domingo, 30 de junho de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Catulo da Paixão Cearense

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Catulo da Paixão Cearense :
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A FLOR DO MARACUJÁ :
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Encontrando-me com um sertanejo 
Perto de um pé de maracujá
Eu lhe perguntei: 
Diga-me caro sertanejo 
Porque razão nasce roxa 
A flor do maracujá?
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Ah, pois então eu lhi conto 
A estória que ouvi contá
A razão pro que nasci roxa 
A flor do maracujá
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Maracujá já foi branco 
Eu posso inté lhe ajurá
Mais branco qui caridadi 
Mais brando do que o luá
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Quando a flor brotava nele 
Lá pros cunfim do sertão
Maracujá parecia 
Um ninho de argodão
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Mais um dia, há muito tempo 
Num meis que inté num mi alembro 
Si foi maio, si foi junho 
Si foi janero ou dezembro 
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Nosso sinhô Jesus Cristo 
Foi condenado a morrer
Numa cruis crucificado 
Longe daqui como o quê
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Pregaro cristo a martelo 
E ao vê tamanha crueza 
A natureza inteirinha 
Pois-se a chorá di tristeza 
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Chorava us campu 
As foia, as ribera 
Sabiá também chorava 
Nos gaio a laranjera 
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E havia junto da cruis 
Um pé de maracujá
Carregadinho de flor
Aos pé de nosso sinhô
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I o sangue de Jesus Cristo 
Sangui pisado de dô
Nus pé du maracujá 
Tingia todas as flor
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Eis aqui seu moço
A estoria que eu vi contá
A razão proque nasce roxa 
A flor do maracujá. 
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(retirado, com a devida vénia, do blog "Jornal de Poesia")

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