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SONETOS XII
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Não repararam nunca ? Pela aldeia,
Nos fios telegráficos da estrada,
Cantam as aves, desde que o Sol nada,
E, à noite, se faz Sol a Lua-Cheia.
No entanto, pelo arame que as tenteia,
Quanta tortura vai, numa ânsia alada !
O Ministro que joga uma cartada,
Alma que, às vezes, de além-mar anseia :
- Revolução ! - Inútil - Cem feridos,
Setenta mortos. - Beijo-te ! - Perdidos !
- Enfim, feliz ! - ? - ! - Desesperado. - Vem.
E as boas aves, bem se importam elas !
Continuam cantando, tagarelas :
Assim, António ! deves ser também .
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António Nobre - 1891
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