Os dias sem ninguém - Al Berto :
.
.
os dias sem ninguémpequeníssimos recados escritos à pressa
amachucados nos dedos
.
foi bela a madressilva
subindo pela noite da morada esquecida
.
pedras exactas poeiras perfumadas
bichos de lume dormitando na flexibilidade da argila
areias cobertas de insectos ossos dentes
e o rio por onde partem as noites de cansaço
.
luminosa floração luas ácidas despenhando-se
fendas de terra cidades costeiras pássaros
frágeis caminhos em pleno voo
durante a lucidez tremenda do sonho
.
restam-me os corredores de vidro
onde posso afagar os restos carbonizados do corpo
abro a porta que dava acesso ao rosto
desço os degraus musgosos do pátio
atravesso o jardim de alvenaria onde vivi
todo este tempo antes de me precipitar.
Sem comentários:
Enviar um comentário