quarta-feira, 30 de abril de 2014

Momento Poético

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"APRENDAMOS O RITO" :

Põe na mesa a toalha adamascada
Traz as rosas mais frescas do jardim
Deita o vinho no copo, corta o pão
Com a faca de prata e de marfim

Alguém veio juntar-se à tua mesa
Alguém a quem não vês mas que pressentes
Cruza as mãos no regaço, não perguntes
Nas perguntas que fazes é que mentes

Prova depois o vinho, come o pão
Rasga a palma da mão no caule agudo
Leva as rosas à fonte, cobre os olhos
Cumpriste o ritual e sabes tudo. 
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José Saramago
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(Material recolhido para publicação na página-Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

terça-feira, 29 de abril de 2014

Momento Poético

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Lamento Das Rosas Bravas :
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Asas de um lenço / no azul intenso / ave que vai voar / nau que vai no mar / agora que partiste / fica onde moravas /
Esta valsinha triste / entre as rosas bravas / e no fim / do lamento / no jardim / sopra o vento / vida assim /
Desolada, / névoa em mim, / sombras, nada. / vem à toa / a saudade / e magoa / e vibra dentro do meu peito /
Chega e parte / a chamar-te / meu amor / meu amor imperfeito/ que ao longe és tão perfeito/ e se um dia nalgum
Voo repentino / a saudade for nas asas do destino / vai correr mundo / e levar o coração / vagabundo / à tua mão /
Asas de um lenço / no azul intenso / ave que vai voar / nau que vai no mar
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Vasco Graça Moura
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(Material recolhido para publicação na página-Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

Adivinhas

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Viela Rodrigues :
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Páteo Cardoso :
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Travessa dos Moinhos :

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Cç. da Tapada - Capela do antigo Sanatório :
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Cç. Tapada - prédio da Farmácia Teles :
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Cç. da Tapada, 81 :
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Cç. da Tapada - Escola ...?
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Cç. da Tapada 47/53 :
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Cç. da Tapada, 43  :
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Cç. da Tapada - antiga Escª. Ferreira Borges :
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Cç. da Tapada, 29 :
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Cç. da Tapada, 66 :
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Cç. da Tapada, ?
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Balneário :
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Pátio da antiga Escª M. Pombal/F. Benevides :
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Rua José Dias Coelho, 1 :
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Rua José Dias Coelho, 11 :
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Rua dos Lusíadas, 26 :
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Rua dos Lusíadas, 44 :
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R. Leão de Oliveira/R. dos Lusíadas :
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da Junta de Freguesia :
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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Momento Poético

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Lamento Das Rosas Bravas :
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Asas de um lenço / no azul intenso / ave que vai voar / nau que vai no mar / agora que partiste / fica onde moravas /Esta valsinha triste / entre as rosas bravas / e no fim / do lamento / no jardim / sopra o vento / vida assim /Desolada, / névoa em mim, / sombras, nada. / vem à toa / a saudade / e magoa / e vibra dentro do meu peito*, /Chega e parte / a chamar-te / meu amor / meu amor imperfeito* / que ao longe és tão perfeito* / e se um dia nalgumVoo repentino / a saudade for nas asas do destino / vai correr mundo / e levar o coração / vagabundo / à tua mão /Asas de um lenço / no azul intenso / ave que vai voar / nau que vai no mar
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Vasco Graça Moura
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(Material recolhido para publicação na página-Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

Momento Poético/Musical

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Pedra Filosofal :

Eles não sabem que o sonho
É uma constante da vida
Tão concreta e definida
Como outra coisa qualquer

Como esta pedra cinzenta
Em que me sento e descanso
Como este ribeiro manso
Em serenos sobressaltos

Como estes pinheiros altos
Que em verde e oiro se agitam
Como estas aves que gritam
Em bebedeiras de azul

Eles não sabem que o sonho
É vinho, é espuma, é fermento
Bichinho alacre e sedento
De focinho pontiagudo
Em perpétuo movimento

Eles não sabem que o sonho
É tela, é cor, é pincel
Base, fuste ou capitel
Arco em ogiva, vitral,
Pináculo de catedral,
Contraponto, sinfonia,
Máscara grega, magia,
Que é retorta de alquimista

Mapa do mundo distante
Rosa dos ventos, infante
Caravela quinhentista
Que é cabo da boa-esperança

Ouro, canela, marfim
Florete de espadachim
Bastidor, passo de dança
Columbina e arlequim

Passarola voadora
Pára-raios, locomotiva
Barco de proa festiva
Alto-forno, geradora

Cisão do átomo, radar
Ultra-som, televisão
Desembarque em foguetão
Na superfície lunar

Eles não sabem nem sonham
Que o sonho comanda a vida
E que sempre que o homem sonha
O mundo pula e avança
Como bola colorida
Entre as mãos duma criança.
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Rómulo Vasco da Gama de Carvalho
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(Material recolhido para publicação na página-Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

domingo, 27 de abril de 2014

Momento Poético/Musical

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HOMEM SÓ, MEU IRMÃO :
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Tu, a quem a vida pouco deu,
que deste o nada que foi teu em gestos desmedidos...
Tu, a quem ninguém estendeu a mão
e mendigas o pão dos teus sentidos, homem só, meu irmão!

Tu, que andas em busca da verdade
e só encontras falsidade em cada sentimento,
inventa, inventa amigo uma canção
que dure para além deste momento, homem só, meu irmão!

Tu, que nesta vida te perdeste
e nunca a mitos te vendeste -- dura solidão --
faz dessa solidão teu chão sagrado,
agarra bem teu leme ou teu arado, homem só, meu irmão!
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Luiz Goes
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NelitOlivas

sábado, 26 de abril de 2014

Momento Poético/Musical

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Grito - Amália Rodrigues :
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Silêncio!
Do silêncio faço um grito,
Que o corpo todo me dói.
Deixai-me chorar um pouco...

Sombra, à sombra,
A um céu, tão recolhido
De sombra assombrada
Já lhe perdi o sentido.

Ó céu!
É que me falta luz,
É que me falta uma estrela.
Chora-se mais,
Quando se vive atrás dela.

E eu,
A quem o céu esqueceu,
Sou eu que o mundo perdeu.
Só choro agora
Por quem morre e já não chora.


Solidão!
Que nem mesmo essa é inteira,
Há sempre uma companheira:
Uma profunda amargura.

Ai, solidão!
Que me fora escorpião!
Ai, solidão!
E se mordera a cabeça!

Deus!
Já fui pra além da vida!
Do que já fui, tenho sede!
Sou sombra triste
Encostada a uma parede.

Adeus!
Vida que tanto duras!
Vem morte,
Que tanto tardas!
Ai, como dói
A solidão, quase loucura!

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(Material recolhido para publicação na página-Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Momento Poético

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NelitOlivas

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Momento Poético

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"Lágrima" :

Cheia de penas me deito
E com mais penas me levanto
Já me ficou no meu peito
O jeito de te querer tanto

Tenho por meu desespero
Dentro de mim o castigo
Eu digo que não te quero
E de noite sonho contigo

Se considero que um dia hei-de morrer
No desespero que tenho de te não ver
Estendo o meu xaile no chão
E deixo-me adormecer

Se eu soubesse que morrendo
Tu me havias de chorar
Por uma lágrima tua
Que alegria me deixaria matar

(Amália Rodrigues)
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(Material recolhido para publicação na página-Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Momento Poético


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ODE AO TEJO E À MEMÓRIA DE ÁLVARO DE CAMPOS :
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E aqui estou eu,
ausente diante desta mesa -
e ali fora o Tejo.
Entrei sem lhe dar um só olhar.
Passei, e não me lembrei de voltar a cabeça,
e saudá-lo deste canto da praça:
«Olá Tejo! Aqui estou eu outra vez!»
Não, não olhei.
Só depois que a sombra de Álvaro de Campos se sentou a meu lado
me lembrei que estavas aí, Tejo.
Passei e não te vi.
Passei e vim fechar-me dentro de quatro paredes, Tejo!
Não veio nenhum criado dizer-me se era esta a mesa em que Fernando Pessoa se sentava,
contigo e os outros invisíveis à sua volta,
inventando vidas que não queria ter.
Eles ignoram-no como eu te ignorei agora, Tejo.
Tudo são desconhecidos, tudo é ausência no mundo,
tudo indiferença e falta de resposta.
*
Arrastas a tua massa enorme como um cortejo de glória,
e mesmo eu que sou poeta passo a teu lado de olhos fechados,
Tejo que não és da minha infância,
mas que estás dentro de mim como uma presença indispensável,
majestade sem par nos monumentos dos homens,
imagem muito minha do eterno,
porque és real e tens forma, vida, ímpeto,
porque tens vida, sobretudo,
meu Tejo sem corvetas nem memórias do passado…
Eu que me esqueci de te olhar!
O meu mal não é ser dos que trazem a beleza metida na algibeira
e não precisam de olhar as coisas para as terem.
Quando não estás diante dos meus olhos, estás sempre longe.
Não te reduzi a uma ideia para trazer dentro da cabeça,
e quando estás ausente, estás mesmo ausente dentro de mim.
Não tenho nada, porque só amo o que é vivo,
mas a minha pobreza é um grande abraço em que tudo é sempre virgem,
porque quando o tenho, é concreto nos braços fechados sobre a posse.
Não tenho lugar para nenhum cemitério dentro de mim…
E por isso é que fiquei a pensar como era grave ter passado sem te olhar, ó Tejo.
Mau sinal, mau sinal, Tejo.
*
Má hora, Tejo, aquela em que passei sem olhar para onde estavas.
Preciso de um grande dia a sós contigo, Tejo,
levado nos teus braços,
debruçado sobre a cor profunda das tuas águas,
embriagado do teu vento que varre como um hino de vitória
as doenças da cidade triste e dos homens acabrunhados…
Preciso de um grande dia a sós contigo, Tejo,
para me lavar do que deve andar de impuro dentro de mim,
para os meus olhos beberem a tua força de fluxo indomável,
para me lavar do contágio que deve andar a envenenar-me
dos homens que não sabem olhar para ti e sorrir à vida,
para que nunca mais, Tejo, os meus olhos possam voltar-se para outro lado
quando tiverem diante de si a tua grandeza, Tejo,
mais bela que qualquer sonho,
porque é real, concreta e única!
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MONTEIRO, Adolfo Casais (1908-1972)
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Ode ao Tejo e à Memória de Álvaro de Campos, Noite Aberta aos Quatro Ventos, 1943 e 1959, Segunda Parte, Poesias Completas, 1929-1969, IN / CM, Lisboa, 1993
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(Material recolhido para publicação na página Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

terça-feira, 22 de abril de 2014

Momento Poético

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Primavera :

Todo o amor que nos
prendera
como se fora de cera
se quebrava e desfazia
ai funesta primavera
quem me dera, quem nos dera
ter morrido nesse dia

E condenaram-me a tanto
viver comigo meu pranto
viver, viver e sem ti
vivendo sem no entanto
eu me esquecer desse encanto
que nesse dia perdi

Pão duro da solidão
é somente o que nos dão
o que nos dão a comer
que importa que o coração
diga que sim ou que não
se continua a viver

Todo o amor que nos
prendera
se quebrara e desfizera
em pavor se convertia
ninguém fale em primavera
quem me dera, quem nos dera
ter morrido nesse dia

              David Mourão-Ferreira
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(Material recolhido para publicação na página Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Momento Poético

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E de Novo, Lisboa...
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E de novo, Lisboa, te remancho,
numa deriva de quem tudo olha
de viés: esvaído, o boi no gancho,
ou o outro vermelho que te molha.

Sangue na serradura ou na calçada,
que mais faz se é de homem ou de boi?
O sangue é sempre uma papoila errada,
cerceado do coração que foi.

Groselha, na esplanada, bebe a velha,
e um cartaz, da parede, nos convida
a dar o sangue. Franzo a sobrancelha:
dizem que o sangue é vida; mas que vida?

Que fazemos, Lisboa, os dois, aqui,
na terra onde nasceste e eu nasci?
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Alexandre O'Neill, in 'De Ombro na Ombreira' 
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(Material recolhido para publicação na página Facebook da Universidade Alcântara Sénior, ao abrigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

domingo, 20 de abril de 2014

Momento Poético

Povo :
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Povo que lavas no rio,
Que vais às feiras e à tenda,
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão,
Pode haver quem te defenda,
Quem turve o teu ar sadio,
Quem compre o teu chão sagrado,
Mas a tua vida, não!

Meu cravo branco na orelha!
Minha camélia vermelha!
Meu verde manjericão!
Ó natureza vadia!
Vejo uma fotografia...
Mas a tua vida, não!

Fui ter à mesa redonda,
Bebendo em malga que esconda
O beijo, de mão em mão...
Água pura, fruto agreste,
Fora o vinho que me deste,
Mas a tua vida, não!

Procissões de praia e monte,
Areais, píncaros, passos
Atrás dos quais os meus vão!
Que é dos cântaros da fonte?
Guardo o jeito desses braços...
Mas a tua vida, não!

Aromas de urze e de lama!
Dormi com eles na cama...
Tive a mesma condição.
Bruxas e lobas, estrelas!
Tive o dom de conhecê-las...
Mas a tua vida, não!

Subi às frias montanhas,
Pelas veredas estranhas
Onde os meus olhos estão.
Rasguei certo corpo ao meio...
Vi certa curva em teu seio...
Mas a tua vida, não!

Só tu! Só tu és verdade!
Quando o remorso me invade
E me leva à confissão...
Povo! Povo! eu te pertenço.
Deste-me alturas de incenso,
Mas a tua vida, não!

Povo que lavas no rio,
Que vais às feiras e à tenda,
Que talhas com teu machado,
As tábuas do meu caixão,
Pode haver quem te defenda,
Quem turve o teu ar sadio,
Quem compre o teu chão sagrado,
Mas a tua vida, não!

Pedro Homem de Mello, in "Miserere"

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(Material recolhido para publicação na página Facebook, da Universidade Alcântara Sénior, ao abrigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Momento Poético

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Os Namorados Lisboetas :
Entre o olival e a vinha
o Tejo líquido jumento
sua solar viola afina
a todo o azul do seu comprimento

tendo por lânguida bainha
barcaças de bacia larga
que possessas de ócio animam
o sol a possuí-las de ilharga.

Sua lata de branca tinta
vai derramando um vapor
precisando a tela marinha
debuxada com os lápis de cor

da liberdade de sermos dois
a máquina de fazer púrpura
que em todas as coisas fermenta
seu tácito sumo de uva.

Natália Correia, in "O Vinho e a Lira"
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(Material recolhido para publicação na página Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

Momento Poético/Musical

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Meu amor, meu amor (Ary dos Santos) :

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Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.
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Meu limão de amargura meu punhal a escrever
nós parámos o tempo não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.
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Meu amor meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento

este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar.
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(Material recolhido para publicação na página Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Momento Poético

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Em Lisboa, com Cesário Verde :

Nesta cidade, onde agora me sinto
mais estrangeiro do que os gatos persas;
nesta Lisboa, onde mansos e lisos
os dias passam a ver as gaivotas,
e a cor dos jacarandás floridos
se mistura à do Tejo,em flor também,
só o Cesário vem ao meu encontro,
me faz companhia, quando de rua
em rua procuro um rumor distante
de passos ou aves, nem eu sei já bem.
Só ele ajusta a luz feliz dos seus
versos aos olhos ardidos que são
os meus agora; só ele traz a sombra
dum verão muito antigo, com corvetas
lentas ainda no rio, e a música,
o sumo do sol a escorrer da boca,
ó minha infância, meu jardim fechado,
ó meu poeta, talvez fosse contigo
que aprendi a pesar sílaba a sílaba
cada palavra, essas que tu levaste
quase sempre, como poucos mais,
à suprema perfeição da língua.
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Eugénio de Andrade 

In Prosa e Poesia, II volume (1986)

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(Material recolhido para publicação na página Facebook da Universidade Alcântara Sénior, ao abrigo do Artº 75 do Código do Direiro do Autor)
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NelitOlivas

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Momento Poético

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Tejo que levas nas águas - Manuel da Fonseca :
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Tejo que levas as águas 
correndo de par em par 
lava a cidade de mágoas 

leva as mágoas para o mar 

Lava-a de crimes espantos 
de roubos, fomes, terrores, 
lava a cidade de quantos 
do ódio fingem amores 

Leva nas águas as grades 
de aço e silêncio forjadas 
deixa soltar-se a verdade 
das bocas amordaçadas 

Lava bancos e empresas 
dos comedores de dinheiro 
que dos salários de tristeza 
arrecadam lucro inteiro 

Lava palácios vivendas 
casebres bairros da lata 
leva negócios e rendas 
que a uns farta e a outros mata 

Tejo que levas as águas 
correndo de par em par 
lava a cidade de mágoas 
leva as mágoas para o mar 

Lava avenidas de vícios 
vielas de amores venais 
lava albergues e hospícios 
cadeias e hospitais 

Afoga empenhos favores 
vãs glórias, ocas palmas 
leva o poder dos senhores 
que compram corpos e almas 

Leva nas águas as grades 
Das camas de amor comprado 
desata abraços de lodo 
rostos corpos destroçados 
lava-os com sal e iodo 
rigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
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(material recolhido para publicação na página Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

terça-feira, 15 de abril de 2014

Momento Poético

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Alma minha gentil, que te partiste 
Tão cedo desta vida descontente, 
Repousa lá no Céu eternamente, 
E viva eu cá na terra sempre triste. 

Se lá no assento Etéreo, onde subiste, 
Memória desta vida se consente, 
Não te esqueças daquele amor ardente, 
Que já nos olhos meus tão puro viste. 

E se vires que pode merecer-te 
Algũa cousa a dor que me ficou 
Da mágoa, sem remédio, de perder-te, 

Roga a Deus, que teus anos encurtou, 
Que tão cedo de cá me leve a ver-te, 
Quão cedo de meus olhos te levou. 
Luís Vaz de Camões
.NelitOlivas

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Momento Poético/Musical

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Tejo que levas as águas 
correndo de par em par 
lava a cidade de mágoas 
leva as mágoas para o mar 

Lava-a de crimes espantos 
de roubos, fomes, terrores, 
lava a cidade de quantos 
do ódio fingem amores 

Leva nas águas as grades 
de aço e silêncio forjadas 
deixa soltar-se a verdade 
das bocas amordaçadas 

Lava bancos e empresas 
dos comedores de dinheiro 
que dos salários de tristeza 
arrecadam lucro inteiro 

Lava palácios vivendas 
casebres bairros da lata 
leva negócios e rendas 
que a uns farta e a outros mata 

Tejo que levas as águas 
correndo de par em par 
lava a cidade de mágoas 
leva as mágoas para o mar 

Lava avenidas de vícios 
vielas de amores venais 
lava albergues e hospícios 
cadeias e hospitais 

Afoga empenhos favores 
vãs glórias, ocas palmas 
leva o poder dos senhores 
que compram corpos e almas 

Leva nas águas as grades 
... 

Das camas de amor comprado 
desata abraços de lodo 
rostos corpos destroçados 
lava-os com sal e iodo 

Tejo que levas nas águas
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Manuel da Fonseca
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