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Espelhos Duplos :
É o escuro da lua.
De madrugada, fim de verão,
As constelações de outono
Brilham no céu árido.
No ar o cheiro de gado, feno,
E pó. No velho pomar
As peras maduras. As árvores
Têm brotado de velhas estacas
E a fruta é incomível.
Quando eu passo eu ouço algo
Roçando grunhindo desviando
Minha luz nas ramagens.
Dois guaxinins com pera ácida
Suco e saliva gotejando
De suas bocas voltadas para mim,
seus olhos fundas esponjas de luz.
Eles me conhecem e não fogem.
Chegando a estrada através
Das escuras sombras dos carvalhos,
Vejo adiante de mim, lampejando
Em todo lugar desde o pedregulho,
Finas pontas de fria luz anil,
Tais as faíscas da neve-aço.
Suspeito do que seja, ajoelho-me.
Sob cada seixo e folha há
Uma aranha, com olhos brilhando
Para mim com minha luz refletida
Através de desmedida distância.
Trad. livre : LdeM

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