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Dina Mangabeira :
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Tu já não me olhas, por quê? No langor do fim do dia,
Não sejas fingido assim... quando o sol já é poente,
Somente um cego não vê há uma invasão de agonia,
o quanto gostas de mim. matando a alma da gente.
Abusei na juventude. Quando desatar o laço
Fiz da vida o que bem quis do presente que lhe dei,
e, em razão dessa atitude, não deixe cair o abraço
hoje, sou muito infeliz. que dentro dele enviei.
Sem ligar à tua dor, Se você for humilhado,
ingrata fui, ó Jesus! não se vingue – é ser igual:
De ti recebi amor pense em Deus crucificado
e em paga o preguei na cruz. por quem não fez nenhum mal .
O trovador tem magia Na vida sou como a artista
quando ele fala de amor; que ao tear vai tricotando
faz trova com harmonia e, como uma estrategista,
e ainda a enfeita com flor seu destino vai trançando.
Se eu pudesse lhe daria, Da saudade fiz um laço,
ó minha mamãe querida, com muito amor e carinho!
da fórmula da alquimia E quanto mais laços faço,
o elixir da longa vida! de saudade me definho.
O tempo vai, tempo vem, Hoje, vou dar-te um abraço
e eu, à espera no portão, apertado de tal jeito
fiz da espera meu refém, que do gesto deixo um laço
do tempo, a desilusão. ilustrado no meu peito.
De cinzas pintei a testa, Acabou num triste fim
quarta-feira da paixão; o que foi sonho e beleza.
maquiei-me para a festa Teu amor morreu em mim
da linda ressurreição. por eu ver nele a incerteza.
O homem, por ser machão, “Mineiro não diz, sussurra.”
aos gritos, diz o que quer, Assim falava meu pai;
mas, mansinho, lambe o chão “Nem usa cofre, usa burra
onde pisa uma mulher. só por ser mineiro, uai!”
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(retirado, com a devida citação, de "falando de trova")