Avec le temps – Léo Ferré :
.
.
Com o tempo tudo vai embora
Esquecemos o rosto e esquecemos a voz
O coração, quando deixa de bater, já não vale a pena ir
Procurar mais longe é preciso deixar e tudo bem
Esquecemos o rosto e esquecemos a voz
O coração, quando deixa de bater, já não vale a pena ir
Procurar mais longe é preciso deixar e tudo bem
Com o tempo
Com o tempo tudo vai embora
O outro que adorávamos que procurávamos à chuva
O outro que imaginávamos na sombra de um olhar
Entre as palavras nas entrelinhas e no cansaço
De um sermão maquiado que segue para a noite
Com o tempo tudo desvanece
Com o tempo tudo vai embora
O outro que adorávamos que procurávamos à chuva
O outro que imaginávamos na sombra de um olhar
Entre as palavras nas entrelinhas e no cansaço
De um sermão maquiado que segue para a noite
Com o tempo tudo desvanece
Com o tempo
Com o tempo tudo vai embora
Mesmo as recordações mais ternas tem um desses momentos
Na galeria eu vasculho as prateleiras da morte
No sábado à noite quando a ternura parte sozinha
Com o tempo tudo vai embora
Mesmo as recordações mais ternas tem um desses momentos
Na galeria eu vasculho as prateleiras da morte
No sábado à noite quando a ternura parte sozinha
Com o tempo
Com o tempo tudo vai embora
O outro em que acreditávamos por um frio, por um nada
O outro a quem dávamos o vento e joias
Por quem teríamos vendido a alma por algumas moedas
À frente de quem rastejávamos como rastejam os cães
Com o tempo tudo se resolve
Com o tempo tudo vai embora
O outro em que acreditávamos por um frio, por um nada
O outro a quem dávamos o vento e joias
Por quem teríamos vendido a alma por algumas moedas
À frente de quem rastejávamos como rastejam os cães
Com o tempo tudo se resolve
Com o tempo
Com o tempo tudo vai embora
Esquecemos as paixões e esquecemos as vozes
Que sussurravam palavras de gente pobre
Não volte muito tarde, sobretudo não apanhe frio
Com o tempo tudo vai embora
Esquecemos as paixões e esquecemos as vozes
Que sussurravam palavras de gente pobre
Não volte muito tarde, sobretudo não apanhe frio
Com o tempo
Com o tempo tudo vai embora
E sentimo-nos pálidos com um cavalo cansado
E sentimo-nos gelados numa cama ao relento
E sentimo-nos sós, mas talvez conformados
E sentimo-nos enganados pelos anos perdidos
Com o tempo tudo vai embora
E sentimo-nos pálidos com um cavalo cansado
E sentimo-nos gelados numa cama ao relento
E sentimo-nos sós, mas talvez conformados
E sentimo-nos enganados pelos anos perdidos
Então verdadeiramente
Com o tempo deixamos de amar.
Com o tempo deixamos de amar.
(retirado, com a devida vénia, de "Minhas Poesias Preferidas")
Sem comentários:
Enviar um comentário