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(Continuação do post anterior) :
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Um a um foram chegando outros/as colegas que, depois de me cumprimentarem desejando-me as boas-vindas, se instalaram nas suas cápsulas; No écran destas começou, então, a ser projectado um documentário sobre a utilização de cães, como cobaias, na industria de cosméticos; nele se afirmava que estas empresas mantinham os animais em locais dissimulados, para evitarem represálias de ambientalistas; findo o mesmo, o desafio lançado foi encontrarmos, no equipamento com que as nossas naves estavam equipadas, formas de localizarmos esses locais de experiências secretos (o primeiro a consegui-lo, deveria comunicar as coordenadas a todos os restantes). Lancei-me, então, na exploração das particularidades dos equipamentos disponíveis: havia, por exemplo, um detector de ultra-sons, mas lembrei-me de ver no documentário que, essas empresas, anulavam as cordas vocais das cobaias, para não serem incomodadas pelos seus ganidos, pelo que aquele equipamento não teria grande utilidade neste caso. Continuei as minhas pesquisas e acabei por descobrir um detector de odores bastante sofisticado : fornecendo-lhe o perfume de cosméticos, juntamente com o cheiro de cães há muito tempo enjaulados, depois de sobrevoar vaias áreas isoladas, apareceram a piscar no écran as coordenadas desejadas; Comunicadas estas à Central, logo começaram a surgir, de todos os lados, as cápsulas de outros colegas.
O próximo desafio logo surgiu : como neutralizar os alarmes e penetrar nas instalações ? através de raios infra-vermelhos verifiquei que existiam alarmes nas portas, mas não no telhado do pavilhão onde se encontravam as cobaias; Constatei que uma das cápsulas estava equipada com um potente feixe de raios-laser e, obtida autorização, foi essa cápsula utilizada para anular a soldadura as juntas do telhado; Com a acção conjunta dos guinchos de várias cápsulas pairando estrategicamente, foi possível levantar e deslocar o telhado; Agentes de outras cápsulas, descendo em guinchos equipados com cestas, chegavam às gaiolas, libertavam os animais e metiam-nos nas cestas que faziam subir para as cápsulas; As naves que se encontravam a segurar o telhado, voltaram a coloca-lo e a solda-lo na sua posição.
Recolhidas todas as cobaias, subsistia ainda um problema : para onde leva-las? Feita uma pesquisa na Net, descobriu-se uma Associação Protectora de Animais, que possuía uma espécie de colónia de recuperação, equipada com Clínica-veterinária; Depois de recuperados os animais, conforme as suas características, eram ensinados a serem úteis à Sociedade : quer como companhia, como guardas, na detecção de substâncias suspeitas, em missões de salvamento, como cães-pastores, guias para invisuais, etc.; e, com a cedência destes animais-especializados custeavam as despesas de manutenção da Colónia.
Contactada aquela Associação, fomos autorizados a lá ir depositar os nossos resgatados.
No regresso, por um lado, sentia a satisfação do dever cumprido; mas, por outro, pensava se o aumento de ordenado justificaria a ausência de horários e a prontidão a qualquer dia da semana ou do mês; Na realidade, de tão ocupado que tinha andado na execução das tarefas requeridas, até me esquecera de comer (embora as cápsulas dispusessem de um compartimento refrigerado, equipado com vários tipos de alimentos). Lembrei-me por exemplo que, naquele dia, a minha Mãe fazia anos mas, àquela hora tardia, já não dava para chegar a sua casa antes de se ir deitar; O uso da cápsula para esse fim estava fora de questão pois, até para a sua utilização em serviço em rotas não programadas, era necessária autorização da Central; Mal tinha acabado de desfiar estes pensamentos, apareceram no écran da cápsula as coordenadas da casa de minha velhota e, num ápice, já me encontrava nas redondezas; Pensei, ainda, que de pouco valia chegar a tempo de dar-lhe os parabéns, se não tinha tido possibilidade de comprar-lhe qualquer lembrança; Eis senão quando, o compartimento-refrigerado da cápsula abriu-se, e lá encontrei um belo embrulho, contendo uma caixa com os seus bom-bons preferidos. Foi com muita alegria que ela verificou que, afinal, não me tinha esquecido do seu aniversário, e ia conseguir proporcionar-lhe um resto de dia muito Feliz.
Aprendi, com esta lição, que "há que saber dar tempo ao Tempo" ...
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NelitOlivas

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