segunda-feira, 21 de abril de 2014

Momento Poético

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E de Novo, Lisboa...
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E de novo, Lisboa, te remancho,
numa deriva de quem tudo olha
de viés: esvaído, o boi no gancho,
ou o outro vermelho que te molha.

Sangue na serradura ou na calçada,
que mais faz se é de homem ou de boi?
O sangue é sempre uma papoila errada,
cerceado do coração que foi.

Groselha, na esplanada, bebe a velha,
e um cartaz, da parede, nos convida
a dar o sangue. Franzo a sobrancelha:
dizem que o sangue é vida; mas que vida?

Que fazemos, Lisboa, os dois, aqui,
na terra onde nasceste e eu nasci?
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Alexandre O'Neill, in 'De Ombro na Ombreira' 
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(Material recolhido para publicação na página Facebook da Universidade Alcântara Sénior, ao abrigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
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NelitOlivas

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