Felix de Souza Araújo :
.
De "Meu Coração" :
.
Maldito coração, que Deus te açoite!
De que valem os sóis que tenho n’alma
Se existe em mim a maldição da Noite?
.
Trabalho :
.
Minhas mãos cansadas gesticulam e meus músculos se contraem num esforço titânico.
O corpo curvado sobre as máquinas egoístas tem movimento de ritmo desigual e triste.
Há poesia de morte misturando-se ao barulho das volantes apressadas e impiedosas.
Os Senhores ricos passam esmagando em palavras rudes os obreiros humildes.
E eu trabalho e canso e entristeço e vacilo...
Mas Tamar vem de leve, envolve-me deliciosamente, beija-me nas faces, enxuga-me o suor da fronte com os seus cabelos de veludo, e me aponta a alvorada da Fraternidade e da Justiça ao sol rubro do Futuro.

Sem comentários:
Enviar um comentário