domingo, 30 de junho de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Catulo da Paixão Cearense

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Catulo da Paixão Cearense :
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A FLOR DO MARACUJÁ :
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Encontrando-me com um sertanejo 
Perto de um pé de maracujá
Eu lhe perguntei: 
Diga-me caro sertanejo 
Porque razão nasce roxa 
A flor do maracujá?
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Ah, pois então eu lhi conto 
A estória que ouvi contá
A razão pro que nasci roxa 
A flor do maracujá
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Maracujá já foi branco 
Eu posso inté lhe ajurá
Mais branco qui caridadi 
Mais brando do que o luá
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Quando a flor brotava nele 
Lá pros cunfim do sertão
Maracujá parecia 
Um ninho de argodão
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Mais um dia, há muito tempo 
Num meis que inté num mi alembro 
Si foi maio, si foi junho 
Si foi janero ou dezembro 
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Nosso sinhô Jesus Cristo 
Foi condenado a morrer
Numa cruis crucificado 
Longe daqui como o quê
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Pregaro cristo a martelo 
E ao vê tamanha crueza 
A natureza inteirinha 
Pois-se a chorá di tristeza 
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Chorava us campu 
As foia, as ribera 
Sabiá também chorava 
Nos gaio a laranjera 
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E havia junto da cruis 
Um pé de maracujá
Carregadinho de flor
Aos pé de nosso sinhô
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I o sangue de Jesus Cristo 
Sangui pisado de dô
Nus pé du maracujá 
Tingia todas as flor
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Eis aqui seu moço
A estoria que eu vi contá
A razão proque nasce roxa 
A flor do maracujá. 
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(retirado, com a devida vénia, do blog "Jornal de Poesia")

sábado, 29 de junho de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Ralph Waldo Emerson

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Ralph Waldo Emerson  :

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Um rubra gota de sangue humano supera em valor o oceano bravio, o mundo incerto vem e vai, o que tem afeto permanece enraizado.
Imaginei que ele houvesse fugido, e, mesmo depois de anos, fulgurava uma ternura inexaurida, como ali diariamente nasce do sol.
Meu coração cuidadoso novamente livre – Ó amigo, meu peito disse, somente por ti se arqueiam os céus,
por ti é vermelha a rosa, por ti todas as coisas forma mais nobre assumem, e olham pra além da terra, e torna-se a roda áspera de nosso destino, um caminho solar em tua honra.
A mim também ensinou tua nobreza, o controle de meu desespero;
As fontes de minha vida oculta se fazem limpas por sua amizade.
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(retirado, com a devida vénia, do blog "Coletânea de poemas e frases")

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - José de Espronceda

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José de Espronceda :
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Canción del pirata :
Con diez cañones por banda,
viento en popa, a toda vela,
no corta el mar, sino vuela
un velero bergantín.
Bajel pirata que llaman,
por su bravura, el Temido,
en todo mar conocido
del uno al otro confín.

La luna en el mar rïela,
en la lona gime el viento,
y alza en blando movimiento
olas de plata y azul;
y va el capitán pirata,
cantando alegre en la popa,
Asia a un lado, al otro Europa,
y allá a su frente Stambul:

«Navega, velero mío,
sin temor,
que ni enemigo navío
ni tormenta, ni bonanza
tu rumbo a torcer alcanza,
ni a sujetar tu valor.

Veinte presas
hemos hecho
a despecho
del inglés,
y han rendido
sus pendones
cien naciones
a mis pies.

Que es mi barco mi tesoro,
que es mi dios la libertad,
mi ley, la fuerza y el viento,
mi única patria, la mar.

Allá muevan feroz guerra
ciegos reyes
por un palmo más de tierra;
que yo aquí tengo por mío
cuanto abarca el mar bravío,
a quien nadie impuso leyes.

Y no hay playa,
sea cualquiera,
ni bandera
de esplendor,
que no sienta
mi derecho
y dé pecho
a mi valor.

Que es mi barco mi tesoro,
que es mi dios la libertad,
mi ley, la fuerza y el viento,
mi única patria, la mar.

A la voz de «¡barco viene!»
es de ver
cómo vira y se previene
a todo trapo a escapar;
que yo soy el rey del mar,
y mi furia es de temer.

En las presas
yo divido
lo cogido
por igual;
sólo quiero
por riqueza
la belleza
sin rival.

Que es mi barco mi tesoro,
que es mi dios la libertad,
mi ley, la fuerza y el viento,
mi única patria, la mar.

¡Sentenciado estoy a muerte!
Yo me río;
no me abandone la suerte,
y al mismo que me condena,
colgaré de alguna entena,
quizá en su propio navío.
Y si caigo,
¿qué es la vida?
Por perdida
ya la di,
cuando el yugo
del esclavo,
como un bravo,
sacudí.

Que es mi barco mi tesoro,
que es mi dios la libertad,
mi ley, la fuerza y el viento,
mi única patria, la mar.

Son mi música mejor
aquilones,
el estrépito y temblor
de los cables sacudidos,
del negro mar los bramidos
y el rugir de mis cañones.

Y del trueno
al son violento,
y del viento
al rebramar,
yo me duermo
sosegado,
arrullado
por el mar.

Que es mi barco mi tesoro,
que es mi dios la libertad,
mi ley, la fuerza y el viento,
mi única patria, la mar.»
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(retirado, com a devida vénia, do blog "Ciudad Seva")

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Gerard de Nerval

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VERSOS ÁUREOS :


Oh! homem pensador, julgas que é em ti somente
Que há a razão neste mundo onde em tudo arfa a vida?
Das forças que tu tens tua vontade é servida,
Mas dos conselhos teus o universo está ausente.

Respeita no animal um espírito agente:
Cada flor é uma alma à Natureza erguida;
Um mistério de amor no metal tem guarida;
“Tudo é sensível!” Tudo em teu ser é potente.

Teme, no muro cego, um olho que te espia:
Pois mesmo na matéria um verbo está sepulto...
Não a faças servir a alguma função ímpia!

No ser obscuro às vezes mora um Deus oculto,
E, como olho a nascer por pálpebras coberto,
Nas pedras cresce um puro espírito disperso!
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(retirado, com a devida vénia, do blog "Poemargens")

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Vasco Gato

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Vasco Gato :
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haverá talvez um poema :


haverá talvez um modo de amanhecer
que revele nos olhos o secreto ardor
com que se levanta o trigo enorme.

haverá talvez um lago que a noite não toque
e de dia em dia, como ontem, como amanhã,
cante a mulher que ali foi ver nascer o filho.

haverá talvez um suor que não o do sacrifício
e com o qual a pele cintile como uma borboleta
que vem descendo o céu até à flor dos teus lábios.

haverá talvez uma fala onde nos poderemos encontrar
sem que a tua mão esqueça a minha, sem que o sorriso
esconda o vazio, uma fala que só possa e saiba dizer nós.

haverá talvez um poema em que o soluço aperte as veias
como o rio aperta o mar, um poema em que eu e tu
dormimos sobre o luminoso esplendor do universo.
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(retirado, com a devida vénia, de "Quintas de Leitura")

terça-feira, 25 de junho de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Joseph Brodsky

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Joseph Brodsky :

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PARA A MINHA FILHA :
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Dai-me outra vida e estarei no Caffè Rafaella
a cantar. Ou estarei sentado a uma mesa,
simplesmente. Ou de pé, como um móvel no corredor,
caso essa vida seja menos generosa que a anterior.

Contudo, em parte porque nenhum século daqui em diante
conseguirá passar sem jazz nem cafeína, aguentarei esse desplante,
e pelas minhas rachas e poros, verniz e todo de pó coberto,
observarei, daqui a vinte anos, como a tua flor se terá aberto.

De um modo geral, lembra-te de que estou por ali. Ou melhor, que
um objecto inanimado pode ser o teu pai, sobretudo se
os objectos forem mais velhos do que tu, ou maiores. Não
os percas de vista, pois, sem dúvida, te julgarão.

Seja como for, ama essas coisas, haja ou não encontro.
Além disso, pode ser que ainda te lembres duma silhueta, dum contorno,
ao passo que eu até isso perderei, juntamente com a restante bagagem.
Daí estes versos, algo toscos, na nossa comum linguagem.
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(retirado, com a devida vénia, do blog "Poesia & Lda. - Poesia Ilimitada")

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Ascenso Ferreira

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Ascenso Ferreira :

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MARTELO :

Teu corpo é branquinho como a polpa do ingá maduro!
Teu seio é macio como a polpa do ingá maduro!
- E há doçura de grã-fina no teu beijo, que é todo ingá…
- E há doçura de grã-fina no teu beijo, que é todo ingá…
Por isso mesmo,
Minha Maria,
Eu, como a abelha
do aripuá
pra quem doçura
é sempre pouca,
só que quero o favo
de tua boca…
Há veludos de imbaúba nessas redes de teus olhos,
que convidam, preguiçosas, a gente para o descanso,
um descanso à beira-rio como a ingazeira nos dá…
- Um descanso à beira-rio como a ingazeira nos dá!
Por isso mesmo,
minha Maria,
de noite e dia
nessa corrida
triste de ganso,
para descanso
e gozos meus,
só quero a rede
dos olhos teus!
Só quero a rede macia dos teus olhos!
Só quero a doçura de grã-fina do teu beijo…!
Só quero a macieza do teu corpo da cor do ingá…
E na rede eu me deito,
cochilo e descanso,
tenho um sono manso
que me faz sonhar…
Sonho que és ingá
de doçura louca,
que na mina boca
vem se desmanchar,
que na minha boca
vem se desmanchar…
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(retirado, com a devida vénia, do blog "Nós, fora dos eixos")

domingo, 23 de junho de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Arseni Tarkovski

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Arseni Tarkovski  :

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VIVA, VIDA!
Arseni Tarkovski (1907-1989)


Não acredito em premonições, não temo superstições,
veneno e calúnia não vigoram sobre mim.
Não existe morte, senão plenitude no mundo.
Somos todos imortais; tudo é imortal.
Não é preciso temer a morte,
seja aos dezessete ou aos setenta.
Nada há além de presente e de luz;
escuridão e morte não existem neste mundo.
Chegados que somos todos à margem, sou um dos escolhidos
para puxar as redes quando o cardume da imortalidade as cumular.
Habitai a casa, e a casa se sustentará.
Invocarei um dos séculos ao acaso: eu o adentrarei
e nele construirei minha morada.
Sento-me portanto à mesma mesa
que vossos filhos, mães e esposas.
Uma só mesa para servir bisavô e neto:
o futuro se consuma aqui agora,
e quando eu erguer a minha mão,
os cinco raios de luz convosco ficarão.
Omoplatas minhas como vigas mestras,
sustentaram por minha vontade a revolução dos dias.
Medi o tempo com vara de agrimensor:
eu o venci como se voasse sobre os Urais.
Talhei as idades à minha medida.
Rumamos para o sul, um rastro de poeira pela estepe.
As altas ervas agitavam-se entre vapores
e o grilo dançarino,
ao perceber com suas antenas as ferraduras faiscantes,
profetizou-me, como monge possuído, a aniquilação.
Atei então, rápido, meu destino à sela,
ergui-me sobre os estribos como um menino
e agora cavalgo os tempos vindouros a meu ritmo.
Basta-me minha imortalidade,
o fluir de meu sangue de uma para outra era,
mas em troca de um canto quente e seguro
daria de bom grado minha vida,
conquanto sua agulha voadora
não me arrastasse, feito linha, mundo afora.



Poema de 1950, lido pelo autor no filme O Espelho (1974), dirigido por seu filho, Andrei Tarkovski.
Versão a partir de traduções para o inglês e outras línguas ocidentais: Alvaro Machado.
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(retirado, com a devida vénia, do blog "operaaperta")


sábado, 22 de junho de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Augusto Branco

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VIDA  - Augusto Branco :

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Vida

Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas 
que eu nunca pensei que iriam me decepcionar,
mas também já decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
e amigos que eu nunca mais vi.

Amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
e quebrei a cara muitas vezes!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi!
E ainda vivo!
Não passo pela vida.
E você também não deveria passar!

Viva!!

Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é muito para ser insignificante.
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(retirado, com a devida vénia, de "Pensador.Info")

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Henri Michaux

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Henri Michaux :

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À distância!
tu aí, mantêm-te à distância!

neutralizado
paralizado

com a dor de uma perna partida num descarrilamento
debaixo do eixo que a esmaga
que lhe parou mesmo em cima
e tu também mesmo aí parado

longe de mim...
que o mal entre em ti, massa idiota

que o mal entre em ti
agitado de fumo
espalhando clamores
derrubado por búfalos!

Polvo sobre a tua capa
excessivamente pesada e cara

anfractuosidade sobre a tua face
rijo martelo sobre os teus dedos frios 
rijo martelo sobre o teu caminhar horripilante 
de cem faces, de cem ratoeiras, de cem 
pequenos fragores!

Máquinas sobre ti
de devastar 
de despedaçar
de esticar 
de abater
de enlouquecer

máquinas incoercíveis, incansáveis
capazes de matar à pancada o mais enfadonho!

Tóneis rolantes sobre a tua fronte para deixares 
de dormir
desabamentos e obras sobre a tua fronte para
deixares de dormir
formigas, papa-léguas, desassossegos
carros de lilipute sob a tua fronte para
deixares de dormir
funda que volteia, arco tenso ao teu ouvido para
deixares de ouvir!

Uivos no teu pescoço
uivos sobre os rebanhos que te apaudem
sobre o alarve que tu és
sobre as tuas notas a arruinarem-se 
sobre o regalo do teu cú mimado!

Que os estropiados te tomem por passeio
que os babuínos roedores de ramos te tomem
por coqueiro.

à distância
à distância
à distância

que a tua interminável língua
que ficou ainda mais longa depois de tanto
tempo a cantar músicas idiotas
sirva de correia de transmissão nas fábricas
sirva nas gruas a içar contentores
sirva no porto lingar cubas e pepas de cerveja
que te afoga os neuróneos!

À distância sobes montes sem fim 
cais numa floresta de cordas
és levado por um onagro
por um rebanho de bisontes
por um rinoceronte furioso
por seja lá quem fôr
seja lá o quê
seja lá quem fôr

passando para o mundo do horror
da infecção
da putrefacção

à distância
à distância
à distância

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - José Basílio da Gama

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José Basílio da Gama :
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Soneto X :
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Tu, pastora, nasceste de alta esfera
Eu, infeliz, desta pequena choça.
Tu, do Sol, enobreces a carroça;
Eu, nem do monte a mais pequena fera.
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Tu dominas alegre a Primavera;
Eu do mato exercito agora a roça.
O gado já morreu. Nem há quem possa
Consolar-me, se bem meu mal pondera.
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Querer-te desigual fora agravar-te,
Porém, maior delito o não querer-te.
Ai de mim ! Que mais hei-de declarar-te ?
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Por quem sou, já não posso merecer-te.
Mas como me permitas adorar-te,
Será menor a pena de perder-te.


quarta-feira, 19 de junho de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Alfred de Musset

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Tristesse - Alfred de Musset :

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Tristeza :
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(Tradução de Guilherme de Almeida)
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Eu perdi minha vida e o alento, 
E os amigos, e a intrepidez, 
E até mesmo aquela altivez 
Que me fez crer no meu talento. 

Vi na Verdade, certa vez, 
A amiga do meu pensamento; 
Mas, ao senti-la, num momento 
O seu encanto se desfez. 

Entretanto, ela é eterna, e aqueles 
Que a desprezaram - pobres deles! - 
Ignoraram tudo de talvez. 

Por ela Deus se manifesta. 
O único bem que ainda me resta 
É ter chorado uma ou outra vez.
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(retirado, com a devida vénia, de "Pensador.Info")

terça-feira, 18 de junho de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Orestes Barbosa

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Chão De Estrelas - Orestes Barbosa :

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CHÃO DE ESTRELAS :

Minha vida era um palco iluminado
E eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Meu barracão lá no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje, quando do Sol a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher, pomba-rola que voou
Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda qual bandeiras agitadas
Pareciam um estranho festival
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional.
A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua furando nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
E tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão

(retirado, com a devida vénia, do blog "Antonio Miranda"