terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Paul Claudel

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Paul Claudel :
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La Vierge à midi :


É meio dia. Eu vejo a igreja aberta. E devo entrar.
Mãe de Nosso Senhor, eu não venho rezar.

Nada tenho a pedir e nada a oferecer
Venho somente, ó minha Mãe, para vos ver.

Ver, chorar de felicidade, não saber mais
Do que isto só: que eu sou vosso filho e que aí estais.

Por um momento só quando tudo está quieto.
Meio dia!
Estar convosco, assim, sob este mesmo teto.

Nada dizer, contemplar a vossa imagem,
Deixar que o coração cante a própria linguagem,
Nada dizer, mas apenas cantar, porque a alma está cheia demais,
Como o melro que desfia a sua idéia pelo espaço em estrofes casuais.

Porque vós sois tão formosa, porque vós sois a toda imaculada,
A mulher afinal na Graça restaurada,

A criatura na sua honra primeira e na sua plenitude final,
Tal qual saiu das mãos de Deus na Manhã do seu esplendo roriginal.

Intacta inefavelmente porque vós sois 
a Mãe de Jesus Cristo.
Que é a verdade entre vossos braços, 
e a única esperança e o único fruto,

Porque vós sois a mulher, o Éden da antiga ternura olvidada
Cujo olhar encontra, súbito, o coração e faz jorrar as lágrimas acumuladas,

Porque me quisestes salvar, porque quisestes salvar a França,
Porque ela também, como eu, para vós foi uma coisa na lembrança,
Porque foi quando tudo ruía que vós quisestes intervir por nós,
Porque quem salvou a França ainda uma vez fostes vós,

Porque é meio dia, porque estamos no dia de hoje e estamos sós.
Porque vós aí estais para sempre, simplesmente porque vóssois Maria,
simplesmente porque existis, mais nada,
Mãe de Nosso Senhor, graças vos sejam dadas!
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(retirado, com a devida citação, de "Verba in corde suo")

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