sábado, 12 de julho de 2014

Momento Poético

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No teu poema:
Existe um verso em branco e sem medida,
Um corpo que respira, um céu aberto,
Janela debruçada para a vida.

No teu poema:
Existe a dor calada lá no fundo,
O passo da coragem em casa escura,
E aberta uma varanda para o mundo.

Existe a noite,
O riso e a voz refeita à luz do dia,
A festa da Senhora d'Agonia e o cansaço,
Do corpo que adormece, em cama fria.

Existe um rio,
A sina de quem nasce fraco ou forte,
O risco a raiva e a luta,
De quem cai ou que resiste,
Que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema:
Existe o grito e o eco da metralha,
A dor que sei de cor, mas não recito,
E os sonos inquietos, de quem falha.

No teu poema:
Existe um canto-chão alentejano,
A rua e o pregão de uma varina,
E um barco assoprado, a todo o pano.

Existe um rio,
O canto em vozes juntas, vozes certas,
Canção de uma só letra e um só destino a embarcar,
No cais da nova nau das descobertas.

Existe um rio,
A sina de quem nasce fraco ou forte,
O risco a raiva e a luta,
De quem cai ou que resiste,
Que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema:
Existe a esperança acesa atrás do mundo,
Existe tudo mais que ainda me escapa,
E um verso em branco à espera...
Do futuro.
José Luis Tinoco
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(Material recolhido para publicação na página-Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

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