segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe fazia III

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             C A R A V E L A S


Cheguei a meio da vida já cansada
De tanto caminhar ! Já me perdi !
Dum estranho país que nunca vi
Sou neste mundo imenso a exilada.

Tanto tenho aprendido e não sei nada.
E as torres de marfim que construí
Em trágica loucura as destruí
Por minhas próprias mãos de malfadada !

Se eu sempre fui assim este Mar morto :
Mar sem marés, sem vagas e sem porto
Onde velas de sonho se rasgaram !

Caravelas doiradas a bailar...
Ai quem me dera as que deitei ao Mar !
As que eu lancei à vida, e não voltaram !...

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Florbela Espanca
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