sábado, 10 de agosto de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Jim Morrison

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Jim Morrison :
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UMA ORAÇÃO AMERICANA :

                                          (Tradução de Fabiano Calixto)
I
Vocês sabem do progresso infernal
sob as estrelas?
Sabem que nós existimos?
Teriam esquecido as chaves
do Reino?
Nasceram?
Estão vivos?
Reinventemos os deuses
& os mitos dos tempos
Celebremos os símbolos
das profundas florestas ancestrais
(Esqueceram as lições
da velha guerra?)
Precisamos de GRANDES TREPADAS douradas
Os pais gargalham nas árvores do bosque
& nossa mãe está morta no mar
Sacam que somos levados
a massacres por plácidos almirantes
& flácidos generais lerdos têm
o obsceno vício por sangue jovem?
Sacam que somos controlados pela TV?
A lua é um animal de sangue seco
Guerrilheiros lançam os dados
na vizinhança de verdes vinhas
preparando-se para a batalha contra
inocentes pastores em frangalhos
Ó Grande Criador da existência
nos conceda um momento mais para
mostrarmos nossa arte
& aperfeiçoarmos a vida
As traças & os ateus são duplamente divinos
& moribundos
Vivemos, morremos
& a morte não acaba
com isso
Viajamos mais e mais para dentro
do pesadelo
Agarre-se à vida
Essa nossa flor apaixonada
Agarre-se às bucetas & caralhos
do desespero
Nossa última visão nos deu
a gonorréia
Os ovos de Colombo
incharam de morte verde
(Apalpei-lhe a bunda
& a morte sorriu)
Nós no centro deste teatro
senil e insano
A propagar nosso tesão pela vida
& fugir da sabedoria fervilhante
das ruas
Os celeiros foram destruídos
As janelas preservadas
& somente um entre tantos
Pra dançar & nos salvar
C/ o divino deboche das
palavras
& música inflamando o espírito
(Quando os assassinos do verdadeiro Rei
possuem a liberdade
1000 mágicos surgem
na terra)
Onde as farras
que nos prometeram?
Onde o vinho?
– O Vinho Novo –
(está morrendo na uva)
O deboche residente
Cede uma hora à magia
& nós da rubra luva
& nós do vôo maligno
& da hora de veludo
Nós saídos dos deleites árabes
Da cúpula do sol & das 1001 noites
Dê-nos algo
em que crer
Noite de LUXÚRIA
Dê-nos a bênção
de sua Noite
Dê-nos da cor
cem matizes
uma rica mandala
para mim & para você
& para a sua casa
forrada de seda
uma cabeça, sabedoria
& uma cama
Decrépito decreto,
o deboche decerto
clama seu crédito
Costumávamos crer
nos velhos tempos
E hoje apenas nos sobram
um sorriso engarrafado
As Coisas Delicadas
& a face terna
esquecem & consentem
Sabem que a liberdade só existe
nos livros escolares?
Sabem que os loucos
enchem as cadeias?
C/ uma cela, c/ uma gaiola,
C/ num Maelstrom ianque
Como pêndulos de cabeça para baixo
à beira do tédio
Buscamos a morte
na treva de uma vela
Procuramos algo
que já nos encontrou
Podemos criar nossos Reinos
grandes tronos rubros, sofás de luxúria,
& devemos nos amar numa cama de armar
Portas de aço asfixiam os gritos
da prisão
& música elétrica liga os sonhos
Não temos o ímpeto negro
da libertação
& os anjos loucos separam o joio do trigo
Uma colagem de revistas velhas
Postadas nos muros da fé
Esta é a justa prisão daqueles que devem
levantar cedo & suar, por repugnantes
inúteis valores
enquanto virgens em pranto
exibem miséria
& beicinhos diante da insana
sociedade
Porra, estou cheio das dúvidas!
Quero viver ao sol de um certo
Norte
Cruéis ligações
Os servos têm o poder
cabeças-de-porco & suas reles mulheres
cobrindo com míseros mantos
nossos marujos
(& onde você estava nessa hora difícil?)
Ordenhando seu bigode?
ou esmagando uma flor?
Estou cheio dessas caras feias
Que me olham da torre de
TV – Eu quero rosas no
rosto do meu jardim,
sacou?
Bebês reis, rubis
irão tomar o lugar de
estranhos abortados na lama
Esses mutantes, adubo sangüíneo
para o cultivo da planta
Estão à espreita para nos levar aos
jardins segregados
Sabem da palidez & da lascívia aguda
da morte quando, às horas insólitas,
sem aviso, sem escolta,
como um tenebroso conhecido,
nos leva pra cama?
A morte faz de todos nós anjos
& nos põe asas
onde antes havia ombros
macios como as garras
dos corvos
Chega de grana! Chega de luxo!
Este outro Reino parece ser de longe o melhor
até que outra mandíbula revele incesto
& perca o respeito à lei vegetal
Não
Eu não vou
Prefiro a farra de amigos
à família Gigante .
...
.
(retirado, com a devida vénia, de "Meu Pé de Laranja Mecânica")

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