quinta-feira, 4 de abril de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - George Herbert

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Love - George Herbert  :

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Amor 

O Amor deu-me boas vindas, porém retraiu-se 
minha alma, em  pó e pecado eivada. 
Mas o Amor, de olhar sagaz, observando-me 
recuar àquela minha primeira entrada,
achegou-se de mim, suave, indagando
se algo me faltava. 
“Um hóspede,” disse-lhe, “em mérito de entrar à vossa casa."
Falou o Amor, “Tu o serás.”
“Eu, o ingrato, o desamável? Ah, não sou digno 
de a Vós erguer os olhos, meu amado.”
O Amor tomou minha mão e, sorrindo, retorquiu,
“Quem, senão eu, teria os olhos criado?
“Verdade, Senhor; mas eu os turvei; deixai minha desonra
tomar o rumo que lhe caiba.”
“Acaso não sabes”, diz o Amor,  “quem toda humana culpa assumiu?”
"Meu querido, serei de vossa mesa, assim, o servo."
“Deves sentar-te,” diz-me o Amor, “e de minha carne provar.”
Então sentei-me, e de sua carne provei. 

(tradução de Fernando Campanella)

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