terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe fazia

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              M O C I D A D E

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A mocidade esplêndida, vibrante,
Ardente, extraordinária, audaciosa,
Que vê num cardo a folha de uma rosa,
Na gota de água o brilho dum diamante ;

Essa que fez de mim Judeu Errante
Do espírito, a torrente caudalosa,
Dos vendavais irmã tempestuosa,
- Trago-a em mim vermelha, triunfante !

No meu sangue rubis correm dispersos :
- Chamas subindo ao alto nos meus versos,
Papoilas nos meus lábios a florir !

Ama-me doida, estondeadoramente,
Ó meu Amor ! que o coração da gente
É tão pequeno...e a vida, água a fugir...

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Florbela Espanca
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