quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe fazia

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                S O N E T O     X I V


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Vou sobre o Oceano (o luar, de doce, enleva !)
Por este mar de Glória, em plena paz.
Terras da Pátria somem-se na treva,
Águas de Portugal ficam, atrás.

Onde vou eu ? Meu fado onde me leva ?
António, onde vais tu, doido rapaz ?
Não sei. Mas o Vapor, quando se eleva,
Lembra meu coração, na ânsia em que jaz.

Ó Lusitânia que te vais à vela !
Adeus ! que eu parto (rezarei por ela)
Na minha Nau Catrineta, adeus !

Paquete, meu Paquete, anda ligeiro,
Sobe depressa à gávea, Marinheiro,
E grita, França ! pelo amor de Deus !

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António Nobre - 1890
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