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O Azul :
O azul, o azul rouco, o azul
sem cor, luz gémea da sede.
Acerca deste rigor
tenho uma palavra a dizer,
uma sílaba a salvar
desta aridez, asa
ferida, o olhar arrastado
pela pedra
calcinada, húmido
ainda de ter pousado
à sombra de um nome,
o teu,
amor do mundo, amor de nada.
sem cor, luz gémea da sede.
Acerca deste rigor
tenho uma palavra a dizer,
uma sílaba a salvar
desta aridez, asa
ferida, o olhar arrastado
pela pedra
calcinada, húmido
ainda de ter pousado
à sombra de um nome,
o teu,
amor do mundo, amor de nada.
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Eugénio de Andrade
(Póvoa de Atalaia, Fundão , 19/01/1923 – Porto, 13/06/2005)
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NelitOlivas

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