segunda-feira, 1 de abril de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - António Gomes Leal

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António Gomes Leal :
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Tristissima :N'um paiz longe, secreto, 
Lendaria ilha affastada, 
Jaz todo o dia sentada 
N'um throno de marmor preto. 

No seu palacio esculpido 
Não entram constellações; 
Os tectos dos seus sallões 
São todos d'ouro polido! 

Nas largas escadarias 
Sobem vassallos ao cento, 
De noute suluça o vento 
N'aquellas tapeçarias. 

E pelas largas janellas 
Fechadas, sempre corridas, 
Ha flores desconhecidas 
Que não olham as estrellas. 

Na dextra segura um calix, 
- Calix da Dôr e da Magoa! 
Onde está contida a agoa 
E o sangue dos nossos males! 

Pelas florestas sosinhas 
Escuras, sem rouxinoes, 
Erram chorando os Heroes, 
E as desgraçadas Rainhas. 

Seguida, á noute, de servas, 
Caminha, em cortejo mudo, 
Rojando o negro velludo 
De seu cabello nas hervas. 

Sómente ao vel-a passar 
Ficam as almas surprezas; 
- Ha todo um mar de tristezas 
No abismo do seu olhar! 

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