"Leonor" - António Cabral :
.
.
LEONOR
A Leonor
continua descalça,
o que
sempre lhe deu certa graça.
Pelo menos
não cheira a chulé
e tem nuvem
de pó sobre ò pé.
Digam lá se
as madames do Alvor
são tão
lindas como esta Leonor
Um filhito
ranhoso na mão,
uma ideia
já podre no pão.
Meia dúzia
de sonhos partidos,
a seus pés,
como cacos de vidros.
Digam lá se
as madames do Alvor
são tão
lindas como esta Leonor.
- António
Cabral, Antologia dos Poemas Durienses, Chaves, Edições Tartaruga,
1999.
Sem comentários:
Enviar um comentário