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Murillo Araujo :
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CANÇÃO DA LUA QUE LAVA :
Lua, que lavas teus linhos,
sempre a lavar
numa lixívia de nuvens,
branca, branquinha de espuma,
e escorres tudo lá no alto
para seca;
lua que lavas teus linhos
pelo valados maninhos,
na serra onde vai nevar;
oh lua alagando o mundo
nesta espuma de cegar!
lua que lavas teus linhos
e que os enxáguas
e os pões em qualquer lugar —
nos terraços lageados,
nos velhos muros calados,
nos laranjais do pomar
ou nos campos orvalhados
onde estão a gotejar —
vem, lua, e lava minha alma!
Oh lava minha alma em lágrimas,
para que Deus, sol das almas,
venha a enxugar.
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(retirado, com a devida citação, de "Poesia dos Brasis")

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