quarta-feira, 16 de abril de 2014

Momento Poético

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Tejo que levas nas águas - Manuel da Fonseca :
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Tejo que levas as águas 
correndo de par em par 
lava a cidade de mágoas 

leva as mágoas para o mar 

Lava-a de crimes espantos 
de roubos, fomes, terrores, 
lava a cidade de quantos 
do ódio fingem amores 

Leva nas águas as grades 
de aço e silêncio forjadas 
deixa soltar-se a verdade 
das bocas amordaçadas 

Lava bancos e empresas 
dos comedores de dinheiro 
que dos salários de tristeza 
arrecadam lucro inteiro 

Lava palácios vivendas 
casebres bairros da lata 
leva negócios e rendas 
que a uns farta e a outros mata 

Tejo que levas as águas 
correndo de par em par 
lava a cidade de mágoas 
leva as mágoas para o mar 

Lava avenidas de vícios 
vielas de amores venais 
lava albergues e hospícios 
cadeias e hospitais 

Afoga empenhos favores 
vãs glórias, ocas palmas 
leva o poder dos senhores 
que compram corpos e almas 

Leva nas águas as grades 
Das camas de amor comprado 
desata abraços de lodo 
rostos corpos destroçados 
lava-os com sal e iodo 
rigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
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(material recolhido para publicação na página Facebook da Universidade Sénior de Alcântara, ao abrigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

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