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"Menina e moça" ele a adorou: a esp'rança
Era-lhe o amor, a glória, a adoração;
Quando a tormenta em meio da bonança
A onda de luz quebrara, o coração.
O vi fugindo em busca de outras terras
Onde mais doces fossem as manhãs.
Volvidos anos, das formosas eras
Viram esp'ranças cândidas, louçãs!
E qual encontram-se ao romper do dia
Em céus de opala nuvens d'esplendor,
Paixão divina eterna os destruía
E os gozos eram delirar de amor.
Viram depois, caindo a flor celeste,
Pungir espinhos contra o coração:
Menina-infância, a moça que reveste
D'arte o ideal, a eterna adoração.
O vi fugindo em busca de outras terras
Qual, na esperança da primeira vez.
Porém, as nuvens das formosas eras
Não mais se viram, nem verão... talvez.
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(retirado,com a devida vénia, de "Literatura Brasileira")

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