A defesa do poeta
.
Natália Correia
.
Senhores jurados sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito e ando com uma camisa de vento ao contrário do esqueleto
.
Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim com a paciência dos versos espero viver dentro de mim
.
Sou em código o azul de todos
(curtido couro de cicatrizes) uma avaria cantante na maquineta dos felizes
.
Senhores banqueiros sois a cidade
o vosso enfarte serei não há cidade sem o parque do sono que vos roubei
.
Senhores professores que pusestes
a prémio minha rara edição de raptar-me em criança que salvo do incêndio da vossa lição
.
Senhores tiranos que do baralho
de em pó volverdes sois os reis sou um poeta jogo-me aos dados ganho as paisagens que não vereis
.
Senhores heróis até aos dentes
puro exercício de ninguém minha cobardia é esperar-vos umas estrofes mais além
.
Senhores três quatro cinco e Sete
que medo vos pôs por ordem? que pavor fechou o leque da vossa diferença enquanto homem?
.
Senhores juízes que não molhais
a pena na tinta da natureza não apedrejeis meu pássaro sem que ele cante minha defesa
.
Sou uma impudência a mesa posta
de um verso onde o possa escrever ó subalimentados do sonho! a poesia é para comer.
.
(retirado do Blog "zezepina.utopia.com.br", para publicação na pagina Facebook da Universidade Alcântara Sénior, ao abrigo do Artº 75 do Código do Direito do Autor)
.
.
NelitOlivas
|
sexta-feira, 11 de abril de 2014
Momento Poético
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário