segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - William Ernest Henley

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William Ernest Henley :

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Invictus :

Do fundo desta noite que persiste 
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa; 
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza. 

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.
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(retirado, com a devida citação, de "Pensador")

domingo, 29 de dezembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Murillo Araujo

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 Murillo Araujo :
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CANÇÃO DA LUA QUE LAVA :

Lua, que lavas teus linhos,
sempre a lavar
numa lixívia de nuvens,
branca, branquinha de espuma,
e escorres tudo lá no alto
para seca;

lua que lavas teus linhos
pelo valados maninhos,
na serra onde vai nevar;

oh lua alagando o mundo
nesta espuma de cegar!

lua que lavas teus linhos
e que os enxáguas
e os pões em qualquer lugar —
nos terraços lageados,
nos velhos muros calados,
nos laranjais do pomar
ou nos campos orvalhados
onde estão a gotejar —

vem, lua, e lava minha alma!

Oh lava minha alma em lágrimas,
para que Deus, sol das almas,
venha a enxugar.

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(retirado, com a devida citação, de "Poesia dos Brasis")

sábado, 28 de dezembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Edward Carpenter

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Edward Carpenter :
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El Océano del Sexo :
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Mantener continente al gran mar. al gran océano del sexo, dentro de si,
Con el flujo y el reflujo que presiona sobre los lindes del cuerpo, los amados genitales,
Vibrando, estremeciéndose emocionalmente ante el estelar destello de los ojos de todos los
seres humanos.
Reflejando los Cielos y todas las Criaturas,
¡Cuan maravilloso! Apenas se acerca una figura, macho o hembra, un estremecimiento
lo atraviesa,
Tal como cuando en el acantilado que limita el borde de una laguna alguien se mueve y
entonces, en las entrañas del agua hay también movimiento,
Lo mismo ocurre en el borde de este Océano.
El esplendor de la forma humana, aunque débilmente delineada bajo los árboles o junto a la
orilla, lo agita violentamente con lejanas reminiscencias;
(Pero si las riberas del mar son fuertes y sólidas, ni débilmente ha de pasarlas);
Hasta que tal vez el contacto, la cercanía, el encanto de los ojos de alguien,
Estalle, incontrolable,
Oh maravilloso Océano del Sexo,
Océano de millones y millones de minúsculas formas humanas con apariencia de semillas, contenidas (si verdaderamente lo están) dentro de cada persona,
Espejos del universo mismo.
Templo sacro y recóndito sagrario de cada cuerpo,
Río-Océano que corre siempre a través del gran tronco y de las ramas de la Humanidad,
¡Del que. después de todo, sólo el individuo brota como una yema!
¡Océano que tan maravillosamente contenemos (si en realidad te contenemos), y que, sin
embargo, nos contienes!
A veces, cuando te siento y conozco dentro, y me identifico contigo,
Entiendo que yo también pertenezco a la progenie sin fecha de Cielo y Eternidad,
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(retirado, com a devida citação, de "Pa lo que hemos quedao")

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Raul Seixas

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Raul Seixas :.
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Sim, curvo-me ante a beleza de ser
às vezes zombo de mim mesmo ao término de uma 
inteligente e aguçada constatação.
Ermitão do insólito, poeta da dúvida
Entretanto duvido a dúvida por ser dúvida
fruto de uma premissa lógica 
Mas nego, afirmo e não duvido de nada
Prisioneiro sem grade desse silêncio eterno.
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A saudade é um parafuso
que quando a rosca cai
só entra se for torcendo
porque batendo não vai.
Mas quando enferruja dentro
nem distorcendo não sai.
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Sou o que sou 
porque vivo da minha maneira...
Você procurando respostas olhando pro espaço,
e eu tão ocupado vivendo...
Eu não me pergunto,
Eu faço!
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(retiradas, com a devida citação, de "Pensador")

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Dorothy Parker

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Dorothy Parker :

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A Alma Buscada :
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Quando peso os prós e os contras
das coisas que meu amor encontra
uma boca curva, um punho de fogo
um cenho interrogativo, um belo jogo
de palavras tão batido quanto o pecado
uma orelha pontuda, um queixo rachado
membros longos, agudos e olhos oblíquos
nem frios, nem meigos, nem escurecidos
Quando então pondero usando a razão
nas superficialidades que satisfazem meu coração
sou surpreendida com tal banalidade
me maravilho com a minha normalidade.
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Amor é como mercúrio na mão. Deixe a mão aberta e ele permanecerá; agarre-o firme e ele escapará.
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(retirado, com a devida citação, de "Pensador")

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Dina Mangabeira

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Dina Mangabeira :
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Tu já não me olhas, por quê?                 No langor do fim do dia,
      Não sejas fingido assim...                     quando o sol já é poente,
      Somente um cego não vê                       há uma invasão  de agonia,
         o quanto gostas de mim.                    matando a alma da gente.

         Abusei na juventude.                          Quando desatar o laço
         Fiz da vida o que bem quis                 do presente que lhe dei,
         e, em razão dessa atitude,                  não deixe cair o abraço
         hoje, sou muito infeliz.                       que dentro dele enviei.  

         Sem ligar à tua dor,                            Se você for humilhado, 
         ingrata fui, ó Jesus!                            não se vingue – é ser igual:
         De ti recebi amor                               pense em Deus crucificado   
         e em paga o preguei na cruz.             por quem não fez nenhum mal .

         O trovador tem magia                        Na vida sou como a artista   
         quando ele fala de amor;                   que ao tear vai tricotando
         faz trova com harmonia                     e, como uma estrategista,
         e ainda a enfeita com flor                   seu destino vai trançando.

         Se eu pudesse lhe daria,                    Da saudade fiz um laço, 
         ó minha mamãe querida,                   com muito amor e carinho!
         da fórmula da alquimia                      E quanto mais laços faço,
         o elixir da longa vida!                        de saudade me definho.

         O tempo vai, tempo vem,                    Hoje, vou dar-te um abraço
         e eu, à espera no portão,                    apertado de tal jeito 
         fiz da espera meu refém,                    que do gesto deixo um laço     
         do tempo, a desilusão.                       ilustrado no meu peito.

         De cinzas pintei a testa,                     Acabou num triste  fim         
         quarta-feira da paixão;                      o que foi sonho e beleza.
         maquiei-me para a festa                    Teu amor morreu em mim
         da linda ressurreição.                         por eu ver nele a incerteza.

         O homem, por ser machão,                  “Mineiro não diz, sussurra.”     
         aos gritos, diz o que quer,                    Assim falava meu pai;
         mas, mansinho, lambe o chão              “Nem usa cofre, usa burra   
         onde pisa uma mulher.                         só por ser mineiro, uai!”
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(retirado, com a devida citação, de "falando de trova")

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Paul Claudel

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Paul Claudel :
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La Vierge à midi :


É meio dia. Eu vejo a igreja aberta. E devo entrar.
Mãe de Nosso Senhor, eu não venho rezar.

Nada tenho a pedir e nada a oferecer
Venho somente, ó minha Mãe, para vos ver.

Ver, chorar de felicidade, não saber mais
Do que isto só: que eu sou vosso filho e que aí estais.

Por um momento só quando tudo está quieto.
Meio dia!
Estar convosco, assim, sob este mesmo teto.

Nada dizer, contemplar a vossa imagem,
Deixar que o coração cante a própria linguagem,
Nada dizer, mas apenas cantar, porque a alma está cheia demais,
Como o melro que desfia a sua idéia pelo espaço em estrofes casuais.

Porque vós sois tão formosa, porque vós sois a toda imaculada,
A mulher afinal na Graça restaurada,

A criatura na sua honra primeira e na sua plenitude final,
Tal qual saiu das mãos de Deus na Manhã do seu esplendo roriginal.

Intacta inefavelmente porque vós sois 
a Mãe de Jesus Cristo.
Que é a verdade entre vossos braços, 
e a única esperança e o único fruto,

Porque vós sois a mulher, o Éden da antiga ternura olvidada
Cujo olhar encontra, súbito, o coração e faz jorrar as lágrimas acumuladas,

Porque me quisestes salvar, porque quisestes salvar a França,
Porque ela também, como eu, para vós foi uma coisa na lembrança,
Porque foi quando tudo ruía que vós quisestes intervir por nós,
Porque quem salvou a França ainda uma vez fostes vós,

Porque é meio dia, porque estamos no dia de hoje e estamos sós.
Porque vós aí estais para sempre, simplesmente porque vóssois Maria,
simplesmente porque existis, mais nada,
Mãe de Nosso Senhor, graças vos sejam dadas!
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(retirado, com a devida citação, de "Verba in corde suo")

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Boas Festas

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 - Este Blog deseja a todos os seus Sofre.dores, um

                    FELIZ NATAL 2013
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                                  .

                           NelitÓlivas

domingo, 22 de dezembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Haroldo de Campos

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Haroldo de Campos :

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circuladô de fulô :

circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie
porque eu não posso guiá eviva quem já me deu circuladô de
fulô e ainda quem falta me dá

soando como um shamisen e feito apenas com um arame
tenso um cabo e uma lata velha num fim de festafeira no
pino do sol a pino mas para outros não existia aquela música
não podia porque não podia popular aquela música se não
canta não é popular se não afina não tintina não tarantina e
no entanto puxada na tripa da miséria na tripa tensa da mais
megera miséria física e doendo doendo como um prego
na palma da mão um ferrugem prego cego na
palma espalma da mão coração exposto como um nervo
tenso retenso um renegro prego cego durando na palma
polpa da mão ao sol
o povo é o inventalínguas na malícia da maestria no matreiro
da maravilha no visgo do improviso tenteando a travessia
azeitava o eixo do sol
e não peça que eu te guie não peça despeça que eu te guie
desguie que eu te peça promessa que eu te fie me deixe
me esqueça me largue me desamargue que no fim eu acerto que
no fim eu reverto que no fim eu conserto e para o fim me
reservo e se verá que estou certo e se verá que tem jeito e se
verá que está feito que pelo torto fiz direito que quem faz
cesto faz cento se não guio não lamento pois o mestre que
me ensinou já não dá ensinamento.
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(retirado, com a devida citação, de "vicio da poesia")

sábado, 21 de dezembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Yiannis Ritsos

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Yiannis Ritsos :

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Inelutável :
Tarde sombria como um bolso vazio.
No fundo do bolso um buraco doce, penugento.
Por lá passas um dedo em segredo,
tocas a própria coxa como se tocasses
outro corpo, maior, estranho, profundo
— o corpo da noite ou da tua morte.
Por esse buraco caem as moedas todas,
mesmo as de ouro, cunhadas com a efígie
esplêndida e jovem do Príncipe dos Lírios.


 (retirado, com a devida citação de "Rascunho")

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Julio Correa

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Julio Correa :
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O RIO É UM GRANDE POETA :

    Tradução de Sólon Borges do Reis


É o rio um grande poeta
que vai cantando seus sonhos
de amor e de liberdade
com a guitarra do vento.

O rio, um grande poeta
que diz um poema imenso
numa linguagem de Deus.

Não o culpeis pelos mortos
que os bandidos lhe atiram
desesperados de medo,
para escapar ao castigo
que chegará justiceiro.

O rio, um grande poeta
que diz seu poema imenso.

É o rio grande poeta
que vai cantando...  cantando...
e a magia de seu estro
está  gerando, amorosa,
o canto do homem novo,
como ranger de protestos
de todos os esqueletos
das vítimas que, covarde,
jogou em seu leito o ódio.

O rio, um grande poeta
Que cantará o canto novo.
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(retirado, com a devida citação, de "Antonio Miranda")

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Alfred Lord Tennyson

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Alfred Lord Tennyson :

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Ulisses :

É de pouca serventia que um rei inútil
Defronte este manso fogo, entre esses montes calvos,
Casado com uma velha esposa, deite
Leis injustas sobre uma raça selvagem
Que enriquece, dorme, e come, e não me conhece.
Não posso abster-me de viajar: beberei
A vida até a última gota: todo tempo gozei
Enormemente, sofri enormemente, ambos com aqueles
Que me amaram, e só; na orla e quando
Através da ventania castigante que chuvosas Híades
Irritavam o mar escuro: tornei-me famoso;
Sempre vagando com um coração faminto
Muito vi e conheci; cidades de homens
Suas maneiras, climas, conselhos, governos
Não sendo ignorado, mas honrado em todas.
E bebi o deleite da batalha com meus pares,
Alhures nas ressonantes planícies de Tróia.
Sou parte de tudo que encontrei;
Não obstante toda experiência é um arco através do qual
Brilha aquele mundo ignoto, cuja margem evanesce
Para sempre e para sempre quando me movo
Como é enfadonho deter-me, terminar,
Enferrujar sem brilho, não fulgurar em uso!
Como se respirar fosse viver. Uma vida sobre outra
Seria muito exíguo, e a única que me resta
Pouco resta: mas cada hora salva-me
Do eterno silêncio, algo mais,
Traz a bem-aventurança; e seria desprezível
Resguardar-me à causa de três sois,
Este espírito cinéreo ansioso de desejo
De seguir o conhecimento, como uma estrela cadente,
Além da última fronteira do pensamento humano.
Este é meu filho, meu Telêmaco,
Para o qual deixo meu cetro e a ilha–
Por mim bem amado, tem discernimento para triunfar
Nesta tarefa, por lenta prudência, amansar
Um povo rude, e por parcimónia
Submetê-los ao útil e ao bom.
É impecável, centrado na esfera
Dos interesses comuns, decente em não falhar
Em sua compaixão, e cumprir
Os ritos aos deuses guardiões,
Quando partir. Ele fará seu trabalho, e eu, o meu.
Ali está o porto: o veleiro infla sua vela:
Ali entristece o amplo e obscuro mar. Meus marinheiros,
Almas que trabalharam e sofreram , e pensaram comigo –
Que sempre bem acolheram
O trovão e o brilho do sol, e opuseram-lhes
Corações e faces livres – vós e eu somos velhos;
A idade avançada tem sua honra e seu peso;
A morte encerra tudo; porém algo outrora o fim,
Algum trabalho notável, pode ainda ser feito,
Não desonrando homens que combateram os deuses.
A luz começa a cintilar entre as rochas:
O longo dia chega ao fim: a lenta lua ascende: os profundos
Lamentos são muitas vozes. Venham, amigos,
Não é tarde para buscar um novo mundo.
Zarpemos, e sentados em perfeita ordem aflijamos
Os sulcos sonoros; pois meu propósito é
Velejar além do ocaso, onde se banham
Todas as estrelas ocidentais, até a morte.
Talvez as tormentas nos destruam
Talvez atinjamos as Ilhas Afortunadas
E vejamos o grande Aquiles, que conhecemos.
Embora muito se perca, muito permanece; e embora
Não sejamos mais fortes como em tempos passados
Movemos o céu e a terra; o que somos, somos:
Uma só têmpera de corações heróicos,
Debilitados pelo tempo e o destino, mas fortes em ímpeto
Para lutar, buscar, encontrar, e não hesitar.
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(retirado, com a devida citação, de "Projeto 332 Poemas")

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Bento Prado Júnior


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Bento Prado Jr. :

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Coração de pedra :
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Não tem olhos de ver para a eterna beleza,
o sorriso de Deus que ilumina a existência;
não lhe fala à alma rude a suave pureza
que reponta e sorri nos lábios da inocência;

a flor não o interessa, ou surja na devesa,
onde acaso a plantou a mão da Providência,
ou soberba pompeie, onde o Belo se preza,
requinte de arte pura ou prodígio da ciência.

É que o vêzo do lucro, o seu deus verdadeiro,
lhe deu ao coração consistência de pedra
e aos olhos lhe roubou o poder da visão.

Só lhe sobe à alma torpe o ouro, a moeda, o dinheiro...
Templo erguido a Mamona, a piedade não medra
na profunda aridez do seu vil coração. 
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(retirado, com a devida citação de "As Tormentas")

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Guillaume Apollinaire

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Guillaume Apollinaire :
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A PONTE MIRABEAU :
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Sob esta ponte passa o rio Sena
e o nosso amor
lembrança tão pequena
sempre o prazer chegava após a pena

Chega a noite a
hora soa
vão-se os dias
vivo à toa

Mãos dadas nós fiquemos face a face
enquanto sob
a ponte dos braços passe
de eternas juras tédio que se enlace

Chega a noite a
hora soa
vão-se os dias
vivo à toa

E vai-se o amor como água corre atenta
e vai-se o amor
ai como a vida é tão lenta
e como só a esperança é violenta

Chega a noite a hora
soa
vão-se os dias vivo à
toa

Dias semanas passam à dezena
nem tempo volta
nem nosso amor nossa pena
sob esta ponte passa o rio Sena

Chega a noite a hora
soa
vão-se os dias vivo à
toa 
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(retirado, com a devida citação, de "As Tormentas") 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Miguel Angel Astúrias

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Miguel Angel Astúrias :

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Credo :

Creio na Liberdade, Mãe de América
criadora de mares doces na terra,
e em Bolívar, seu filho, Senhor Nosso
que nasceu em Venezuela, padeceu
sob o poder espanhol, foi combatido,
sentiu-se morto sobre o Chimborazo,
ressuscitou na voz de Colômbia,
tocou ao Eterno com suas mãos
e está parado junto a Deus!
Não nos julgues, Bolívar, antes do dia último,
porque cremos na comunhão dos homens
que comungam com o povo, só o povo
faz livres aos homens, proclamamos
guerra a morte e sem perdão aos tiranos
cremos na ressurreição dos heróis
e na vida perdurável dos que como Tu,
Libertador, não morrem, fecham os olhos e se
ficam velando.
(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)
Credo
Miguel Angel Asturias
¡Credo en la Libertad, Madre de América,
creadora de mares dulces en la tierra,
y en Bolívar, su hijo, Señor Nuestro
que nació en Venezuela, padeció
bajo el poder español, fue combatido,
sintióse muerto sobre el Chimborazo,
resucitó a la voz de Colombia,
tocó al Eterno con sus manos
y está parado junto a Dios!
¡No nos juzgues, Bolívar, antes del día último,
porque creemos en la comunión de los hombres
que comulgan con el pueblo, sólo el pueblo
hace libres a los hombres, proclamamos
guerra a muerte y sin perdón a los tiranos,
creemos en la resurrección de los héroes
y en la vida perdurable de los que como Tú,
Libertador, no mueren, cierran los ojos y se quedan velando!
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(retirado, com a devida citação, de "Poesia Latina")