, ni
los altos montes? Ni qué son esos turbios horizontes que mira desde
aquí; si al través del espacio de las cumbres, de ese ancho mar y de ese
firmamento, vuela por el azul mi pensamiento y vive junto a tí:
Si
yo tus alas invisibles veo, te llevo dentro del alma estás conmigo, tu
sombra soy y donde vas te sigo por tus huellas en pos! Y en vano intentan
que mi nombre olvides; nacieron, nuestras almas enlazadas, y en el mismo
crisol purificadas por la mano de Dios.
Tú eres la misma aún; cual
otros días suspéndense tus brazos de mi cuello; veo tu rostro apasionado y
bello mirarme y sonreír; aspiro de tus labios el aliento como el
perfume de claveles rojos, y brilla siempre en tus azules ojos mi sol, ¡mi
porvenir!
Mi recuerdo es más fuerte que tu olvido; mi nombre está en
la atmósfera, en la brisa, y ocultas a través de tu sonrisa lágrimas de
dolor; pues mi recuerdo tu memoria asalta, y a pesar tuyo por mi amor
suspiras, y hasta el ambiente mismo que respiras te repite ¡mi
amor!
¡Oh! cuando vea en la desierta playa, con mi tristeza y mi dolor
a solas, el vaivén incesante de las olas, me acordaré de tí; Cuando
veas que una ave solitaria cruza el espacio en moribundo vuelo, buscando
un nido entre el mar y el cielo, ¡Acuérdate de mí!
Eu vi os expoentes de minha geração destruídos pela loucura,
morrendo de fome, histéricos, nus,
arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca
de uma dose violenta de qualquer coisa,
“hipsters” com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato
celestial com o dínamo estrelado da maquinaria da noite,
que pobres, esfarrapados e olheiras fundas, viajaram fumando
sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis aparta-
mentos sem água quente, flutuando sobre os tetos das
cidades contemplando jazz,
que desnudaram seus cérebros ao céu sob o Elevado e viram
anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados
das casas de cômodos,
que passaram por universidades com os olhos frios e radiantes
alucinando Arkansas e tragédias à luz de William Blake
entre os estudiosos da guerra,
que foram expulsos das universidades por serem loucos e publi-
carem odes obscenas nas janelas do crânio,
que se refugiaram em quartos de paredes de pintura descasca-
da em roupa de baixo queimando seu dinheiro em cestas
de papel, escutando o Terror através da parede,
que foram detidos em suas barbas públicas voltando por Laredo
com um cinturão de marijuana para Nova York,
que comeram fogo em hotéis mal-pintados ou beberam tereben-
tina em Paradise Alley, morreram ou flagelaram seus tor-
sos noite após noite
com sonhos, com drogas, com pesadelos na vigília, álcool e cara-
lhos e intermináveis orgias,
incomparáveis ruas cegas sem saída de nuvem trêmula e clarão
na mente pulando nos postes dos pólos de Canadá & Pa-
terson, iluminando completamente o mundo imóvel do
Tempo intermediário,
solidez de Peiote dos corredores, aurora de fundo de quintal
com verdes árvores de cemitério, porre de vinho nos te-
lhados, fachadas de lojas de subúrbio na luz cintilante de
neon do tráfego na corrida de cabeça feita do prazer, vi-
brações de sol e lua e árvore no ronco de crepúsculo de
inverno de Brooklin, declamações entre latas de lixo e a
suave soberana luz da mente,
que se acorrentaram aos vagões do metrô para o infindável
percurso do Battery ao sagrado Bronx de benzedrina até
que o barulho das rodas e crianças os trouxesse de volta,
trêmulos, a boca arrebentada e o despovoado deserto do
cérebro esvaziado de qualquer brilho na lúgubre luz do Zôo-
lógico,
que afundaram a noite toda na luz submarina de Bickford’s,
voltaram à tona e passaram a tarde de cerveja choca no
desolado Fugazzi’s escutando o matraquear da catástrofe
na vitrola automática de hidrogênio,
que falaram setenta e duas horas sem parar do parque ao apê ao
bar ao hospital Bellevue ao Museu à Ponte de Brooklin,
batalhão perdido de debatedores platônicos saltando dos gra-
dis das escadas de emergência dos parapeitos das janelas
do Empire State da lua,
tagarelando, berrando, vomitando, sussurando fatos e lembran-
ças e anedotas e viagens visuais e choques nos hospitais e prisões e guerras,
intelectos inteiros regurgitados em recordação total com os
olhos brilhando por sete dias e noites, carne para a sinago-
ga jogada na rua,
que desapareceram no Zen de Nova Jersey de lugar algum dei-
xando um rastro de cartões postais ambíguos do Centro
Cívico de Atlantic City,
sofrendo amores orientais , pulverizações tangerianas nos ossos
enxaquecas da China por causa da falta da droga no
quarto pobremente mobiliado de Newark,
que deram voltas e voltas à meia-noite no pátio da estação fér-
roviária perguntando-se onde ir e foram, sem deixar cora-
ções partidos,
que acenderam cigarros em vagões de carga, vagões de carga,
vagões de carga que rumavam ruidosamente pela neve
até solitárias fazendas dentro da noite do avô,
que estudaram Plotino, Poe, São João da Cruz, telepatia e
bop-cabala pois o Cosmos instintivamente vibrava a seus
pés em Kansas,
que passaram solitários paelas ruas de Idaho procurando anjos
índios e visionários,
que só acharam que estavam loucos quando Baltimore apareceu
em êxtase sobrenatural,
que pularam em limusines com o chinês de Oklahoma no impul-
so da chuva de inverno na luz da rua da cidade pequena
à meia-noite,
que vaguearam famintos e sós por Houston procurando jazz
ou sexo ou rango e seguiram o espanhol brilhante para
conversar sobre América e Eternidade, inútil tarefa, e
assim embarcaram num navio para a África,
que desapareceram nos vulcões do México nada deixando
além da sombra das suas calças rancheiras e a lava e a
cinza da poesia espalhadas na lareira de chicago,
que reapareceram na Costa Oeste investigando o FBI de barba e
bermudas com grandes olhos pacifistas e sensuais nas suas
peles morenas, distribuindo folhetos ininteligíveis,
que apagaram cigarros acesos nos seus braços protestando contra
o nevoeiro narcótico de tabaco do capitalismo,
que distribuíram panfletos supercomunistas em Union Suare,
chorando e despindo-se enquanto as sirenes de Los Alamos
os afugentavam gemendo mais alto que eles e gemiam
pela Wall Street e também gemia a balsa da Staten Is-
land,
que caíram em prantos em brancos ginásios desportivos, nus e
trêmulos diante da maquinaria de outros esqueletos,
que morderam policiais no pescoço e berraram de prazer nos
carros de presos por não terem cometido outro crime a não
ser sua transação pederástica e tóxica,
que uivaram de joelhos no Metrô e foram arrancados do telha-
do sacudindo genitais e manuscritos,
que se deixaram foder no rabo por motociclistas santificados e
urraram de prazer,
que enrabaram e foram enrabados por estes serafins humanos, os
marinheiros, carícias de amor atlântico e caribeano,
que transaram pela manhã e ao cair da tarde em roseirais, na
grama de jardins públicos e cemitérios, espalhando livre-
mente seu sêmem para quem quisesse vir,
que soluçaram interminavelmente tentando gargalhar mas acaba-
ram choramingando atrás de um tabique de banho turco
onde o anjo loiro e nu veio atravessá-los com sua espada,
que perderam seus garotos amados para as tres megeras do destino,
a megera caolha do dólar heterossexual, a megera caolha que pisca de dentro do ventre e a megera caolha que só sabe ficar plantada sobre sua bunda retalhando os dourados fios do tear do artesão,
que copularam em êxtase insaciável com uma garrafa de cerveja,
uma namorada, um maço de cigarros, uma vela, e caíram da cama e continuaram pelo assoalho e pelo corredor e terminaram desmaiando contra a paerede com uma visão da buceta final e acabaram sufocando um derradeiro lampejo de consciência,
que adoçaram trepadas de um milhão de garotas trêmulas
ao anoitecer, acordaram de olhos vermelhos no dia seguin-
te mesmo assim prontos para adoçar trepadas na aurora, bundas luminosas nos celeiros e nus no lago,
que foram transar em Colorado numa miríade de carros roubados
à noite, N.C. herói secreto destes poemas , garanhão
e Adonis de Denver – prazer ao lembrar de suas incontáveis
trepadas com garotas em terrenos baldios e pátios dos
fundos de restaurantes de beira de estrada, raquíticas filei-
ras de poltronas de cinema, picos de montanha, cavernas
ou com esquálidas garçonetes no familiar levantar de saias
solitário á beira da estrada & especialmente secretos solip-
sismos de mictórios de postos de gasolina & becos da cidade
natal também,
que se apagaram em longos filmes sórdidos, foram transportados
em sonho, acordaram num Manhattan súbito e consegui-
ram voltar com uma impiedosa ressaca de adegas de
Tokay e o horror dos sonhos de ferro da Terceira Aveni-
da & cambalearam até as agências de emprego,
que caminharam a noite toda com os sapatos cheios de sangue
pelo cais coberto por montões de neve, esperando que
se abrisse uma porta no East River dando num quarto
cheio de vapor e ópio,
que criaram grandes dramas suicidas nos penhascos de aparta-
mentos de Hudson à luz de holofote anti-aéreo da lua &
suas cabeças receberão coroa de louro no esquecimento,
(…)